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Cristo, Aparecida, Convento e Mosteiro juntos em fórum inédito no ES

Forsetur reunirá em Vitória, de 11 a 13 de agosto, lideranças de alguns dos maiores polos de peregrinação do país; programação inclui apresentar os roteiros por marcos da fé capixaba e painéis sobre governança, marketing digital e impacto econômico do segmento

 

O Espírito Santo será palco, na próxima semana, de uma reunião que dificilmente aconteceria fora de um evento planejado para isso. Entre os dias 11 e 13, acontece o primeiro Fórum da Região Sudeste de Turismo Religioso (Forsetur) que vai colocar na mesma conversa o reitor do Santuário do Cristo Redentor, padre Omar Raposo; o gestor de turismo do Santuário Nacional de Aparecida, Jonatas Veloso; o guardião do Convento da Penha, frei Gabriel Dellandrea; o representante da Canção Nova, Joel Prado; e o abade do Mosteiro Zen Morro da Vargem de Ibiraçu, monge Kendo Bitti.

A lista de participantes já entrega o que o evento pretende ser: um ponto de convergência entre tradições religiosas distintas, gestão pública e iniciativa privada, com o objetivo de incluir ícones da fé do país em política estruturada de turismo.

A programação, que terá os dois primeiros dias concentrados no auditório do Sebrae/ES, na Enseada do Suá, e o terceiro dedicado a visitas técnicas, foi desenhada para mesclar teoria, troca de experiências e imersão no território capixaba. As vagas são limitadas a um público estimado entre 200 e 250 participantes, incluindo secretários de turismo, agentes de viagens, pesquisadores, empresários da hotelaria e lideranças religiosas de diferentes denominações.

Se você estiver interessado após ler a coluna, as inscrições são gratuitas e estão abertas no site do Sebrae/ES.

O que se discute no fórum?

O tema central — “Peregrinos e Destinos: a força da Espiritualidade no Turismo do Sudeste” — dá o tom dos painéis. Entram na pauta governança de destinos religiosos, planejamento estratégico, sustentabilidade, cases de sucesso e o impacto econômico. Para além das apresentações formais, o fórum se propõe a criar um ambiente de negócios e conexões entre quem opera o turismo religioso e quem formula políticas para o setor.

Entre os palestrantes confirmados está Sidnésio Moura, CEO do Fórum Nacional de Turismo Religioso (FNDETUR) e autor de obras sobre gestão e sustentabilidade no segmento. Moura é um dos nomes mais atuantes na estruturação de destinos de fé no país e trará para Vitória um panorama do que funciona — e do que ainda engatinha — na governança do turismo religioso brasileiro.

Outro destaque é Thiago Akira, consultor de marketing digital especializado em turismo, que assina a curadoria de conteúdo de grandes feiras como a Travel Next e vai abordar estratégias de posicionamento e vendas para o setor.

A tecnologia também terá espaço: Daniel Turbox, CEO da Turbox Tecnologia e Inovação, falará sobre automação e aplicação de inteligência artificial no turismo, mostrando como ferramentas digitais podem ampliar o alcance de destinos religiosos.

A programação científica e estratégica conta ainda com Amadeu Castanho, que defende o turismo religioso como motor de desenvolvimento econômico dos territórios; o professor e padre Daniel Aguirre Campos, responsável por oficinas sobre transformação de conhecimento em experiências memoráveis; e o padre Márcio Giordany, que mediará painéis sobre casos de sucesso.

Também integram o evento profissionais como Érica Semião, da Ecos Eventos, que atua na organização da Festa da Penha; Rafael Ferrari, diretor do Sindicato de Hotéis do Espírito Santo e empresário do setor; e Bruno Emilio Pereira, gerente de Educação Profissional do Senac-ES, que representará a Tour ES — Escola Capixaba de Turismo.

Completam a lista de debatedores Erika Varejão, Paulo Renato, Renato Duarte, Leonardo Lares e Andrea Milholo, trazendo perspectivas complementares sobre operação, hospitalidade e gestão cultural.

