Estruturas nos quilômetros 284,7 e 287,7 do Contorno de Vitória vão eliminar retornos em nível, com investimento de R$ 30,6 milhões e previsão de entrega até agosto de 2027; intervenção se soma ao tracionamento econômico da cidade e desse eixo logístico
Cariacica vai ganhar dois novos viadutos na BR 101, no trecho da rodovia que funciona como Contorno de Vitória. As estruturas, cada uma orçada em R$ 15.297.441,15, serão erguidas nos quilômetros 284,7 e 287,7, pontos onde hoje o tráfego convive com retornos em nível que aumentam o risco de acidentes e estrangulam o fluxo num dos corredores mais carregados da região.
O investimento total se aproxima de R$ 30,6 milhões, e a previsão é que as máquinas entrem em setembro deste ano, com entrega programada para agosto de 2027.
A obra, confirmada pela Ecovias Capixaba, responsável pelo investimento no projeto e pela concessão da rodovia no trecho, mira diretamente a segurança viária e a fluidez do trânsito. Nos dois pontos escolhidos, motoristas que precisam fazer o retorno são obrigados a cruzar as pistas, manobra que multiplica as chances de colisões e, nos horários de pico, alonga as filas.
No km 287,7, o local é um dos principais acessos aos bairros de Nova Rosa da Penha e entorno, como Vila Progresso e também Porto Belo. Já no km 284,7, a grande circulação e benefício direto para o viaduto será para empresas de logística e armazenamento de veículos nas proximidades da Volvo e Sertrading.
Com os viadutos, os cruzamentos em nível serão eliminados, e também os retornos passarão a ser feitos em desnível, sem interferência no fluxo contrário. A expectativa é de ganho operacional imediato para quem usa a rodovia diariamente, seja no transporte de cargas ou nos deslocamentos urbanos da Grande Vitória.
O pano de fundo? Econômico.
A intervenção na Rodovia do Contorno não pode ser lida apenas como melhoria do trânsito. Ela se encaixa num momento em que Cariacica vem acumulando marcas que a colocam como um dos polos econômicos mais aquecidos do Espírito Santo. No primeiro semestre de 2026, o município importou nada menos que R$ 29,61 bilhões, valor que o deixou na quinta posição do ranking nacional, atrás apenas de gigantes como Itajaí, Manaus, São Paulo e Rio de Janeiro. Os dados são do sistema Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e do Sindiex.
Em outra vertente – geográfica e também econômica – ainda estão em andamento também as obras públicas da Avenida Mário Gurgel no antigo Trevo de Alto Laje, que também era trecho federal da BR 262, que ajudam a alavancar Cariacica. E sem entrar em detalhamentos agora, ainda virão a nova faixa da Segunda Ponte para Vitória; o corredor de ônibus Expresso GV ligando a cidade com Vila Velha; a revitalização da Rodovia José Sette, entre Itacibá e a Sede; a ligação da BR 447 com a Rodovia Leste Oeste; e ainda o binário de acesso da Mário Gurgel com o Terminal de Campo Grande.
A localização geográfica, naturalmente, joga a favor. Cariacica está colada nos principais terminais portuários capixabas, tem acesso direto às BRs 101 e 262, e dispõe de áreas de expansão que não existem mais em municípios vizinhos.
Somando essas intervenções acima, se desenha é um ambiente logístico cada vez mais competitivo. A importação de veículos, por exemplo, é um dos motores que mais cresce: centros de distribuição, armazéns e filiais de importadoras têm se instalado na cidade, estimulados também por incentivos fiscais como o Invest-ES.
Passagem para o tráfego e para a competitividade
O impacto desse movimento aparece com nitidez no Produto Interno Bruto. Cariacica registrou crescimento de 34% e alcançou R$ 19,7 bilhões, entrando pela primeira vez no grupo das 100 maiores economias do Brasil. Com isso, a cidade passou a responder por 9,4% do PIB capixaba e, ao lado de Vila Velha, divide a posição de terceira maior economia do estado.
A diferença para o Rio de Janeiro no ranking de importações, por sinal, foi de apenas US$ 25,4 milhões no semestre — menos de 0,5%. A cidade capixaba importou, em média, US$ 965,2 milhões por mês, cerca de R$ 4,93 bilhões. Os dados foram divulgados pela própria cidade.
Quando se olha para a BR 101 e para os futuros viadutos, portanto, o que está em jogo não é apenas o desafogo do tráfego local. É a manutenção da competitividade de um município que, nos últimos anos, descobriu na combinação entre infraestrutura, localização e gestão fiscal uma receita que o estado inteiro começa a enxergar como exemplo.
Os viadutos chegam para resolver um problema concreto de segurança, mas, no fundo, também são peça de uma engrenagem que precisa girar cada vez mais rápido — e sem trancos — para sustentar o ritmo de crescimento que Cariacica impôs a si mesma.






