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Ano eleitoral: volatilidade que gera oportunidade
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Valor em Foco é um espaço de conteúdo produzido pelos especialistas da Valor Investimentos, escritório da XP com mais de 20 anos de mercado e 40 mil clientes em todo o Brasil. Os artigos abordam o mercado financeiro, com foco na educação e na orientação dos leitores para a tomada de decisões no mundo dos investimentos, sempre com base nos acontecimentos e nas oportunidades do cenário econômico global.
Ano eleitoral também é um teste de disciplina. Foto: Divulgação TRE

Ano eleitoral não é momento para inventar moda, é momento para ter método. Historicamente, períodos de eleição trazem mais volatilidade para os mercados, e isso não é por acaso. A incerteza sobre quem vai governar, quais políticas econômicas serão adotadas e como será a condução fiscal do país faz com que o investidor reaja mais rápido e, muitas vezes, de forma exagerada.

E aqui entra o primeiro ponto: volatilidade não é risco, é condição do jogo. Em ano eleitoral, você verá o mercado subir forte num dia e cair no outro com a mesma intensidade, muitas vezes sem mudança concreta de fundamento, apenas por narrativa. Quem não está preparado emocionalmente acaba vendendo na baixa e comprando na alta, exatamente o contrário do que deveria fazer.

Por isso, o segundo ponto é essencial: diversificação. Não dá para estar concentrado em um único cenário. Uma carteira bem montada precisa ter exposição a diferentes classes de ativos, como renda fixa, renda variável, ativos atrelados à inflação e, se possível, até uma parcela internacional. Isso não é ser conservador, é ser inteligente. Em cenários de incerteza, você não precisa acertar o que irá acontecer, você precisa estar preparado para diferentes desfechos.

Outro ponto que pouca gente valoriza, mas que faz toda a diferença, é o caixa. Ter liquidez em momentos de eleição não é ficar parado, é ter poder de decisão. O caixa permite aproveitar distorções de mercado, entrar em boas oportunidades quando ativos de qualidade ficam descontados e, principalmente, evita que você seja obrigado a vender posição em momento ruim.

Ano eleitoral também é um teste de disciplina. O investidor que tem estratégia clara, alocação bem definida e acompanhamento profissional tende a atravessar esse período com mais tranquilidade e, muitas vezes, com melhores resultados. Já quem tenta adivinhar eleição ou girar a carteira a cada nova pesquisa normalmente paga caro por isso.

No fim do dia, investir em ano eleitoral não é sobre prever o futuro, é sobre gestão de risco. É entender que o ruído vai aumentar, mas que oportunidades também aparecem. E quem está bem posicionado, com carteira equilibrada e caixa disponível não só protege o patrimônio, como de fato tem um portfólio antifrágil (cresce em meio ao caos). Crises e volatilidade geram oportunidades e oportunidades geram assimetria de retorno. Tenha um bom assessor de investimentos ao seu lado para tomar as melhores decisões nos momentos difíceis.


Sobre o autor

*Ian Lopes é economista e sócio da Valor Investimentos

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