
Laudos revelam composição alarmante
As análises realizadas pelo Laboratório Central de Santa Catarina apontaram diferenças expressivas entre o que estava no rótulo e o que de fato havia no alimento. O biscoito apresentava 13,22 g de gordura por 100 g, quase 90% acima do informado. Já os carboidratos chegaram a 74,26 g por 100 g, número 125% superior ao declarado. O valor energético foi outro ponto de discrepância: 420,6 kcal, 116% a mais do que constava na tabela nutricional. Mas o dado mais grave foi em relação ao sódio: 901,8 mg por 100 g, quando o rótulo dizia que não continha quantidade significativa. Pela legislação, apenas produtos com até 5 mg podem ser classificados dessa forma.Produto estava em shoppings e áreas nobres

Empresa investigada e risco de multa milionária
Fabricados em Minas Gerais, os biscoitos foram retirados das prateleiras, e a empresa foi notificada para se defender no prazo de 20 dias. O Procon-ES também apontou outra irregularidade: a ausência do número do lote nas embalagens, o que impossibilita o rastreamento da produção. De acordo com o diretor de fiscalização do Procon-ES, Fabrício Pancotto, a estratégia de marketing explorava termos como “100% vegano” e “natural” para atrair consumidores dispostos a pagar mais caro. “Esse biscoito custava, em média, R$ 16 por 80 gramas e ainda tinha mais sal que muitos produtos convencionais. É um risco claro ao consumidor”, disse. A investigação pode resultar em multa de até R$ 1 milhão e responsabilização criminal dos fabricantes por fraude contra o consumidor.
