Mulher que fingiu ter 12 anos disse ter sido torturada no ES

Para reforçar o disfarce, a mulher dizia ser portadora de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e de outras condições clínicas

Escrito por Redação

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Fotos: Divulgação / Reprodução

A mulher de 37 anos presa após se passar por uma adolescente de 12 anos e enganar famílias e órgãos públicos em diferentes estados do país afirmou, em 2023, ter sido vítima de tortura e exploração sexual no Espírito Santo.

Amanda Maria Souza Oliveira foi presa no último dia 2 de junho, em Santa Catarina. Segundo a Polícia Civil, ela vivia havia 14 meses como filha adotiva de uma família em Joinville, no Norte do estado. Após a descoberta da farsa, a mulher confessou os crimes investigados.

Um documento divulgado em reportagem do programa Balanço Geral SP, mostra que Amanda utilizava o nome falso de “Karoliny da Silva Bastos” quando procurou o Conselho Tutelar de Florianópolis, em 2023.

Na ocasião, ela relatou aos conselheiros que teria sido submetida a situações de tortura e exploração sexual no Espírito Santo. Ainda segundo o documento, a mulher afirmou que conseguiu fugir de um suposto cárcere em abril daquele ano. Com o relato, ela convenceu autoridades catarinenses e acabou sendo encaminhada para acolhimento institucional.

Identidades falsas em vários estados

De acordo com a Polícia Civil, Amanda utilizou diversos nomes falsos ao longo dos últimos anos e costumava se apresentar como adolescente.

Há registros de ocorrências envolvendo a mulher nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.

Durante as investigações, ela foi interrogada e confessou integralmente os fatos apurados pela polícia. Agora, além do processo criminal, a Justiça poderá avaliar sua sanidade mental para auxiliar na análise das circunstâncias do caso e definir os próximos passos da ação.

Investigação aponta fraude elaborada

A promotora de Justiça Viviane Soares afirmou que as provas reunidas indicam uma estratégia estruturada para enganar as vítimas.

“Os elementos colhidos indicam um esquema elaborado de fraude, com a criação de uma identidade fictícia e a manipulação emocional das vítimas para obtenção de vantagens indevidas, o que demanda a devida responsabilização criminal”, declarou.

Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), Amanda costumava relatar supostos episódios de abusos, maus-tratos familiares e exploração para sensibilizar pessoas e instituições.

As investigações apontam que ela também adotava comportamentos compatíveis com a identidade que criou, incluindo fala infantilizada, uso de objetos ligados ao universo infantil e simulação de crises emocionais. Para os investigadores, essas estratégias ajudaram a sustentar a falsa identidade por anos.

Mamadeira, chupeta e alegações de doenças

Para reforçar o disfarce, a mulher dizia ser portadora de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e de outras condições clínicas. Ela também alegava que sua aparência física seria resultado do uso forçado de hormônios durante a infância.

A Polícia Civil identificou ainda que Amanda mantinha hábitos infantilizados, utilizando mamadeiras, chupetas e um “cheirinho” para dormir.

Amanda Maria Souza Oliveira permanece no Presídio Regional de Joinville e deve responder pelos crimes de estelionato e falsa identidade.

*Com informações do SBT NEWS

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