Inovação
Como aproveitar a nova política industrial no ES
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Evandro Milet

Evandro Milet é consultor, palestrante e articulista sobre tendências e estratégias para negócios inovadores. Possui Mestrado em Informática(PUC/RJ) e MBA em Administração(FGV/RJ). É Conselheiro de Administração pelo IBGC, Membro da Academia Brasileira da Qualidade-ABQ, Membro do Conselho de Curadores do Ibef/ES e membro do Conselho de Política Industrial e Inovação da Findes. Foi Presidente da Dataprev, Diretor da Finep e do Sebrae/ES, Conselheiro do Serpro e Banestes. Tem extensa atuação como empresário, executivo e consultor em inovação, estratégia, gestão e qualidade, além de investidor e mentor de startups, principalmente deeptechs. Tem participação em programas de rádio e TV sobre inovação. É atualmente Presidente do Cdmec-Centro Capixaba de Desenvolvimento Metal-Mecânico.
O ES carece de produtores seriados de bens de capital, está na hora de atrair esse tipo de empresas. Foto: Reprodução
O ES carece de produtores seriados de bens de capital, está na hora de atrair esse tipo de empresas. Foto: Reprodução

O Governo Federal lançou recentemente a nova política industrial com o nome de NIB – Nova Indústria Brasil, apoiada fortemente pelas entidades da indústria. Sinaliza um grande volume de recursos na forma de instrumentos financeiros, ações para a melhoria do ambiente de negócios e aproveitamento do poder de compra do estado, visando a reversão do processo de desindustrialização em curso no país.

O Espírito Santo começa a formatar o ES500, plano estratégico para o horizonte de 2035, quando se completam 500 anos da colonização do estado. Salta aos olhos imediatamente a ideia de “follow the money”, isto é, se existem recursos devemos fazer o máximo para nos colocarmos na trilha de utilização dos mesmos.

Mergulhando na NIB, organizada em seis missões, logo na primeira aparece a grande vocação brasileira para o agronegócio e a meta de suprimento de pelo menos 95% do mercado das agroindústrias e mecanização da agricultura familiar por máquinas e equipamentos de produção nacional. Uma empresa como a Agrale, em São Mateus produzindo chassis para ônibus da Marco Polo, mas com fábrica de tratores em Caxias do Sul, poderia ser abordada para trazer uma unidade de fabricação para a área de Sudene aqui. Várias agroindústrias no estado, na forma de cooperativas ou isoladas, têm potencial para gerar demanda por equipamentos industriais, como o projeto que recentemente o Cdmec aprovou junto ao MCI – Movimento Capixaba pela inovação.
Identificar empresas do setor de saúde que pudessem ser atraídas para o estado ajudaria a colocar o ES na trilha dos recursos da segunda missão, voltada para a industrialização desse setor estratégico, carência percebida assustadoramente durante a pandemia.

A missão três pretende aproveitar os previstos investimentos em infraestrutura (saneamento, moradia e mobilidade) para deslanchar a indústria de máquinas e equipamentos que atendam a esse setor. O ES carece de produtores seriados de bens de capital, está na hora de atrair esse tipo de empresas. Caberia um levantamento das demandas das grandes empresas locais que justificasse a atração organizada e das novas demandas das PPPs de saneamento.

A missão quatro trata da transformação digital da indústria. Um espaço para ampliar o movimento iniciado com a MCI, o Fundo soberano, o Funcitec e o crescimento de atuação tecnológica da Findes. Há intenção dirigida na NBI, por exemplo, para instituir uma política de incentivo à implantação e expansão em território nacional de Datacenters seguros e sustentáveis que promova a atração de investimentos. Por que não aqui?

A missão cinco trata de bioeconomia, descarbonização e transição energética, que abre espaço para cosméticos com uma Adcos e para as demandas industriais das grandes plantas que assumiram a descarbonização e a transição energética. Perfil, Brametal e Fortlev estão já na raia da indústria para energia solar. Atrair uma expansão da multinacional brasileira Weg, que não para de crescer, e que já tem um ativo de fabricação em Linhares, pode ser um diferencial no desenvolvimento do estado.

A missão seis trata da indústria de defesa. Talvez a mais distante das nossas vocações.

De qualquer modo, os incentivos da Sudene, a plataforma logística com portos e ZPE e as grandes plantas industriais têm potencial para servir de incentivo para atração das indústrias contempladas nas seis missões.

O ES500 pode ser o instrumento para aprofundar essas possibilidades e muitas outras trazidas pela NIB, que não tem a abrangência de um plano de desenvolvimento geral, mas atende a recuperação do setor industrial.

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