Além do Divã
O que é etarismo e quais são seus riscos para a saúde?
Foto de Alexandre Vieira Brito

Alexandre Vieira Brito

Alexandre Vieira Brito é psicólogo e mestre em Psicologia Institucional pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Possui especialização em Filosofia e Psicanálise pela Ufes, bem como em Políticas Públicas e Socioeducação pela Universidade de Brasília (UnB). Possui experiência em saúde mental, formação profissional, políticas públicas e socioeducação. Realiza atendimento clínico desde 2010. Também é professor universitário e palestrante, articulando a psicologia em suas interfaces com outros saberes.
O etarismo impacta o mercado de trabalho, onde profissionais mais velhos muitas vezes enfrentam barreiras e preconceitos. Foto: FreePik
O etarismo é uma forma de discriminação baseada na diferença de idade. Sua forma mais comum ocorre com pessoas mais velhas, que podem sofrer preconceitos sociais simplesmente por causa da idade. No entanto, ele pode se manifestar de outras formas, como no etarismo descendente, que afeta adolescentes discriminados por adultos. A palavra “etarismo” vem de “etário”, derivado do latim aetas, que significa “idade”. O tema é complexo, e nossa intenção não é esgotá-lo, mas colocá-lo em pauta. O etarismo nem sempre é evidente. Em muitas culturas orientais, por exemplo, o envelhecimento é visto como uma virtude, associado à admiração e à sabedoria. No entanto, em sociedades onde há culto à juventude, o envelhecimento é alvo de preconceito estrutural e institucional. Esse tipo de discriminação não deve ser visto como um “caso isolado” entre duas pessoas. O etarismo é estrutural e está presente em diversas instituições, como nos processos de seleção e recrutamento, que muitas vezes, de forma velada, favorecem candidatos mais jovens. As mulheres são ainda mais afetadas pelo etarismo, o que pode resultar em rejeição social, desemprego e depressão, levando à pressão para negar a própria idade. Esse preconceito desvaloriza o envelhecimento, tratando-o como algo indesejável e inferior. Assim, o etarismo gera estereótipos, exclusão social e sofrimento psicológico diante do medo de envelhecer. Enfrentar o etarismo é afirmar a vida em todas as idades. Como disse Fernanda Torres em uma entrevista: “Com a idade, você aprende como as coisas são relativas, como você não domina tudo que deseja! A calma da maturidade é uma maravilha, você fica mais humilde em relação ao mundo.”

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