O município capixaba com o melhor Índice de Progresso Social (IPS Brasil) em 2026 é uma surpresa: com 14 mil habitantes, a pequena cidade de João Neiva, situada no coração do Espírito Santo, tem a melhor avaliação entre os 78 municípios capixabas.
Criado em 2024 e chegando à terceira edição, o IPS Brasil é um estudo anual que mede a qualidade de vida e o bem-estar social e ambiental dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros, a partir do cruzamento de uma ampla gama de indicadores. O relatório de 2026 foi divulgado no dia 20. A nota média das cidades brasileiras neste ano foi de 63,40.

João Neiva, no Norte do Estado, ficou em primeiro lugar no ranking das cidades capixabas, com nota 67,54. Na sequência, completando o top 5, aparecem Serra (66,26), Vila Velha (66,15), Vitória (66,02) e Ibiraçu (65,61). Entre as dez cidades com melhor desempenho, três são da Grande Vitória, três da Região Norte, três do Sul e uma do Noroeste.
Na outra ponta, as cinco cidades com pior avaliação são Água Doce do Norte (57,00), Santa Leopoldina (56,79), Pedro Canário (56,65), Conceição da Barra (56,26) e Vila Valério (55,48). Dos 78 municípios capixabas, 54 estão abaixo da média nacional.
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Metodologia
O cálculo do IPS considera três dimensões. Cada uma delas leva em conta quatro componentes:
Cada componente, por sua vez, considera um conjunto de indicadores. O componente “Segurança Pessoal”, por exemplo, que integra a dimensão “Necessidades Humanas Básicas”, leva em conta quatro dados: assassinatos de jovens, assassinatos de mulheres, mortes por acidentes de transporte e homicídios.
Já o componente “Acesso à Educação Superior”, que faz parte da dimensão “Oportunidades”, é calculado a partir de três indicadores: empregados com ensino superior, mulheres empregadas com ensino superior e nota mediana no Enem.
Ao todo, o IPS é calculado com base em três dimensões, 12 componentes e 57 indicadores.
Para cada dimensão analisada, o município recebe uma nota em uma escala de 0 a 100. O IPS corresponde à média das notas obtidas nas três dimensões.
Por exemplo, se um município recebe nota 40 em “Necessidades Humanas Básicas”, nota 50 em “Fundamentos do Bem-Estar” e nota 60 em “Oportunidades”, o IPS final será 50.
Quanto mais próximo de 100, melhor é o índice do município.
Maiores desafios
Sob o lema “medir para transformar”, o Índice de Progresso Social (IPS) avalia, de forma multidimensional, se as pessoas têm o necessário para viver e prosperar, permitindo comparar realidades em todo o Brasil. O estudo é realizado por organizações como o Instituto IPS, o Imazon, a Fundación Avina e o Centro de Empreendedorismo da Amazônia.
O IPS é composto por dados socioambientais e de resultado. O índice não mede a quantidade de infraestrutura ou de recursos investidos em um município. A análise considera se essa estrutura e esses investimentos estão trazendo resultados para a população, especialmente em relação à qualidade de vida.
Na avaliação das três dimensões consideradas, “Necessidades Humanas Básicas”, “Fundamentos do Bem-Estar” e “Oportunidades”, o pior desempenho dos municípios capixabas aparece em “Oportunidades”. A tendência também é observada no restante do país.
Essa categoria reúne os componentes “Direitos Individuais”, “Liberdades Individuais e de Escolha”, “Inclusão Social” e “Acesso à Educação Superior”. Nesse quesito, a melhor nota do Espírito Santo é a de Linhares, com 53,32. Em seguida aparecem Serra (52,63), Barra de São Francisco (51,52), Colatina (51,51) e João Neiva (49,73).
Na outra ponta estão Vila Pavão (39,85), Água Doce do Norte (39,71), Pedro Canário (38,99), Divino de São Lourenço (38,80) e Conceição do Castelo (37,21). A média nacional em “Oportunidades” é de 46,82. Apenas 17 dos 78 municípios capixabas superam esse índice.
Já na dimensão “Necessidades Humanas Básicas”, a média nacional é de 74,58. Os melhores resultados do Espírito Santo foram registrados em Ibiraçu (82,93), Bom Jesus do Norte (82,81), João Neiva (81,31), Muqui (80,61) e Apiacá (80,12).
Os piores desempenhos ficaram com Conceição da Barra (63,73), Sooretama (63,13), São Domingos do Norte (62,08), Brejetuba (61,24) e Vila Valério (59,74). Dos 78 municípios capixabas, 46 estão abaixo da média nacional nesse indicador.
Na dimensão “Fundamentos do Bem-Estar”, a média brasileira é de 68,81. Os melhores resultados do Espírito Santo foram obtidos por Vitória (76,40), Vila Velha (74,55), Cachoeiro de Itapemirim (71,77), Colatina (71,66) e João Neiva (71,60).
