O Espírito Santo registrou a abertura de 3.611 empregos formais com carteira assinada em abril de 2026, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) analisados pelo Connect Fecomércio-ES. O resultado foi impulsionado principalmente pela agropecuária, que respondeu por mais da metade das vagas criadas no estado, com destaque para o início da colheita do café.
De acordo com o levantamento, a agropecuária foi responsável pela criação de 2.104 postos de trabalho no mês, o equivalente a 58,3% do saldo total. Somente o cultivo de café gerou 1.390 vagas, representando 66,1% dos empregos abertos no setor.
Segundo o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, a safra cafeeira tem papel estratégico na economia capixaba e influencia diretamente o mercado de trabalho, especialmente nos municípios do interior.
“A safra do café exerce um papel estratégico para o mercado de trabalho capixaba. O início da colheita amplia a demanda por mão de obra em diversos municípios do interior e gera reflexos positivos não apenas na agropecuária, mas também em atividades ligadas ao transporte, armazenagem, comércio e prestação de serviços”, destacou.
Apesar de o saldo de abril ter ficado abaixo do registrado em março, quando o estado criou 7.450 empregos — o melhor resultado para o período desde o início da série histórica do Novo Caged, em 2020 —, o mercado de trabalho manteve trajetória positiva.
“A geração de empregos continua em um patamar bastante favorável. Mesmo após o resultado excepcional de março, o Espírito Santo voltou a criar vagas em todos os grandes setores da economia, com exceção do comércio, o que demonstra a capacidade de absorção de mão de obra em diferentes atividades econômicas”, afirmou Spalenza.
Além da agropecuária, os setores de serviços e construção civil também tiveram desempenho positivo, com a criação de 748 e 745 vagas, respectivamente. A indústria registrou saldo de 317 empregos. O comércio foi o único segmento a apresentar resultado negativo, com fechamento de 303 postos de trabalho, movimento considerado comum após o período de vendas de fim de ano.
Mais de 16 mil vagas em 2026
Com o resultado de abril, o Espírito Santo acumula saldo positivo de 16.515 empregos formais nos quatro primeiros meses de 2026.
Entre os destaques do ano está a construção civil, que ampliou em 79,8% a geração de vagas em comparação com o mesmo período de 2025. O setor criou 1.553 empregos a mais do que no ano anterior. Já os serviços registraram crescimento de 12,3% na abertura de postos de trabalho, enquanto o comércio voltou a apresentar saldo positivo após resultados negativos observados em 2025.
Atualmente, o estado contabiliza 932.721 vínculos formais de trabalho, número 1,5% superior ao registrado em abril do ano passado. O setor de serviços segue como o maior empregador do Espírito Santo, concentrando 45,6% dos empregos formais, seguido pelo comércio, com 25,3%.
Interior concentra contratações
Embora Vitória tenha liderado individualmente entre os municípios, com saldo de 685 empregos impulsionado principalmente pela construção civil, a maior parte das contratações ocorreu fora da Região Metropolitana.
Os municípios do interior responderam por 3.467 vagas formais, o equivalente a 96% de todos os empregos criados em abril. Além de Aracruz, que abriu 562 postos impulsionados pela indústria, destacaram-se Jaguaré, Linhares, Vila Valério, Itapemirim, Sooretama, São Mateus e Rio Bananal, municípios beneficiados pela atividade cafeeira.
Para Spalenza, a formalização do trabalho traz benefícios tanto para os trabalhadores quanto para a economia.
“Cada novo emprego com carteira assinada representa mais proteção ao trabalhador, maior segurança jurídica para as empresas e aumento da arrecadação que financia políticas públicas. A formalização é especialmente importante na agropecuária, setor que historicamente apresenta índices mais elevados de informalidade”, avaliou.


