Tíquete cobre só 10 dias de alimentação do trabalhador do ES

Para conseguir manter a alimentação no mês, muitos trabalhadores precisaram complementar os gastos

Josue de Oliveira

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Pesquisa mostra que o tíquete cobre apenas 10 dias da alimentação do trabalhador. Foto: Divulgação

Um levantamento da Pluxee, empresa global especializada em benefícios corporativos, revela que o vale-refeição foi suficiente para custear, em média, apenas 10 dias úteis de alimentação por mês para trabalhadores do Espírito Santo no primeiro semestre de 2026. O dado evidencia a perda do poder de compra do benefício diante da alta dos preços.

Para conseguir manter a alimentação ao longo do mês, muitos trabalhadores precisaram complementar os gastos com recursos próprios. O estudo mostra que o desembolso médio do bolso do consumidor aumentou: passou de 88,7% no primeiro semestre de 2025 para 91,7% em 2026, um avanço de três pontos percentuais.

O gasto médio por refeição também ficou mais alto, chegando a R$ 48,89. O levantamento ainda aponta diferenças entre os hábitos de consumo. Nas compras realizadas pela internet, o tíquete médio foi de R$ 63,45, enquanto nas transações presenciais o valor ficou em R$ 47,92. Segundo a Pluxee, a diferença mostra que os trabalhadores têm buscado alternativas para aproveitar melhor o benefício de acordo com suas necessidades e orçamento.

“Mais do que um apoio financeiro, o vale-refeição representa uma demonstração concreta de cuidado e valorização por parte das empresas. Em um cenário de pressão sobre o poder de compra, acompanhar a efetividade do benefício é fundamental para garantir que ele continue cumprindo seu papel de apoiar a alimentação e o bem-estar dos colaboradores”, afirma Antônio Alberto Aguiar (Tombé), diretor executivo de Estabelecimentos da Pluxee.

Cenário nacional é ainda mais preocupante

Em todo o Brasil, a situação é ainda mais desafiadora. Segundo o levantamento, o vale-refeição passou a cobrir, em média, apenas nove dias úteis por mês em 2026, uma redução de 4,4% em relação aos dez dias registrados no mesmo período do ano passado.

O estudo mostra ainda que o benefício já não é suficiente para cobrir os gastos mensais com alimentação fora de casa. A necessidade média de complementação passou de 93,2% em 2025 para mais de 100% em 2026, indicando que os trabalhadores precisam recorrer ao próprio orçamento para fechar as contas.

De acordo com Tombé, o principal fator para essa perda de efetividade é o descompasso entre a inflação e o reajuste do benefício. Enquanto o IPCA da alimentação fora do domicílio acumulou alta de 6,22%, o valor do vale-refeição teve reajuste médio de apenas 1,5%.

“O resultado é uma redução acelerada do poder de compra. Hoje, em média, o trabalhador brasileiro precisa desembolsar cerca de R$ 589 além do valor recebido em vale-refeição para conseguir cobrir seus gastos com alimentação”, conclui o executivo.

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