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Vila Velha terá eleição decisiva em junho. Futuro prefeito pode ser definido ali

Eleição do próximo presidente da Câmara será muito mais que apenas isso: tem a ver com a linha sucessória de Arnaldinho, nasce cercada de expectativa de poder e já pega fogo nos bastidores. Dois aliados do prefeito são pré-candidatos e já bateram de frente: Osvaldo Maturano e Joel Rangel

Escrito por Vitor Vogas

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Longe da atenção dos cidadãos em geral, Vila Velha terá daqui a três meses uma eleição importantíssima, que em tese pode até definir o futuro prefeito da cidade, a partir de abril de 2028 – para ser mais preciso, o sucessor do sucessor do prefeito Arnaldinho Borgo (PSDB). Estamos falando da eleição da próxima Mesa Diretora da Câmara de Vila Velha, marcada para a primeira sessão plenária de junho, de acordo com o Regimento Interno.

Nessa data, os 21 atuais vereadores elegerão o presidente que comandará a Câmara Municipal pelo biênio 2027-2028. Em circunstâncias normais, a escolha do próximo chefe do Poder Legislativo da cidade já seria importante por si mesma. Desta vez, porém, a eleição interna se reveste de importância bem maior. Os vereadores de Vila Velha não estarão apenas a escolher o próximo chefe do Legislativo Municipal. Também podem, indiretamente, definir quem vai governar a cidade daqui a dois anos. Explico.

No próximo dia 2 de abril, o prefeito Arnaldinho renunciará ao mandato, cumprindo uma exigência legal para se manter habilitado a disputar as eleições gerais de outubro. Ele quer ser candidato a governador. Com a renúncia iminente de Arnaldinho, o cargo de prefeito será assumido pelo primeiro na linha sucessória: o vice-prefeito de Vila Velha, Cael Linhalis (PSDB).

Uma vez empossado prefeito, Cael poderá conduzir a atual administração municipal até o fim, no comecinho de 2029. Ou não.

Como já explicamos aqui, Cael também poderá não completar o mandato de prefeito. Em benefício do filho, Victor Linhalis (PSDB), o sucessor imediato de Arnaldinho poderá se ver obrigado a também renunciar ao mandato daqui a dois anos, em abril de 2028.

Victor, o filho de Cael, é “o deputado federal do Arnaldinho” e hoje é tido como a principal aposta do prefeito para as eleições municipais de 2028. Arnaldinho e seu grupo político querem lançar a candidatura de Victor a prefeito de Vila Velha. O pai também quer ver o filho lá.

Entretanto, para que Victor possa ser candidato, Cael terá de renunciar ao mandato de prefeito até seis meses antes das eleições de outubro de 2028. Do contrário, nada feito. Pela legislação brasileira, um filho não pode concorrer ao cargo de prefeito se o próprio pai estiver exercendo o mesmo cargo. Assim, colocando em primeiro plano o projeto eleitoral do filho, Cael poderá renunciar até abril de 2028.

Se isso se concretizar, quem é que assumirá o cargo de prefeito de Vila Velha? Resposta: o presidente da Câmara Municipal. E quem será, então, o presidente da Câmara Municipal? Aí está o xis da questão: o “herdeiro do trono” será, justamente, o presidente que será eleito na eleição interna da Câmara, no próximo mês de junho.

Por esse motivo, a próxima eleição “interna” não será tão “interna” assim. Poderá ter desdobramentos externos, até na linha sucessória da prefeitura. A escolha do próximo chefe da Câmara nasce cercada de expectativa de poder.

E ainda há a cereja do bolo: após se tornar prefeito, esse futuro presidente da Câmara poderá, se assim quiser, postular a reeleição, ou seja, poderá até ser candidato a um segundo mandato seguido de prefeito, nas eleições municipais de 2028. Entraria no processo eleitoral tendo nas mãos a máquina da Prefeitura de Vila Velha.

Por isso, é fundamental para Arnaldinho e seu grupo assegurar que o próximo chefe da Câmara, a ser eleito agora em junho, seja um aliado de extrema confiança. Alguém à prova de sustos e traições e que eles tenham a plena certeza de que só vai completar o governo, de abril a dezembro de 2028, cumprindo um “mandato tampão”; alguém que não represente risco ao projeto prioritário de eleger Victor Linhalis.

