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Espírito Santo é o estado com menos mulheres prefeitas no Brasil

Das 78 cidades capixabas, só duas são comandadas por mulheres: São Domingos do Norte e Montanha. As duas cidades correspondem a 0,7% da população do Estado

Escrito por Vitor Vogas

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Da esquerda para a direita, prefeitas Iracy Baltar (Montanha) e Ana Malacarne (São Domingos do Norte)
Da esquerda para a direita, prefeitas Iracy Baltar (Montanha) e Ana Malacarne (São Domingos do Norte)

Muito mais que “comemorativo”, o mês internacional da mulher é um convite para a luta, a tomada de consciência e a adoção de medidas concretas para ampliar a presença feminina nos espaços de poder e tomada de decisão, o que inclui, é claro, os espaços do poder público. No Brasil, ainda estamos a anos-luz do que se poderia considerar um quadro de equidade de gênero na ocupação de cargos eletivos. Mas, quando reduzimos o recorte para o Espírito Santo, o caminho a percorrer é ainda mais longo.

Dizendo-o sem floreios nem rodeios, nosso estado é um verdadeiro vexame em matéria de representatividade feminina e igualdade de gênero na política. As médias de mulheres eleitas, já baixíssimas nacionalmente, conseguem ser ainda piores no Espírito Santo. Uma “boa” prova disso vem das últimas eleições municipais, realizadas em 2024.

Entre os 26 estados brasileiros (aqui não entra o Distrito Federal), o Espírito Santo foi, simplesmente, o que elegeu o menor percentual de mulheres para comandar prefeituras: só duas em 78 municípios, ou seja, 2,5% dos eleitos. Dizendo o mesmo de outro modo, o Estado tem uma prefeita para cada 40 cidades.

Isso significa que, desde janeiro de 2025, só dois municípios capixabas são governados por mulheres: São Domingos do Norte, onde a prefeita Ana Malacarne (MDB) foi reeleita, e Montanha, onde Iracy Baltar (Podemos) voltou à prefeitura.

São dois municípios rurais e bem pequenos, cuja população somada é de 28.851 habitantes (segundo a projeção do IBGE para 2025). Juntas, as duas cidades correspondem a 0,7% da população capixaba.

No período do registro de candidaturas, em agosto de 2024, o Espírito Santo já tinha pagado um mico de magnitude nacional: foi aquele com o menor percentual de candidaturas femininas ao cargo de prefeito/a: só 7%.

Num universo de quase 300 candidatos ao cargo nos 78 municípios capixabas, só houve 19 mulheres. O segundo pior colocado nesse quesito, o Rio Grande do Sul, ao menos chegou a dois dígitos: 10%. O Espírito Santo, nem isso.

Com um número proporcionalmente tão baixo de mulheres competindo, era muito provável que o número de mulheres eleitas fosse, igualmente, bem baixo, e não deu outra.

O levantamento completo, estado por estado, foi feito pelo site g1 após as eleições de 2024. Aqui reproduzimos o ranking, por ordem decrescente:

  • RR: 26,67%
  • RN: 25,61%
  • PB: 24,43%
  • AL: 23,53%
  • CE: 20,88%
  • PA: 20,00%
  • MA: 19,53%
  • TO: 18,25%
  • AM: 18,03%
  • PE: 15,64%
  • MS: 15,58%
  • RJ: 15,48%
  • SE: 15,28%
  • GO: 14,40%
  • BA: 14,25%
  • SC: 13,22%
  • PI: 12,95%
  • AP: 12,50%
  • SP: 10,98%
  • MT: 9,22%
  • PR: 9,11%
  • MG: 7,96%
  • RS: 7,93%
  • RO: 5,88%
  • AC: 4,55%
  • ES: 2,63%

Nas eleições municipais anteriores (2020)

Duas prefeitas foi exatamente a quantidade que o Espírito Santo teve no mandato anterior, de 2021 a 2024.

Nas eleições municipais de 2020, somente uma mulher foi eleita prefeita em todo o Estado: Ana Malacarne, em São Domingos do Norte. Além dela, Fernanda Milanese (Podemos) venceu a eleição suplementar realizada em 2021 em Boa Esperança, mas não foi reeleita em 2024.

Nas maiores cidades capixabas

Se considerarmos os quatro municípios mais populosos do Espírito Santo (Serra, Vila Velha, Vitória e Cariacica), nenhum deles jamais teve uma mulher como prefeita desde que o Brasil se tornou uma república, em 1889.

Podemos ampliar o recorte para os dez municípios mais populosos do Estado: aí, além dos quatro já citados, entram Cachoeiro de Itapemirim, Linhares, São Mateus, Colatina, Aracruz e Guarapari.

Apenas um deles, até hoje, foi governado por uma mulher. Em 1992, já na Nova República inaugurada com a redemocratização do país, os cidadãos de Guarapari elegeram Therezinha Maria Pretti Espíndula para ser prefeita da cidade.

Mais conhecida como Morena Espíndula, ela era casada com o ex-prefeito Graciano Espíndula Filho, que governou a mesma cidade de 1983 a 1988. Morena elegeu-se em 1992 após ter disputado e perdido a disputa pelo mesmo cargo em 1988, na tentativa de suceder diretamente o então marido.

No entanto, a experiência com uma mulher no comando durou muito pouco. Morena renunciou ao mandato com menos de um ano no cargo, em novembro de 1993.

A escrita está muito perto de mudar…

No começo de abril deste ano, duas mulheres podem se tornar prefeitas de grandes cidades da Grande Vitória.

O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), com certeza vai renunciar, pois quer se candidatar a governador do Espírito Santo. Para isso, precisa se desligar do cargo de prefeito até o dia 4 de abril, em obediência a um ditame da legislação eleitoral. A vice-prefeita de Vitória é a empresária Cris Samorini (PP).

Cris se tornará, assim, a primeira mulher a governar a capital do Espírito Santo, com mandato até o fim de 2028.

Já o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), também pode renunciar para poder ser candidato a senador. Se decidir mesmo concorrer, terá de fazê-lo até a mesma data. Euclério segue dizendo que sua candidatura está mantida, apesar de ter desacelerado e reduzido sensivelmente os movimentos pré-eleitorais desde o início deste ano.

Se ele realmente o fizer, a Prefeitura de Cariacica será assumida pela vice-prefeita Shymenne de Castro (PSB), que já se declarou pronta para a missão. Com isso, ela pode se tornar a primeira prefeita da história da cidade.

Faz-se necessária a ressalva de que tanto Cris como Shymenne podem chegar ao cargo de prefeita dos respectivos municípios por circunstâncias extraordinárias: a possível renúncia dos respectivos titulares. Ambas não serão prefeitas eleitas, por sufrágio universal, para exercerem o cargo. Foram eleitas vice-prefeitas em 2024.

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