Ginecologista é acusado por mais de 120 mulheres de abuso em consultório no ES

Uma série de denúncias contra o ginecologista está sendo investigada pela polícia

Escrito por Josue de Oliveira

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O médico é acusado por diversas mulheres de abuso durante as consultas. Foto: Divulgação (reprodução)

Uma série de denúncias contra o ginecologista Tolentino Ferreira de Freitas Filho está sendo investigada pela Polícia Civil do Espírito Santo. A denúncia, feita com exclusividade pela TV Sim/SBT, mostra que mulheres afirmaram que foram vítimas de assédio e abuso sexual dentro do consultório do acusado, em Vila Velha.

Um dos vídeos entregues às autoridades na qual a reportagem teve acesso, mostra uma paciente durante um exame de ultrassom. Nas imagens, o médico aparece fazendo comentários considerados inadequados pela mulher durante o atendimento.

A paciente, que havia sofrido dois abortos pouco tempo antes da consulta, afirmou que o exame deveria ter sido realizado apenas na barriga, já que ela estava grávida de quatro meses. Segundo o relato, o médico teria abaixado a roupa dela sem autorização.

“Ele abaixou meu short e minha calcinha e ficou com um punho em cima do meu órgão genital”, contou a mulher, que preferiu não se identificar. Após o atendimento, ela disse ter deixado o consultório em estado de choque. “Eu saí de lá me sentindo suja, me sentindo muito mal, como se eu tivesse sido estuprada”, relatou.

As denúncias apontam que parte dos atendimentos acontecia em uma clínica particular do médico, localizada no bairro Cobilândia. Segundo as pacientes, o local recebia um grande número de mulheres por oferecer consultas com valores mais baixos.

A autônoma Rozi Faltz foi a primeira vítima a falar publicamente sobre o caso. Depois de publicar um vídeo nas redes sociais relatando a experiência, ela afirma ter recebido mensagens de dezenas de outras mulheres. Segundo Rozi, mais de 120 mulheres entraram em contato relatando situações semelhantes.

“Foi por isso que eu fiz o vídeo, na verdade foi um apelo para que mais vitimas aparecessem. Eu confesso que fiquei horrororizada por que foi uma vítima atrás da outra”, explicou.

A reportagem também teve acesso ao depoimento de uma pessoa próxima à família do médico, que preferiu não se identificar. Ela afirmou que não ficou surpresa com as denúncias. “O ponto que eu fiquei triste foi de não duvidar que era ele, ele não fez nada comigo, mas eu sabia que era ele por conta do que eu conheço dele. A forma que as mulheres descrevem é exatamente como ele é”, afirmou.

A reportagem da TV Sim/SBT também teve acesso à um áudio em que a mulher do médico afirma que ele é inocente. “Ele é um ótimo pai, vou ficar do lado dele, não vou deixar ele se queimar no mercado por causa de vagabunda interesseira que quer o dinheiro dele não”.

Outras denúncias

De acordo com as vítimas, após as denúncias, o ginecologista deixou a região da Grande Vitória e passou um período em uma área rural de Ecoporanga, no Noroeste do Espírito Santo. O que chamou a atenção das denunciantes é que, poucos dias depois, mesmo diante das diversas acusações, a clínica voltou a funcionar normalmente.

O nome do médico aparece em diferentes boletins de ocorrência registrados nos últimos anos. Em 2018, ele foi citado em um caso de assédio. Em 2023, surgiram registros relacionados a violência sexual mediante fraude e crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. Em 2025, houve um boletim por violência psicológica contra mulher. Já neste ano, uma nova denúncia por crime contra a dignidade sexual foi registrada.

A defesa do ginecologista nega as acusações. Em vídeo publicado nas redes sociais, o advogado afirmou que uma das supostas vítimas não teria comparecido à delegacia para prestar depoimento. “Hoje, curiosamente, a testemunha ocular, que seria a mãe, não compareceu. O meu cliente, Tolentino é uma pessoa integra”, declarou.

A mulher citada, no entanto, afirma que esteve no local na data marcada, mas teria sido informada sobre um erro na intimação. A reportagem tentou contato com o médico por telefone e também foi até a clínica, mas não obteve retorno.

O Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo informou que não comenta casos em apuração. Já a Secretaria Municipal de Saúde de Vitória disse que o médico não atua mais na rede municipal e que ele foi demitido em 2017 após responder a processo disciplinar.

A Polícia Civil informou que o caso segue sob investigação em sigilo. Enquanto aguardam os desdobramentos da investigação, as vítimas relatam medo e cobram justiça.

“Tenho medo até de morrer, de ser ameaçada. Eu só quero justiça”, disse uma das denunciantes.

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