A pimenta-do-reino está entre as culturas que mais se destacam no Norte do Espírito Santo. E, para continuar produzindo bem, o produtor precisa lidar com desafios que vão desde o controle de pragas e doenças até a manutenção da lavoura por mais tempo.
Um desses assuntos esteve entre os temas da programação da Lidera AgroTech, em Linhares. O engenheiro agrônomo Erasmo Fernandes foi um dos palestrantes da noite e, antes da apresentação, aproveitei para conversar com ele sobre os principais desafios de quem trabalha com a cultura.
Segundo Erasmo, um dos problemas está justamente na vida útil das plantações. Pragas e doenças, como os nematoides, podem provocar a morte das plantas e diminuir o tempo de produção da lavoura.
“Um dos principais desafios da pimenta-do-reino é a longevidade do plantio. A gente tem muito problema de mortalidade justamente por causa de pragas e doenças, como nematoides.”
A conversa também passou pelas alternativas para enfrentar esses problemas. Entre elas estão o uso de bioinsumos e extratos vegetais, buscando outras formas de controlar as pragas e doenças.
Uma cultura que ganhou o mundo
A preocupação com a saúde das lavouras também está ligada ao tamanho que a pimenta-do-reino alcançou no mercado internacional.
Em 2025, o Espírito Santo exportou US$ 347,2 milhões em pimenta-do-reino, o maior valor já registrado para o produto no Estado. A especiaria ficou em terceiro lugar entre os produtos do agronegócio capixaba que mais trouxeram receita com as exportações naquele ano. O Espírito Santo respondeu por 69% das exportações brasileiras de pimenta-do-reino.
A produção também está espalhada pelo interior capixaba. Dados da Secretaria de Estado da Agricultura apontam mais de 11 mil estabelecimentos rurais produtores de pimenta-do-reino em 44 municípios, com destaque para o Norte do Estado.
Esse mercado internacional aumenta a atenção sobre a forma como a pimenta é produzida. Durante a nossa conversa, Erasmo explicou por que os produtores também estão procurando alternativas para o controle de pragas e doenças.
“Por isso esse controle alternativo, por isso a gente busca esse controle com bioinsumos.”
Diversificação dentro da propriedade
Outro assunto que apareceu na conversa foi a diversificação das culturas.
Segundo Erasmo, é comum encontrar produtores que trabalham com café e pimenta-do-reino na mesma propriedade, aproveitando diferentes características das áreas de cultivo.
A ideia é não depender de uma única cultura para manter a renda da propriedade. No Espírito Santo, a pimenta-do-reino ganhou espaço justamente em uma região marcada pela diversidade da produção agrícola.
Conhecimento que volta para a lavoura

A palestra reuniu produtores em busca de informações que pudessem ser levadas de volta para as propriedades.
Para Erasmo, pesquisa, testes e troca de conhecimento fazem parte desse processo. Mesmo com anos de estudo, sempre há algo novo para aprender quando o assunto é o cultivo da pimenta-do-reino.
“A gente tem muito estudo e muito teste do que funciona e do que não funciona. E todo dia aprende ainda com uma coisa nova.”
No fim, a conversa mostra que a pimenta-do-reino que sai das propriedades do Norte capixaba e chega a diferentes países também traz um desafio para quem produz: encontrar formas de manter a lavoura saudável e produtiva para continuar atendendo esse mercado.
Lidera AgroTech
A 7ª edição da Lidera AgroTech segue neste sábado (8), no Parque de Exposições de Linhares, com palestras, exposição de tecnologias e atividades voltadas ao agronegócio.
SERVIÇO
Lidera AgroTech – 7ª edição
📍 Parque de Exposições de Linhares
📅 Sábado, 8 de agosto
⏰ Das 9h às 16h
🎟️ Entrada gratuita