Também por isso, os bastidores dessa disputa já estão fervendo, com intensas articulações, dois possíveis candidatos muito bem estabelecidos e uma divisão política no meio do plenário da Câmara.

Maturano versus Joel Rangel

De um lado, o atual presidente, Osvaldo Maturano (PRD), que confirma à coluna: é candidato à reeleição. Do outro, o vereador Joel Rangel (Podemos), hoje em lugar de destaque no secretariado de Arnaldinho. Ele confirma que “na hora certa, quer participar da discussão”.

Ambos são aliados do atual prefeito. Mas ouvimos muitos vereadores e interlocutores de Arnaldinho. E nossa apuração indica que, no momento – ao menos no momento –, a preferência do prefeito recai sobre Joel, que hoje pode ser considerado “o candidato de Arnaldinho”. Este, segundo fontes, já viria trabalhando discretamente nos bastidores em favor de Joel.

No mandato passado, Joel chegou a ser líder de Arnaldinho na Câmara por um período – assim como Maturano. Na última eleição da Mesa Diretora, em 1º de janeiro de 2025, Maturano chegou à presidência da Casa, como candidato único e com o apoio decisivo de Arnaldinho. Dos 21 votos possíveis, Maturano só não recebeu os de Rafael Primo (PT) e Pastor Fabiano (PL), ambos opositores do prefeito.

Arnaldinho apoiou Maturano na reta final do processo, em dezembro de 2024. Fez isso, principalmente, porque não queria o retorno de Ivan Carlini (Podemos) à presidência da Câmara – algo que esteve bem perto de ocorrer. No início daquele processo, Joel Rangel já era o preferido de Arnaldinho, mas não se viabilizou. Arnaldinho foi com Maturano como única opção viável para impedir o retorno de Ivan.

Logo após a posse, em janeiro de 2025, Joel se licenciou do mandato de vereador (seu sexto na Casa) para assumir, a convite de Arnaldinho, o cargo de secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e Mobilidade, onde esta até hoje. Desde então, “caiu nas graças” do prefeito, estreitando uma relação de confiança estabelecida ao longo do mandato passado.

Lado a lado no Sambão do Povo

Durante o Carnaval de Vitória, uma cena foi emblemática para confirmar essa proximidade. No dia 6 de fevereiro, durante a primeira noite do desfile das escolas de samba, Arnaldinho entrou no Sambão do Povo com o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos).

Durante o desfile da Mocidade Unida da Glória (MUG), a única escola de Vila Velha (que se sagraria campeã), os dois prefeitos ficaram lado a lado, à beira da avenida, vendo a escola passar. À direita de Arnaldinho, Pazolini; à esquerda dele, o tempo todo, ficou Joel Rangel, aplaudindo a evolução da escola.

Nos últimos dias, Arnaldinho tem se dedicado a uma maratona de atos oficiais (inaugurações, assinaturas de ordem de serviço etc.), por todos os cantos de Vila Velha, dando um “sprint final” antes de renunciar oficialmente ao mandato. Nessas solenidades, sempre se faz acompanhar de Joel e dá a palavra ao secretário.

Nos discursos de Joel, tem chamado a atenção o quanto ele é aplaudido pela claque do prefeito, em mais um forte indicativo de que, hoje, é o preferido de Arnaldinho para a eventual “sucessão da sucessão”.

Mal-estar”: o distanciamento de Maturano

Por sua vez, o atual presidente da Câmara de Vila Velha também pode ser considerado – e continua se considerando – um grande aliado de Arnaldinho.

Ao longo do ano passado, o prefeito peregrinou por Brasília, em várias agendas, em busca de um partido político para chamar de seu e viabilizar seu plano de concorrer ao Palácio Anchieta. Nessas viagens, quase sempre, esteve acompanhado de Maturano.

Como presidente da Câmara, Maturano também garantiu estabilidade e comodidade a Arnaldinho no Parlamento.

