Carreira em Construção
Você não precisa mudar de carreira, precisa mudar de problema
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Rô Santiago

Rô Santiago assina a coluna Carreira em Construção, um espaço dedicado a discutir a trajetória profissional como um processo contínuo, feito de escolhas, ajustes e mudanças ao longo do tempo. A partir de dúvidas reais que atravessam a vida de quem trabalha, como trocar de área, buscar reconhecimento, mudar de rumo ou encontrar propósito, a coluna propõe reflexões práticas para quem não quer deixar a carreira no piloto automático. Publicada às quartas-feiras, cada edição parte de uma inquietação comum para transformar inseguranças em caminhos possíveis. Comunicador, relações públicas, mentor e professor de orientação para carreira, Rô é criador da metodologia Engenharia de Si e autor do livro de mesmo nome, além de atuar há mais de uma década no desenvolvimento de marca pessoal e em estratégias de carreira voltadas a profissionais e lideranças que buscam direção, presença e propósito.

Deixa eu te explicar o que está acontecendo com a sua carreira.

Muita gente começa a sentir um incômodo depois de um tempo, os sintomas não são falta de capacidade e nem falta de resultado. E, muitas vezes, nem é falta de reconhecimento. É uma sensação mais difícil de nomear, como se aquilo que antes fazia sentido… parasse de fazer. E aí vem o impulso mais comum: “Será que eu preciso mudar de carreira?”

Mas, na maioria dos casos, o problema não é a carreira, mas o tipo de problema que você continua resolvendo dentro dela. Porque chega uma fase em que você já domina o que faz, já sabe executar, já conhece os caminhos e já entrega com segurança. Só que, ao mesmo tempo, nada mais te desafia de verdade e isso vai criando uma sensação de estagnação, mesmo com movimento.

Você continua trabalhando, continua sendo demandado, continua performando, mas não está crescendo. Porque está resolvendo o mesmo tipo de problema, só que com mais eficiência. E eficiência não é evolução, mas uma espécie de repetição qualificada. Afinal, o que faz uma carreira avançar não é trocar de área o tempo inteiro, mas sim aumentar o nível do problema que você resolve: sair do operacional para o estratégico, do previsível para o incerto e do que já está dado para o que ainda precisa ser construído. Mas calma, não estou te incentivando apenas a mudar o problema, quero ver você mudar a forma como você enxerga o problema.

Tem um momento em que você deixa de olhar para o que está visível, a execução, o resultado imediato, o sintoma, e começa a olhar para o que está por trás. Para o porquê, para o padrão, para o que se repete. E é aí que o problema muda de escala, porque você para de resolver partes e começa a redesenhar o todo. É como sair do microscópio e ir para o macro, onde você já dominou o detalhe e agora, precisa entender o sistema.

E isso muda completamente o tipo de desafio. Porque o problema que você antes resolvia com facilidade, deixa de ser técnico e passa a ser de comportamento, de direção ou de leitura de cenário. E às vezes, o que parece ser estagnação não é falta de oportunidade, mas falta de expansão do olhar. Você continua resolvendo bem, mas continua olhando pequeno. E, quando isso acontece, a sensação é de limite, mas o limite não está na sua capacidade. Está no tamanho do problema que você escolheu continuar resolvendo.

E isso não muda sozinho, porque o mercado tende a te manter onde você funciona bem. Se você resolver bem um tipo de problema, é exatamente isso que vão continuar te pedindo. E, se você não prestar atenção, entra num ciclo confortável: onde você faz bem, te pedem mais do mesmo, você melhora e te pedem mais ainda. E, quando percebe, está preso na própria competência, porque nunca parou para questionar se ainda quer continuar resolvendo aquilo. No fim, a sua carreira não é sobre o que você faz, é sobre o nível e o tamanho dos  problemas que você se dispõe a enxergar e resolver.

Pílula Dourada

Você não evolui quando muda de carreira, você evolui quando aumenta o tamanho do problema que escolhe resolver.

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