Ebola volta a preocupar após novos casos na África

Infectologista explica riscos da doença e por que o vírus segue em alerta mundial

Escrito por Redação

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Ebola
Ebola. Foto: FreePik

O surgimento de novos casos de Ebola em países africanos reacendeu o alerta internacional para uma das doenças mais letais já registradas. Conhecido pela rápida evolução clínica e pelo alto risco de morte, o vírus continua mobilizando autoridades de saúde sempre que surtos são identificados.

Segundo a infectologista Polyana Gitirana, o Ebola provoca uma febre hemorrágica severa, quadro que pode lembrar formas graves da dengue e da febre amarela, mas com potencial de letalidade muito maior.

“O Ebola é conhecido como uma das doenças de maior letalidade já descritas. Dependendo do surto e da variante do vírus, a taxa de mortalidade pode variar de 70% a 90%”, explica a médica.

A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, como sangue, vômito e secreções. Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, mal-estar, vômitos e diarreia, sinais que podem ser confundidos com outras infecções virais.

O principal risco está na evolução para a febre hemorrágica, considerada uma das formas mais graves da doença. “O paciente pode começar com manifestações gastrointestinais, mas evoluir para um quadro sistêmico grave. Diferentemente da dengue, em que os casos hemorrágicos são mais raros, no Ebola essa evolução acontece com muito mais frequência”, afirma Polyana.

Vacinas ainda são limitadas

Além da gravidade dos sintomas, outro ponto que mantém o Ebola em constante vigilância internacional é a limitação das vacinas disponíveis atualmente. Existem imunizantes voltados para variantes específicas do vírus, mas a aplicação costuma ocorrer apenas em regiões afetadas pelos surtos.

Segundo a infectologista, ainda não há cobertura ampla para todas as cepas da doença. Por isso, a principal recomendação continua sendo evitar viagens para áreas de risco e procurar atendimento médico diante de qualquer sintoma após exposição.

“O período de incubação pode chegar a 21 dias. Uma pessoa pode sair da região afetada sem sintomas e desenvolver a doença semanas depois. Por isso, qualquer febre ou mal-estar após viagem para áreas de risco deve ser investigado imediatamente”, alerta.

Risco de pandemia é considerado baixo

Apesar da preocupação global, especialistas avaliam que o Ebola possui um comportamento diferente do observado na pandemia de Covid-19. Segundo Polyana Gitirana, o vírus não costuma ser transmitido antes do aparecimento dos sintomas, o que reduz a capacidade de disseminação em larga escala.

“O Ebola não apresenta o mesmo comportamento epidemiológico da Covid. O paciente só transmite quando já está doente e, geralmente, bastante debilitado. Isso dificulta a propagação em larga escala. Não é comum que a gente tenha pandemias associadas a esse perfil de vírus”, afirma a infectologista do Hospital Vitória Apart.

O Ebola foi identificado pela primeira vez em 1976 e segue concentrado principalmente em países da África Central e Ocidental, onde surtos continuam sendo monitorados por autoridades de saúde internacionais.

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