O IBEF Academy é o programa de auto formação do IBEF-ES, com foco em gestão, economia, finanças e filosofia. Seu objetivo é contribuir para a evolução do ambiente de negócios no Espírito Santo, qualificando profissionais e fortalecendo o ecossistema econômico e financeiro do estado.
20 de agosto de 2020
Por Ricardo Coelho
Eu tenho minha empresa de consultoria, e minha esposa é empresária também. Ela tem um estúdio de maquiagens e penteados e está absurdamente temerosa com o futuro do seu negócio. Não é para menos: a perspectiva do retorno dos grandes eventos e festas é totalmente inexistente. E agora, o que fazer?
Estamos há 150 dias vivendo em isolamento social, e o mundo ficou completamente doido: fazemos festas assistindo a lives de artistas praticamente todos os dias, comemos como se não houvesse amanhã, fazemos exercícios físicos até ficarmos exauridos, estamos em disputa e cobrança pela produtividade insustentável e, para piorar, não temos a menor ideia de quando isso vai parar. A única certeza que temos é que, às 20 horas, o Instagram e o YouTube disponibilizarão ainda mais lives, com pessoas ou tentando adivinhar o futuro, ou dando soluções para os problemas atuais ou somente querendo se divertir.
Hoje, fiz uma pesquisa numa rede social, e praticamente ninguém tinha ideia do que vai acontecer em um futuro próximo, nem em relação à vida social e muito menos em relação ao trabalho ou à carreira. O mais espantoso é que essa informação não surpreende ninguém. Nenhuma pessoa está salva do sentimento de incerteza, afinal estamos vivendo um evento nunca ocorrido, com impacto também desconhecido.
Nós falamos do futuro como algo incerto, como se ele fosse facilmente previsível. Dizemos que temos instabilidade nos nossos negócios e carreiras como se a estabilidade fosse algo real, lidamos com o tempo como se ele fosse linear, sempre imaginando o futuro como um ponto projetado e uma via de mão única que nos leva a ele. O alemão W. G. Sebald confirma essa ideia em sua obra literária quando escreveu que o tempo não avança (o futuro) de forma constante, mas se move em redemoinhos, é marcado por estagnações e irrupções, evolui sabe-se lá em que direção.
O nosso defeito é que vivíamos em uma inocência tal que o nosso comportamento social e de consumo compara-se ao de um adolescente que sai de casa para uma viagem com um grupo da escola pela primeira vez: tudo está lindo, tudo está ótimo, quero comprar tudo. A pandemia mostrou que o nosso comportamento estava errado e que precisávamos de um choque de realidade para amadurecermos.
Sentimo-nos míopes quando olhamos para o futuro porque não somos acostumados a olhar para ele. Nós sonhávamos, mas não planejávamos, agíamos e administrávamos as consequências porque não é habitual planejar antes de agir. Se pararmos friamente para pensar, o futuro está aí como sempre esteve, o que mudou foi que passamos, realmente, a nos preocupar com ele.
Precisamos mudar nossa postura, e precisamos mudar agora. Se todos temos que mudar, o que faremos com tudo o que sabemos e com os nossos hábitos? Sinceramente, eu não sei. O pouco que sei é que o tempo continua correndo na mesma velocidade, não temos um segundo se quer a perder, e que o mundo está ainda mais complexo. O que preciso aprender é como lidar com as mudanças como nos adaptar ainda mais rápido a elas. Se a minha resposta às mudanças for lenta o futuro ficará ainda mais incerto.
Sobre o autor
Ricardo Coelho. Foto: Divulgação
Ricardo Coelho é Engenheiro de Produção e Mestre em Administração de Empresas. Atualmente é Consultor de Empresas, Conselheiro do CREA/ES e membro do IBEF Academy.