Enquanto milhões de torcedores acompanham cada lance pela televisão, existe um grupo de profissionais que vive a Copa do Mundo de uma perspectiva completamente diferente. Entre eles, está o fotógrafo do Espírito Santo Paulo Souza, que cobre o torneio desde a edição de 2014, realizada no Brasil, e já acumula a experiência de quatro Mundiais consecutivos.
Natural de Uberlândia (MG), Paulo se considera capixaba de coração. Há 45 anos, mora no Espírito Santo, onde construiu sua vida e viu os três filhos nascerem. Nesta Copa do Mundo, ele está concentrado nos Estados Unidos, país onde acompanhou toda a trajetória da Seleção Brasileira até a eliminação nas oitavas de final.
Em entrevista ao Sim Notícias, o fotógrafo contou que a rotina durante um Mundial é muito mais intensa do que o público costuma imaginar. Os dias começam cedo e terminam tarde.
“Eu vim para os Estados Unidos cobrir a Copa como um todo, e até a eliminação do Brasil, nos concentramos em treinos pela manhã, entrevistas coletivas à tarde e jogos”, contou.
Ao contrário das edições disputadas em países tradicionalmente apaixonados por futebol, Paulo percebeu um ambiente diferente nos Estados Unidos. Segundo ele, o país-sede não respira a competição da mesma forma, embora os estádios tenham recebido grandes públicos.
Aqui eles não têm apego ao futebol. Mas as torcidas interagem, as arquibancadas estão sempre cheias.
Mesmo diante dessa diferença cultural, ele destaca que um dos grandes ganhos da cobertura é a convivência com profissionais de imprensa de diferentes partes do mundo. Para Paulo, essa troca de experiências é um dos aspectos mais enriquecedores da profissão durante uma Copa do Mundo.
Despedida de Neymar marcou a cobertura
Entre os inúmeros jogos e histórias registrados nesta edição do Mundial, um momento ficará para sempre na memória do fotógrafo: a eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega e a despedida de Neymar da Copa do Mundo.
Posicionado atrás das câmeras, Paulo conseguiu registrar desde a confiança do camisa 10 até a emoção após o apito final. “Ele é um dos maiores jogadores do mundo, eu registrei a provocação dele com o goleiro, o gol e depois a saída de campo aos prantos.”
Na avaliação do fotógrafo, a despedida do atacante também deixa um ensinamento para os atletas das novas gerações.
Acredito que o Neymar sirva como exemplo de que, independente do que se proponha a fazer, precisa se cuidar, cuidar da saúde, da mente. O Neymar é um jogador que não se cuidou e termina a carreira na seleção precocemente e sem título na Copa.
Seleção mais fechada
Paulo também observou uma mudança de postura da Seleção Brasileira em relação aos Mundiais anteriores. Segundo ele, o grupo comandado por Carlo Ancelotti permaneceu muito mais reservado durante toda a competição. “Os jogadores tiveram pouco contato com as pessoas, familiares e até mídias sociais”, destacou.
Bastidores da cobertura
Nem só dentro de campo acontecem histórias curiosas em uma Copa do Mundo. Paulo também revelou um episódio que movimentou a imprensa durante a cobertura da Seleção.
Segundo ele, Carlo Ancelotti restringiu entrevistas exclusivas apenas para grandes detentores de direitos de transmissão.
O Ancelotti não daria nenhuma entrevista exclusiva para veículos que não fossem a Globo, o SBT e a Cazé TV. Mas uma profissional de São Paulo, mesmo não estando em nenhum dos países-sede, conseguiu produzir esse conteúdo a pedido de um político e foi uma revolta para a imprensa.









