Além do Divã
Inveja boa existe? Psicólogo explica como lidar com sentimento
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Alexandre Vieira Brito

Alexandre Vieira Brito é psicólogo e mestre em Psicologia Institucional pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Possui especialização em Filosofia e Psicanálise pela Ufes, bem como em Políticas Públicas e Socioeducação pela Universidade de Brasília (UnB). Possui experiência em saúde mental, formação profissional, políticas públicas e socioeducação. Realiza atendimento clínico desde 2010. Também é professor universitário e palestrante, articulando a psicologia em suas interfaces com outros saberes.
Inveja
Inveja. Crédito: Pixabay
Em entrevista à BandNews FM Espírito Santo, o psicólogo Alexandre Brito reflete sobre um sentimento incômodo e muitas vezes difícil de aceitar: a inveja. Segundo ele, esse sentimento é comum, especialmente em uma sociedade que valoriza a comparação constante, como nas redes sociais. Porém, Brito explica que isso pode se transformar em uma ferramenta de crescimento se trabalhada de maneira consciente e saudável. Para o psicólogo, a inveja é um sentimento socialmente problemático, pois envolve o desejo de possuir o que outra pessoa tem ou de alcançar o status que ela ostenta. Esse sentimento, quando não reconhecido, pode alimentar comportamentos negativos, como fofocas e tentativas de desmerecer o outro. “A felicidade do outro pode incomodar e isso acaba se refletindo em ações que prejudicam as relações sociais,” observa. Brito aponta que a inveja surge, muitas vezes, sem que a pessoa se dê conta, especialmente em situações onde a comparação é inevitável. Ele exemplifica como as redes sociais se tornaram um terreno fértil para a inveja, pois exibem constantemente realizações e sucessos alheios.

A inveja como reflexo de insatisfação pessoal

Ainda segundo Brito, a inveja pode sinalizar uma falta ou insatisfação com a própria vida. Em vez de desejarmos mal ao outro, o psicólogo sugere que cada um busque entender o que esse sentimento representa. “A inveja pode indicar que você deixou algo de lado, um sonho ou um desejo que abandonou,” comenta Brito. Ele também ressalta a importância de transformar esse sentimento em uma reflexão interna. Segundo Brito, ao percebermos que a inveja vem à tona, é necessário analisar o que está sendo projetado. “Rever sonhos e metas abandonadas pode ajudar a realinhar os desejos e diminuir esse sentimento de frustração,” afirma.

Existe “inveja boa”?

Quando questionado sobre a possível existência de uma “inveja boa”, Alexandre Brito propõe uma abordagem interessante: substituir a palavra por “admiração”. Ele acredita que essa mudança de perspectiva ajuda a tornar o sentimento mais positivo. “É possível olhar para o sucesso do outro como inspiração, sem que isso se transforme em competição ou desvalorização de si,” explica o psicólogo. Essa “inveja positiva” pode, então, ser vista como uma fonte de motivação, uma forma de aprender com o sucesso alheio e encontrar uma nova forma de encarar as próprias ambições e desejos.

Como lidar a inveja alheia?

Em situações onde amigos, familiares ou parceiros amorosos demonstram inveja, Brito sugere cautela e limites. Esse tipo de relação pode se tornar tóxica, gerando desconforto e até afetando a autoestima. Segundo ele, a recomendação é estabelecer fronteiras e, se necessário, afastar-se de quem faz comentários constantemente negativos. “É importante não deixar que o comportamento do outro limite suas próprias conquistas,” ressalta Brito. O psicólogo também sugere observar se há um padrão nos comentários dessas pessoas. Aqueles que, sob o pretexto de serem amigos, estão sempre trazendo notícias desanimadoras ou conselhos que geram insegurança, podem, na verdade, não desejar o sucesso do outro. Por fim, Alexandre Brito oferece uma orientação valiosa para quem percebe que a inveja é um sentimento frequente em sua vida. Segundo ele, o autoconhecimento é fundamental para lidar com emoções difíceis, e o processo terapêutico pode ser uma ferramenta importante nesse caminho. “Assumir que sente inveja é difícil, mas é um passo essencial para trabalhar o sentimento de forma madura e saudável,” recomenda.

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