Na manhã desta quinta-feira (09), o ex-prefeito de São Mateus, Daniel Santana, o Daniel do Açaí, voltou a ser alvo de uma operação da Polícia Federal. A ação teve início por volta das 5h30 e se estendeu até aproximadamente às 7h30, quando os agentes deixaram o local.
Os agentes apreenderam cerca de R$ 86 mil em dinheiro vivo, além de R$ 2 milhões em cheques e três veículos durante uma operação que também aconteceu no Sul da Bahia.
De acordo com as informações preliminares, os policiais chegaram em duas viaturas, sendo uma delas descaracterizada. Durante a operação, foram recolhidos diversos documentos na residência. Um outro veículo também saiu da garagem do imóvel, e há indícios de que o ex-prefeito pudesse estar nele.
Daniel Santana já havia sido investigado anteriormente pela Polícia Federal durante sua gestão à frente da Prefeitura de São Mateus. Em 2021, ele foi o principal alvo de uma operação que apurou um suposto esquema de fraudes que ultrapassaria R$ 50 milhões.
Na ocasião, o então prefeito chegou a ser preso preventivamente por 10 dias, juntamente com outras pessoas investigadas, e também foi afastado do cargo por decisão judicial por um período de três meses. As investigações apontaram possíveis crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção, improbidade administrativa, fraudes em licitações e falsidade ideológica.
O caso resultou em denúncia apresentada pelo Ministério Público, que foi aceita pela Justiça Federal, incluindo o ex-gestor e outros investigados.
Até o momento, não há confirmação oficial de que a operação realizada nesta quinta-feira tenha relação direta com as investigações anteriores. A Polícia Federal deve divulgar mais detalhes sobre a ação nas próximas horas.
Ao todo, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão, além de medidas para bloqueio de valores e sequestro de imóveis, que juntos podem chegar a R$ 1,2 milhão.
As ações aconteceram nas cidades de:
- São Mateus
- Linhares
- Valença
- Teixeira de Freitas
O que está sendo investigado
Segundo a investigação, há suspeitas de um esquema envolvendo contratos, que pode ter causado prejuízo aos cofres públicos.
De acordo com as apurações, o grupo investigado teria usado atas de registro de preços de outros órgãos públicos para tentar evitar processos regulares de contratação. Também há indícios de que serviços podem ter sido contratados com valores acima do necessário.

Os investigadores também identificaram movimentações financeiras consideradas fora do padrão, que não seriam compatíveis com a renda declarada por alguns dos investigados. Há suspeita ainda de que outras pessoas e empresas tenham sido usadas para esconder a origem do dinheiro.
Dinheiro e bens apreendidos
Durante o cumprimento dos mandados, além do dinheiro em espécie, foram encontrados:
- Cerca de R$ 86 mil em dinheiro vivo
- Aproximadamente R$ 2 milhões em cheques
- Três veículos
Segundo a Polícia Federal, essas medidas têm como objetivo reunir provas, identificar todos os envolvidos e evitar que possíveis irregularidades continuem acontecendo.
Os fatos investigados podem estar relacionados a fraudes em contratações públicas, pagamento de vantagens indevidas e ocultação de valores, crimes que, somados, podem ter penas que ultrapassam 30 anos de prisão, além de multas e outras sanções previstas em lei.