Já os menores índices ficaram com Presidente Kennedy (63,00), Mantenópolis (62,16), Água Doce do Norte (62,06), Vila Valério (61,92) e Santa Leopoldina (61,61). Ao todo, 54 cidades capixabas ficaram abaixo da média nacional nessa dimensão.
Desempenho da Capital
O IPS Brasil 2026 traz boas e más notícias para Vitória. No ranking dos municípios capixabas, a capital aparece em quarto lugar, mesma posição registrada no ano passado. A cidade também teve o melhor desempenho do Estado na dimensão “Fundamentos do Bem-Estar”.
Os pesquisadores dividiram os municípios brasileiros em nove categorias, identificadas por cores de acordo com o desempenho obtido. As cidades com melhores resultados, com notas entre 65,49 e 73,50, foram classificadas em azul escuro. Já os municípios com os menores índices, entre 37,58 e 48,24, aparecem em vermelho escuro.
Com nota 66,02, Vitória ficou no grupo de melhor desempenho.
Por outro lado, no ranking das 27 capitais brasileiras, também divulgado pelo estudo, Vitória ocupa a 15ª colocação. A capital subiu uma posição em relação a 2025, quando ficou em 16º lugar. Ainda assim, o desempenho segue abaixo do registrado na primeira edição do IPS Brasil, divulgada em 2024, quando a cidade aparecia na 12ª posição.
Vila Velha: copo meio cheio, meio vazio
Entre os maiores municípios capixabas, Vila Velha também apresentou resultados que permitem diferentes leituras.
No ranking estadual, a cidade ficou em terceiro lugar e avançou duas posições em relação a 2025, ultrapassando Vitória.
Em contrapartida, no ranking nacional dos municípios com mais de 500 mil habitantes, destacado pelo próprio estudo, Vila Velha aparece entre os dez piores desempenhos do país.
A Prefeitura de Vila Velha classificou o terceiro lugar no ranking estadual como “um excelente desempenho” e “um dos resultados mais expressivos de sua história recente”. Também destacou o fato de o município ter superado Vitória. Segundo a administração municipal, “o resultado simboliza uma virada histórica para Vila Velha”.
A Serra também avançou no ranking estadual. Depois de ocupar a sexta posição em 2025, o município passou ao segundo lugar em 2026, atrás apenas de João Neiva.
Cariacica também melhorou seu desempenho. A cidade saiu da 28ª colocação em 2025 para a 22ª posição neste ano.
Alguns municípios chamaram atenção pela variação no ranking estadual entre um ano e outro. Ibatiba, por exemplo, subiu 15 posições. Já São Roque do Canaã perdeu 20 colocações.
Os resultados do Espírito Santo no índice que mede a qualidade de vida
Com IPS de 63,61, o Espírito Santo aparece em 8º lugar no ranking dos 26 estados e do Distrito Federal. As três primeiras posições são ocupadas, nesta ordem, pelo Distrito Federal (70,73), São Paulo (67,96) e Santa Catarina (65,58). Essas são as únicas unidades da federação classificadas na faixa azul escuro, a melhor entre as nove categorias estabelecidas pelo estudo, destinada a notas entre 65,49 e 73,50.
Já o Espírito Santo aparece na segunda faixa de classificação, identificada pela cor azul médio, atribuída aos estados com notas entre 62,92 e 65,48.
A nota de cada estado corresponde à média dos índices registrados por seus municípios.
Na dimensão “Fundamentos do Bem-Estar”, o Espírito Santo tem desempenho acima da média nacional, de 68,81. O Estado está entre as oito unidades da federação que superam esse índice, ao lado do Distrito Federal, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Nas outras duas dimensões avaliadas, porém, o Espírito Santo fica abaixo da média brasileira.
Em “Oportunidades”, cuja média nacional é de 46,82, 13 estados aparecem acima do índice nacional. O Espírito Santo não está entre eles.
Já em “Necessidades Humanas Básicas”, a média do país é de 74,58. Oito unidades da federação superam esse resultado, mas o Espírito Santo também fica abaixo da marca.
O Estado não tem nenhum município entre os 10 mais bem colocados do país. Também não aparece entre os 100 ou 200 primeiros. João Neiva, cidade capixaba mais bem avaliada no IPS Brasil 2026, ocupa a 248ª posição geral entre os 5.570 municípios brasileiros analisados.
Em resposta enviada em nome do Governo do Estado, o Instituto Jones dos Santos Neves destacou que o Espírito Santo registra um dos melhores desempenhos do país no IPS Brasil e aparece entre os estados mais bem avaliados em progresso social.
Segundo o instituto, “o resultado evidencia avanços importantes em saneamento, alfabetização e ambiente institucional, além de reforçar a capacidade do Estado de promover políticas públicas voltadas à melhoria da qualidade de vida da população capixaba”.







