Na última coluna, refletimos sobre o impacto do excesso de telas na infância e sobre a importância de estabelecer limites saudáveis. Mas, depois de reduzir o tempo diante dos celulares, tablets e televisões, surge uma dúvida muito comum entre as famílias: como ocupar esse tempo de forma significativa?
A resposta pode estar no mais simples e, ao mesmo tempo, no mais poderoso recurso da infância: o brincar livre.
Brincar não é apenas uma forma de entretenimento. É por meio da brincadeira que a criança desenvolve criatividade, autonomia, raciocínio, linguagem, coordenação motora, resolução de problemas e habilidades sociais. Quando ela cria suas próprias histórias, inventa regras e transforma objetos em possibilidades, está aprendendo de maneira natural e profunda.
Para falar sobre esse universo, conversamos com Samara, fundadora da Criando Brinquedos, empresa especializada no desenvolvimento de brinquedos educativos em madeira para escolas, clínicas e famílias. Segundo ela, o grande diferencial desses materiais está justamente em colocar a criança como protagonista da brincadeira.
“Quanto menos o brinquedo entrega pronto, mais a criança é convidada a imaginar, criar, explorar e resolver desafios. É nesse processo que criatividade, autonomia e raciocínio se desenvolvem de forma natural”, destaca Samara.
Esse tipo de brinquedo, conhecido como material não estruturado, não possui uma única forma de uso. Um conjunto de peças de madeira pode virar uma cidade, uma ponte, uma pista de carrinhos, um castelo ou qualquer outra criação que a imaginação permitir. É a criança quem conduz a brincadeira, faz escolhas, experimenta, erra, reconstrói e aprende durante todo o processo.
Essa liberdade fortalece funções cognitivas importantes, amplia a capacidade de concentração e incentiva a resolução de desafios de forma espontânea. Além disso, favorece a interação entre irmãos, amigos e familiares, promovendo momentos de convivência que nenhuma tela consegue substituir.
É importante lembrar que não se trata de eliminar totalmente a tecnologia da rotina, mas de encontrar equilíbrio. Quanto mais oportunidades a criança tiver para brincar, explorar a natureza, desenhar, construir, ler, cozinhar, ouvir histórias e criar, menos dependerá dos estímulos rápidos proporcionados pelas telas.

A própria história da Criando Brinquedos nasceu dessa compreensão sobre a importância do brincar. A empresa surgiu a partir da experiência de Samara com seu filho Ian, nascido prematuro e posteriormente identificado com altas habilidades e superdotação. A busca por materiais que respeitassem seu desenvolvimento inspirou a criação de brinquedos e painéis sensoriais desenvolvidos com base na neurociência e alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), sempre com o propósito de favorecer o desenvolvimento infantil por meio de experiências significativas.
A infância precisa de tempo, espaço e liberdade para acontecer. E, muitas vezes, tudo o que a criança precisa não é de um brinquedo cheio de funções, mas de materiais que despertem sua curiosidade e permitam que ela seja protagonista das próprias descobertas.
Porque brincar continua sendo a forma mais completa de aprender.





