O julgamento da corretora Adriana Felisberto Pereira, acusada pela morte da ciclista e modelo Luísa Silva Lopes Barros, foi concluído na tarde desta quinta-feira (7), no Fórum Criminal de Vitória. Após dias de sessão, o Tribunal do Júri condenou a ré a 26 anos de reclusão e dois anos de detenção. O Ministério Público havia sustentado a acusação de homicídio qualificado, enquanto a defesa buscava afastar a qualificadora, argumentando que o caso se tratou de um acidente.
O julgamento começou na quarta-feira (5) e reuniu jurados, representantes do Ministério Público, advogados de defesa e testemunhas. Pela complexidade do caso, a previsão inicial era de que a sessão pudesse se estender até esta sexta-feira.
Durante os trabalhos, foram ouvidos policiais, testemunhas que presenciaram o atropelamento e peritos responsáveis pelas análises das imagens e das circunstâncias do acidente.
Como parte da instrução do processo, o juiz Carlos Henrique Rios do Amaral Filho, da 1ª Vara Criminal de Vitória, determinou ainda que jurados, defesa, acusação e promotores fossem até a Avenida Dante Michelini, em Camburi, para acompanhar de perto o local onde ocorreu o atropelamento, no entanto, o magistrado recuou do pedido.
O Ministério Público defendeu que o caso deveria ser analisado como homicídio qualificado e destacou a importância da responsabilização no trânsito. Já a defesa sustentou que Adriana não assumiu o risco de causar a morte da vítima e tentou afastar a acusação de homicídio qualificado.
O Ministério Público, representado pelos Promotores de Justiça Bruno Simões de Oliveira, Leonardo Augusto Cezar e Rodrigo Monteiro, atuou pela condenação, ressaltando que a ré assumiu o risco de causar a morte (dolo eventual) e demonstrou desprezo pela vida humana ao proferir comentários degradantes sobre a vítima logo após o atropelamento.
“Sempre que uma pessoa decide dirigir após consumir bebida alcoólica, ela assume um risco. Em muitos casos, esse risco não se concretiza. Neste, porém, ele se concretizou da forma mais grave possível: resultou em um crime e na perda de uma vida. O papel do Ministério Público vai além de buscar a condenação dos responsáveis. É atuar em defesa da vítima, preservando sua dignidade, sua memória e o direito de seus familiares à Justiça. Foi esse papel que cumprimos hoje”, destacou o Promotor de Justiça Leonardo Cezar.
Relembre o caso
Luísa Silva Lopes Barros, de 24 anos, era estudante de Oceanografia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), modelo e integrante da escola de samba Unidos de Jucutuquara.
Na noite de 15 de abril de 2022, ela pedalava pela Avenida Dante Michelini, em Vitória, quando foi atingida pelo carro conduzido por Adriana Felisberto Pereira. A jovem chegou a ser socorrida por equipes do Samu, mas morreu no local.
Segundo as investigações, o veículo conduzido pela corretora trafegava a aproximadamente 72 km/h em um trecho com limite de 60 km/h. A polícia também apontou sinais de embriaguez e informou que Adriana se recusou a realizar o teste do bafômetro.
Ainda conforme a investigação, antes do acidente, a motorista teria consumido bebidas alcoólicas em estabelecimentos de Jardim Camburi e da Praia do Canto. Ela foi presa em flagrante na ocasião, mas acabou liberada após pagamento de fiança.