No entanto, nos últimos tempos, há sinais de que algo mudou no status do relacionamento político mantido entre os dois. Na já citada maratona de entregas derradeiras de Arnaldinho, Maturano já não tem sido visto em nenhum evento ao lado do prefeito. Não tem mais comparecido.

“Até então, o Maturano está num mal-estar com o Arnaldinho”, confirma, sob anonimato, um aliado do atual presidente da Câmara, o mesmo que também defende: “O Ivan Carlini ficou por 12 anos na presidência. Qual é o problema de o Maturano ser reeleito? Era justo o Maturano ter uma recondução e depois o prefeito apoiar outro nome”.

A eleição seguinte da Mesa será só no começo de 2029.

Como está a divisão hoje em plenário

Entre Joel e Maturano, a Casa hoje está dividida, com vantagem no momento para o primeiro. Segundo fontes, se a eleição da Mesa fosse hoje, numa disputa direta entre os dois pela preferência dos colegas, Joel seria eleito com a maioria dos votos.

Nos bastidores, estimativas dão conta de que Joel, hoje, teria o apoio de cerca de dois terços (2/3) dos 21 vereadores. Graças, é claro, à predileção de Arnaldinho.

Maturano, por sua vez, tem dois vereadores como principais apoiadores: Welber da Segurança (União) e o atual líder do prefeito, Devanir Ferreira (Republicanos), agora conhecido como Deva. Alex Receputi (PRD) é do partido do presidente e também bastante próximo a ele.

Maturano tem, ainda, a preferência dos vereadores de oposição declarada, Pastor Fabiano e Rafael Primo. Isso, principalmente, por ter cumprido o acordo de não cercear o espaço nem as prerrogativas dos críticos à gestão de Arnaldinho em plenário.

Em teoria, o atual presidente também pode atrair vereadores que têm se distanciado do prefeito, como Renzo Mendes (PP) e Patrícia Crizanto (hoje no PSB, mas com destino ao União Brasil). Leal a Renato Casagrande (PSB), a vereadora já não apoia a gestão de Arnaldinho – sobretudo após a mudança de lado do prefeito nas eleições gerais deste ano.

Maturano exonerou os comissionados de Joel

Nos bastidores, a tensão entre os dois polos dessa briga está latente no ar. E um ato do atual presidente, na semana passada, foi lido por muitos como uma declaração de guerra a Joel.

Maturano exonerou oito assessores que ocupavam cargos comissionados na Câmara e que haviam sido indicados por Joel. São cargos administrativos, diretamente ligados à Mesa e livremente nomeados pelo presidente.

Mesmo licenciado, o adversário de Maturano mantinha a sua “cota” na partilha desses cargos subordinados à Mesa. Mas agora, não mais. O presidente exonerou os oito, numa leva só. Ele mesmo o confirma.

Por que Joel caiu nas graças de Arnaldinho?

Na cidade de Vila Velha, Joel Rangel é visto, de modo geral, como um político idôneo e respeitado. Muito experiente, está em seu sexto mandato.

Ironicamente, nasceu e se criou na política como um grande aliado do ex-prefeito Max Filho, adversário visceral de Arnaldinho. Mas, desde seu mandato passado (2021-2024), o vereador aproximou-se bastante do atual prefeito, consolidando-se como um de seus aliados mais confiáveis.

Um “aliado extremamente confiável”, pelas razões expostas acima, é precisamente o que o prefeito de Vila Velha prioriza para a eventual sucessão de seu sucessor, Cael Linhalis.

Partilha dos cargos

Alguns vereadores relatam certa resistência e certa insatisfação em relação a Maturano por parte dos colegas. Isso devido ao alegado “não cumprimento de acordos” para sua eleição, em 2025 – leia-se espaços na Câmara.

Alguns entendem que os dois principais aliados do presidente, Welber da Segurança e Devanir Ferreira, foram mais contemplados que os demais no “rateio dos cargos comissionados”.

Fiquem atentos

Se as coisas não evoluírem favoravelmente à reeleição de Maturano, é possível que a atual Mesa Diretora, presidida por ele, apresente projeto de resolução visando transferir para o fim do ano a próxima eleição interna, marcada para junho.

No passado, a eleição de meio do mandato era no fim do segundo ano mesmo.

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