
O Tribunal do Júri de Vitória condenou, nesta quarta-feira (16), os quatro acusados pela “Chacina da Ilha” a um total de 592 anos e 9 meses de prisão. O caso, ocorrido em setembro de 2020, deixou quatro mortos e duas vítimas sobreviventes. O julgamento durou dois dias e terminou por volta da 1h da madrugada, após mais de 27 horas de sessão no Fórum Criminal de Vitória.
Os condenados são Felipe Domingos Lopes (“Cara de Boi” ou “Boizão”), Victor Bertholini Fernandes (“Vitinho”), Werick Sant’Ana dos Santos da Silva (“Mamão”) e Adriano Emanoel de Oliveira Tavares (“Balinha” ou “Bamba”). As penas foram aplicadas por homicídios qualificados, tentativa de homicídio, associação armada para o tráfico de drogas e corrupção de menores.
Penas aplicadas
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Felipe Domingos Lopes: 178 anos — quatro homicídios triplamente qualificados, duas tentativas, associação para o tráfico e corrupção de menores.
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Victor Bertholini Fernandes: 154 anos e 8 meses — quatro homicídios, duas tentativas e associação armada.
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Werick Sant’Ana dos Santos da Silva: 140 anos, 9 meses e 10 dias — pelos mesmos crimes de Felipe.
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Adriano Emanoel de Oliveira Tavares: 119 anos, 4 meses e 6 dias — quatro homicídios, duas tentativas, associação armada e corrupção de menores.
Os crimes foram considerados de extrema gravidade, motivados por rivalidade entre facções criminosas e executados com crueldade. As vítimas foram rendidas, ameaçadas, filmadas, interrogadas e tiveram os celulares invadidos antes de serem baleadas. Três pessoas morreram no local, e uma quarta vítima faleceu após ser socorrida. Duas conseguiram escapar com vida.
A sentença será cumprida inicialmente em regime fechado. Os réus já estavam presos preventivamente. Eles também foram condenados ao pagamento de 100 salários mínimos para cada família de vítima fatal e 50 salários mínimos para cada vítima sobrevivente, conforme solicitado pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES).
Durante o júri, atuaram os promotores Rodrigo Monteiro e Bruno de Oliveira, da Promotoria de Justiça Criminal de Vitória. “Crimes dessa natureza jamais ficarão impunes. Hoje encerra-se o velório das famílias enlutadas!”, afirmou Monteiro. Já Bruno de Oliveira destacou a resposta firme do MPES à barbárie: “Reafirmamos nosso compromisso com a justiça e a defesa da vida”.
O júri começou na segunda-feira (14), às 9h, e seguiu até as 19h30, com oitiva de delegados, investigadores e uma das vítimas sobreviventes. No segundo dia, foram ouvidas três testemunhas de defesa, seguidas dos interrogatórios dos réus. Após os debates, os jurados analisaram 202 quesitos, e a sentença foi proferida com base na votação secreta.
Ao todo, 12 testemunhas foram ouvidas — quatro indicadas pelo MPES e oito pela defesa. O primeiro dia durou cerca de 10h30 e o segundo, aproximadamente 17 horas.
Entenda a Chacina da Ilha
A chacina aconteceu no dia 28 de setembro de 2020, na Ilha Doutor Américo, conhecida como Ilha da Pólvora, no bairro Santo Antônio, em Vitória. O local foi palco de uma execução motivada pela guerra do tráfico. Conforme a denúncia, os réus pertenciam a uma facção criminosa e atacaram pessoas suspeitas de integrarem o grupo rival. A ação contou com a participação de um adolescente.


