Maus hábitos alimentares podem aumentar a ansiedade

Excesso de cafeína, jejum prolongado e ultraprocessados podem afetar sono, humor e saúde emocional

Escrito por Redação

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Exagerar no café para enfrentar o cansaço, passar horas sem comer ou recorrer a doces em momentos de estresse pode parecer algo comum na rotina. Mas hábitos alimentares desequilibrados podem intensificar sintomas de ansiedade, alterar o sono e afetar diretamente o bem-estar emocional.

A relação entre alimentação e saúde mental vem sendo cada vez mais estudada. Pesquisas apontam que intestino, cérebro, hormônios e emoções funcionam de forma integrada, o que faz com que a qualidade da alimentação também influencie disposição, concentração, irritabilidade e resposta ao estresse.

Segundo o nutricionista Ricardo Freire, da São Bernardo Samp e autor do livro Ansiedade e Emagrecimento: O Impacto das Emoções no Corpo, o organismo sente os efeitos de uma rotina alimentar desregulada.

“A relação entre o que comemos e o que sentimos é muito maior do que as pessoas imaginam. Hoje já sabemos que alimentação, intestino, cérebro, hormônios e emoções estão profundamente conectados. Uma alimentação desequilibrada pode influenciar sono, energia, disposição, concentração e até sintomas de ansiedade e irritabilidade”, explica.

O especialista afirma que o intestino também participa da produção de substâncias ligadas ao bem-estar, como a serotonina, conhecida popularmente como o “hormônio da felicidade”. Por isso, segundo ele, cuidar da alimentação também é uma forma de prevenção em saúde mental.

Quando a comida vira conforto emocional

A busca por alimentos mais calóricos em períodos de ansiedade, estresse ou frustração também tem explicação biológica. Nesses momentos, o cérebro tende a procurar alimentos altamente palatáveis, como doces, frituras e ultraprocessados, em uma tentativa rápida de gerar sensação de conforto.

“Muitas pessoas acabam usando a comida como válvula de escape emocional. O problema é que isso costuma aliviar o emocional apenas de forma momentânea. É importante melhorar a relação com a comida, organizar a rotina alimentar, cuidar do sono, controlar o estresse e entender que fome emocional não se resolve apenas com força de vontade”, afirma Ricardo Freire.

Além da alimentação desregulada, alguns hábitos podem contribuir para piorar sintomas em pessoas mais sensíveis. Entre eles estão o excesso de cafeína, consumo elevado de açúcar, álcool, ultraprocessados e longos períodos em jejum.

Alimentação equilibrada pode ajudar

Embora não exista um alimento específico capaz de causar ansiedade sozinho, uma alimentação equilibrada pode ajudar o organismo a funcionar de forma mais estável, inclusive emocionalmente.

Frutas, verduras, legumes, proteínas de qualidade, fibras e nutrientes como magnésio, vitaminas do complexo B e ômega-3 estão entre os alimentos apontados como aliados do equilíbrio emocional.

“Uma alimentação equilibrada pode contribuir para o equilíbrio emocional e para uma melhor resposta do organismo ao estresse do dia a dia. Também é importante cuidar da saúde intestinal, da hidratação e da qualidade do sono, porque tudo isso se conecta”, ressalta o nutricionista.

Em meio a rotinas aceleradas e ao aumento dos casos de ansiedade, especialistas reforçam que alimentação, sono, atividade física e organização da rotina fazem parte do cuidado integral com a saúde.

“A alimentação sozinha não é uma solução mágica, mas pode ser uma grande aliada da saúde mental. Quando a pessoa melhora alimentação, sono, atividade física e rotina, ela frequentemente percebe melhora de disposição, energia, concentração e da forma de lidar com o estresse”, conclui Ricardo Freire.

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