Poucas horas após ser condenada a 28 anos de prisão pela morte da estudante, ciclista e modelo Luísa Silva Lopes Barros, a corretora de imóveis Adriana Felisberto Pereira foi detida e encaminhada para a Delegacia Regional de Vitória, na noite desta quinta-feira (6).
Adriana passou a noite na unidade policial e foi levada, por volta das 7h30, desta sexta-feira (7) ao Instituto Médico Legal (IML) para os procedimentos de praxe antes de ser transferida para um presídio.
Um vídeo gravado pelo repórter Fábio Gabriel, TV SIM SBT, mostra Adriana chegando ao IML para os exames de praxe. Algemada nos pés, ela caminha devagar e chega a sorrir em determinado momento.
A condenação foi definida pelo Tribunal do Júri após dois dias de julgamento no Fórum Criminal de Vitória. O Conselho de Sentença acolheu a tese apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), que sustentou que a ré assumiu o risco de provocar a morte da vítima ao dirigir sob efeito de álcool, caracterizando dolo eventual.
Julgamento durou dois dias
O julgamento começou na quarta-feira (5) e foi encerrado na tarde desta quinta-feira (6). Durante o júri, foram ouvidos policiais, testemunhas que presenciaram o atropelamento e peritos responsáveis pelas análises das imagens e das circunstâncias do acidente.
Em determinado momento da instrução, o juiz Carlos Henrique Rios do Amaral Filho, da 1ª Vara Criminal de Vitória, chegou a determinar que jurados, promotores, advogados e demais participantes fossem até a Avenida Dante Michelini, em Camburi, para observar o local do atropelamento. Posteriormente, o magistrado desistiu da medida.
Enquanto o Ministério Público defendeu a condenação por homicídio qualificado, a defesa sustentou que Adriana não assumiu o risco de matar a vítima e argumentou que o caso deveria ser tratado como um acidente de trânsito.
Ministério Público destacou “desprezo pela vida”
A acusação foi conduzida pelos promotores de Justiça Bruno Simões de Oliveira, Leonardo Augusto Cezar e Rodrigo Monteiro.
Segundo o MPES, além de dirigir após consumir bebidas alcoólicas, Adriana demonstrou desprezo pela vida humana ao fazer comentários considerados degradantes sobre a vítima logo após o atropelamento.
Em nota, o promotor Leonardo Augusto Cezar afirmou:
“Sempre que uma pessoa decide dirigir após consumir bebida alcoólica, ela assume um risco. Em muitos casos, esse risco não se concretiza. Neste, porém, ele se concretizou da forma mais grave possível: resultou em um crime e na perda de uma vida. O papel do Ministério Público vai além de buscar a condenação dos responsáveis. É atuar em defesa da vítima, preservando sua dignidade, sua memória e o direito de seus familiares à Justiça. Foi esse papel que cumprimos hoje.”
Relembre o caso
Luísa Silva Lopes Barros tinha 24 anos, era estudante de Oceanografia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), modelo e integrante da escola de samba Unidos de Jucutuquara.
Na noite de 15 de abril de 2022, ela pedalava pela Avenida Dante Michelini, na Praia de Camburi, em Vitória, quando foi atingida pelo carro dirigido por Adriana Felisberto Pereira.
A jovem chegou a ser socorrida por equipes do Samu, mas morreu no local.

De acordo com as investigações, o veículo era conduzido a cerca de 72 km/h em um trecho onde o limite de velocidade era de 60 km/h. A Polícia Civil também apontou sinais de embriaguez e informou que a motorista se recusou a fazer o teste do bafômetro.
Ainda segundo a investigação, Adriana havia consumido bebidas alcoólicas em estabelecimentos de Jardim Camburi e da Praia do Canto antes do acidente. Ela foi presa em flagrante na ocasião, mas acabou sendo liberada após o pagamento de fiança.
Em nota, o advogado Jamilson Monteiro, que representa Adriana, disse que a cliente foi “tratada como uma criminosa de alta periculosidade. Três viatura e dez policiais na porta da casa dela pra cumprir o mandato de prisão sendo que a defesa já havia informado que ela se aprontaria pra ser presa. Infelizmente o júri está repleto de nulidades e a defesa irá recorrer”.


