A marca de cosméticos CeraVe voltou ao centro de uma polêmica nas redes sociais após a circulação de vídeos e publicações que associam alguns de seus produtos ao desenvolvimento de câncer. As postagens, que acumulam milhares de visualizações, têm gerado preocupação entre consumidores, mas especialistas afirmam que o assunto exige contexto e não deve ser tratado de forma alarmista.
Segundo a farmacêutica especializada em desenvolvimento de cosméticos Marina Cristofani, o debate teve origem em 2024, quando um laboratório independente dos Estados Unidos analisou diversos produtos para acne que continham peróxido de benzoíla, ingrediente amplamente utilizado no tratamento da doença. Durante os testes, foram identificados níveis de benzeno (uma substância reconhecida como cancerígena quando há exposição significativa e prolongada) acima dos limites considerados aceitáveis em algumas amostras.
De acordo com a especialista, um dos principais pontos ignorados nas publicações que viralizaram é que o produto da CeraVe citado na denúncia possui uma formulação comercializada nos Estados Unidos. No Brasil, a composição equivalente é diferente e não utiliza o mesmo ingrediente ativo investigado nos testes.
A informação que circula acaba sendo irrelevante para a maior parte dos consumidores brasileiros, porque o produto analisado não é vendido aqui da mesma forma
O peróxido de benzoíla é um ingrediente consagrado na dermatologia e utilizado há décadas em tratamentos contra acne. Segundo especialistas, ele é considerado seguro quando utilizado conforme as orientações. A polêmica surgiu porque a substância pode sofrer degradação quando exposta a altas temperaturas, gerando pequenas quantidades de benzeno.
Por isso, os testes realizados buscaram verificar se produtos contendo peróxido de benzoíla poderiam apresentar níveis elevados dessa substância após determinadas condições de armazenamento.
Outro ponto levantado na discussão envolve a metodologia utilizada pelo laboratório responsável pelas análises. Segundo a farmacêutica, há divergências entre os métodos empregados pela empresa que realizou os testes e aqueles tradicionalmente utilizados por órgãos reguladores norte-americanos.
Além disso, o laboratório que divulgou os resultados também desenvolvia uma versão considerada mais estável do peróxido de benzoíla, o que levou parte do setor a questionar possíveis conflitos de interesse. Até o momento, não há conclusão definitiva sobre o caso, que segue sendo discutido nos Estados Unidos.