Dois roteiros para mostrar o que o ES tem

O terceiro dia do Forsetur, 13 de agosto, é o momento de tirar a conversa da sala e levá-la para o território. Dois roteiros técnicos foram organizados para que os participantes conheçam de perto o patrimônio religioso capixaba. O primeiro, chamado Caminho Jesuítas no Espírito Santo, percorre a Igreja dos Reis Magos, em Nova Almeida, na Serra (imagem ao lado); e o Santuário Nacional de São José de Anchieta, no litoral sul (foto abaixo).

É um trajeto que conecta dois marcos da herança jesuítica no estado e que, não por acaso, dialoga diretamente com a história da colonização e da fé católica no Brasil.

O segundo roteiro, batizado de Peregrinação e Experiência de Fé no Espírito Santo, começa no Convento da Penha, em Vila Velha, um dos cartões-postais religiosos mais reconhecidos do país. Segue para a Igreja do Rosário, e depois para a Barra do Jucu, onde a tradicional Banda de Congo se apresentará; e encerrando o percurso está a Igreja Nossa Senhora da Glória.

A escolha dos locais não é aleatória: mistura o sagrado e a cultura popular, mostrando que o turismo religioso capixaba tem raízes que vão muito além dos templos.

Por que o Espírito Santo

A pergunta que o fórum ajuda a responder é por que um estado conhecido pelas praias e pelo agronegócio resolve apostar nessa vertente. A resposta passa pelo diagnóstico de que o turismo religioso não é sazonal, movimenta uma cadeia extensa de serviços e pode ancorar o desenvolvimento de municípios que hoje estão fora dos roteiros tradicionais.

Dados do setor apontam que o Brasil recebe e movimenta milhões de peregrinos todos os anos, mas a maior parte desse fluxo se concentra em alguns poucos destinos já consolidados — como Aparecida, no interior paulista, e as cidades históricas mineiras. O Espírito Santo quer abrir seu espaço nesse mapa.

O diretor interino de Atendimento do Sebrae/ES, Leonídio Pinheiro, resumiu o que está em jogo. “Para o Sebrae, apoiar o primeiro Fórum da Região Sudeste realizado no Espírito Santo representa uma oportunidade de contribuir para a organização de um segmento que possui grande capacidade de mobilizar visitantes, estimular novos negócios e gerar desenvolvimento econômico nos territórios”.

Quando a cadeia produtiva está integrada — hotéis, restaurantes, transportadoras, guias, artesãos —, o fluxo de peregrinos se converte em trabalho, renda e valorização do patrimônio cultural.

A presença de representantes de Aparecida, do Cristo Redentor, da Canção Nova e de outras referências nacionais é vista como um ativo para o estado.

Não apenas pelo conhecimento que essas lideranças podem compartilhar, mas pela visibilidade que o encontro projeta sobre o Espírito Santo. Cada participante que desembarca em Vitória para o fórum é um potencial multiplicador, alguém que pode voltar à sua cidade ou instituição falando do que viu — e, no futuro, incluir o estado em roteiros, pacotes e recomendações.

Tem espaço (e trabalho) para todos

A programação está longe de ser acadêmica ou distante da realidade do setor. A ideia é que as discussões resultem em diretrizes práticas que possam ser aplicadas por prefeituras, dioceses, operadoras e empreendedores. O fórum deve jogar luz sobre a importância de políticas públicas que integrem turismo religioso e desenvolvimento territorial.

Isso significa preparar os municípios para receber bem — com sinalização, serviços qualificados e infraestrutura — e, ao mesmo tempo, preservar o valor simbólico dos lugares sagrados.

Para o Espírito Santo, o Forsetur chega num momento em que o estado começa a colher os frutos de um planejamento turístico mais profissionalizado. O turismo religioso se encaixa nessa estratégia como uma peça que, se bem encaixada, pode alongar a permanência do visitante, diversificar os municípios beneficiados e injetar recursos num segmento que, vai muito além dos espaços de fé.

Foto de Fabio Botacin

Fabio Botacin

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