A última conversa entre Renato Machado e Leilane Neubarth terminou com um encontro marcado que nunca aconteceu. Uma semana antes de morrer, o jornalista enviou uma mensagem à ex-colega de bancada, emocionado com a decisão dela de deixar a GloboNews, e fez um pedido para que os dois se reencontrassem. Renato morreu aos 83 anos nesta quinta-feira (16), antes que o almoço combinado pudesse acontecer.
Durante participação na GloboNews, Leilane falou sobre a morte do jornalista e relembrou a última troca de mensagens entre os dois. “Antes de mais nada, eu quero falar da minha surpresa, da minha angústia de estar aqui nesse momento falando do Renato dessa maneira. Eu adoraria falar do Renato de todas as maneiras, menos nesse momento”, afirmou.
Na sequência, a apresentadora contou que recebeu uma mensagem de Renato logo após anunciar sua despedida do jornalismo ao vivo. “Todo mundo lembra, semana passada eu me despedi de vocês, me despedi do Conexão, do jornalismo ao vivo, e ele me mandou uma mensagem linda dizendo: ‘parceira'. Ele sempre me chamou de parceira. Aí ele dizia: ‘parceira, tô muito emocionado com a sua decisão, vamos nos encontrar'. E a gente marcou. Ele tinha estado internado, e a gente marcou de se encontrar assim que ele melhorasse.”
Mais de sete anos de convivência
Leilane também relembrou a parceria profissional construída ao lado de Renato Machado no Bom Dia Brasil. Segundo ela, os dois dividiram a bancada durante mais de sete anos em um projeto que considerava inovador para a época.
“Eu convivi com o Renato Machado diariamente por mais de sete anos. Mas, antes disso, a gente já se conhecia, a gente já era amigo. A gente ficou sete anos convivendo todos os dias no ‘Bom Dia Brasil'. Tem mais de trinta anos isso, gente, era um jornal muito ousado para a época. E a gente ficou muito feliz de fazer esse projeto.”
Ela também descreveu a personalidade do colega. “Eu brincava que ele era o sangue azul, e eu era o povo. Porque o Renato sempre foi um lorde. Renato é um príncipe.”
Emocionada, a jornalista afirmou que levou aprendizados da convivência com Renato para a vida pessoal e profissional. “Aprendi de jornalismo, aprendi de vinho, aprendi de música clássica… aprendi da vida. Renato é um mestre. Tanta coisa para lembrar, sabe? Tanta coisa boa. E agora é curioso, porque eu tô aqui na minha casa da Serra e, uma vez, o Renato veio para minha casa no Réveillon. Ele falou coisas lindas dessa casa, gostava muito desse pedacinho que eu tenho no meio da Serra. Eu tô angustiada e surpresa com tudo isso.”
Homenagem nas redes sociais
Após a notícia da morte, Leilane também prestou uma homenagem nas redes sociais e lamentou que o reencontro marcado entre os dois não tenha acontecido.
“Meu querido parceiro, você partiu antes que pudéssemos nos encontrar naquele almoço que tínhamos combinado. Mas tenho forte na memória todos os nossos almoços e todos os dias que convivemos. Especialmente nossa grande aventura no ‘Bom Dia Brasil'. Implantar um jornal tão novo e tão ousado só seria mesmo possível com uma pessoa como você! Sua cultura, sua elegância e tudo que você me ensinou estarão para sempre comigo. Obrigada por tudo!”, escreveu.
Trajetória
Renato Machado morreu aos 83 anos na Clínica São Vicente, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro. A causa da morte não foi informada. Em nota, o hospital declarou: “A Clínica São Vicente lamenta o falecimento do jornalista Renato Machado na manhã desta quinta-feira e expressa suas condolências à família”.
Nascido no Rio de Janeiro em 21 de março de 1943, Renato formou-se em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Antes de consolidar a carreira no jornalismo, foi ator, dublador e integrou o Teatro Oficina, em São Paulo.
Em 1967, foi aprovado em um concurso da BBC e trabalhou em Londres. Dois anos depois, voltou ao Brasil para atuar no Jornal do Brasil, onde permaneceu por 14 anos, chegando ao cargo de editor de Internacional.
Na TV Globo, ingressou em 1982 como repórter. Cobriu a Guerra das Malvinas e, no ano seguinte, tornou-se correspondente em Londres, posto que ocupou por seis anos. Também passou pela TV Manchete como editor-chefe e apresentador do Noite e Dia antes de retornar à Globo em 1991.
Como repórter especial, participou da cobertura do impeachment do presidente Fernando Collor, em 1992, e da morte do piloto Ayrton Senna, em 1994. Em 1996, assumiu a bancada e a editoria-chefe do Bom Dia Brasil, onde permaneceu por 15 anos e participou da reformulação do telejornal.
Depois, voltou a atuar como correspondente em Londres, manteve a coluna Crônicas de Renato Machado no Jornal da Globo e, a partir de 2016, trabalhou como repórter especial do Globo Repórter. Também escreveu sobre vinhos para jornais e revistas e colaborou com a rádio CBN. Deixou a TV Globo em novembro de 2021.


