A manilha apontada como um dos pontos de monitoramento da mancha registrada na Baía de Vitória será remanejada. A medida foi discutida durante reunião do Grupo de Trabalho criado pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) para acompanhar os episódios de poluição na região da Curva da Jurema, em Vitória. O encontro reuniu representantes da Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) e da Prefeitura de Vitória.
Segundo os órgãos envolvidos, a estrutura atualmente localizada na faixa de areia será transferida para o entroncamento da ponte. O lançamento das águas passará a ocorrer entre as pedras, em um trecho considerado mais adequado para a dispersão das marés.
A ação faz parte das medidas de curto prazo previstas para reduzir os impactos da mancha e evitar novos episódios de contaminação na Baía de Vitória. A previsão é que as intervenções sejam executadas até dezembro de 2026.
Além do remanejamento da manilha, a Cesan e a Prefeitura informaram que seguem realizando vistorias em imóveis com ligações irregulares de esgoto na rede de drenagem pluvial, principalmente na região da Guarderia.
Outra medida prevista é a instalação de uma bomba reserva na Estação de Tempo Seco (ETS), para reforçar a operação do sistema.
A Prefeitura de Vitória também informou que instalou placas indicando trecho impróprio para banho no entorno da área monitorada. O município passou ainda a divulgar os laudos completos sobre a balneabilidade em seu portal oficial.
As soluções definitivas para retirada da manilha da faixa de praia ainda dependem de estudos complementares e devem integrar um futuro termo de compromisso entre os órgãos envolvidos.
O que diz a prefeitura:
A Prefeitura de Vitória informa que, desde o primeiro registro do fenômeno na praia da Guarderia, equipes técnicas realizam monitoramento da área, com coletas de amostras, análises laboratoriais e acompanhamento da balneabilidade.
Pondera, ainda, que participa ativamente do Grupo de Trabalho (GT) liderado pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), que estabeleceu ações que representam um avanço significativo na fiscalização ambiental da capital. A iniciativa conta com composição técnica e institucional de excelência: PMV, Iema, Cesan, Ministério Público, representantes do Legislativo municipal e estadual, ARSP e a comunidade científica (conselhos regionais de Biologia, UFES e Instituto Oceano).
A Secretaria de Meio Ambiente (Semmam), em conformidade com a Nota Técnica nº 01/2026 do Grupo de Trabalho do MPES, já instalou a placa indicativa de trecho impróprio para banho no entorno da manilha de drenagem da Praia da Guarderia, identificada como Ponto 11-A.
Um Plano de Contingência para o próximo verão foi proposto para dar solução a essa questão, numa comunhão de esforços para garantir a segurança e a saúde de quem frequenta a orla. Nesse processo, o município começou a autuar os imóveis que estavam com ligações irregularidades na bacia da Praia do Canto.
O município recebeu da Cesan, órgão responsável pela operação do sistema de esgotamento sanitário, a lista de imóveis não conectados à rede de esgoto. Com base nessa relação, inicou a notificação e autuação de nove unidades (comerciais e residenciais) na região da Praia do Canto e Praia de Santa Helena que ainda não se ligaram ao sistema de esgotamento sanitário.
A administração municipal sabe que essas indicações não são o suficiente, ciente de que há um trabalho importante a ser realizado de forma contínua pela empresa que assimiu em abril deste ano a operação da Cesan, na expectativa que o órgão demonstre a realidade da emissão de esgoto na capital com maior alcance, que possibilite avançar mais, para que o município atue na identificação de despejos ilegais e aplique sanções quando necessário.
A PMV tem enfrentado essa problemática dando as respostas necessárias em diversas áreas e conta com a participação de outros entes para a busca de uma solução definitiva para o assunto.
A manilha localizada na faixa de areia da Praia da Guarderia é uma prioridade para o município. A Secretaria Municipal de Obras (Semob) já possui contrato que previa sua realocação antes mesmo do problema da mancha. Estamos em fase de estudos técnicos para o remanejamento da estrutura para uma área com maior dispersão das marés, reduzindo o impacto no local.
Por fim, ressalta que investigações do Grupo de Trabalho e o monitoramento se encaminham para a etapa final, com o objetivo de validar as possíveis causas do fenômeno por meio da análise microbiológica em triplicata, a qual levará em consideração, também, a abrangência metropolitana do desafio, decorrente das contribuições oriundas dos demais municípios banhados pela Baía de Vitória e daqueles integrantes da bacia hidrográfica do Rio Santa Maria, cuja foz está situada na capital.


