Incêndio destruiu mais de 2 milhões de processos em depósito do TJES

Além da perda dos documentos, o incêndio causou um prejuízo estimado em cerca de R$ 1 milhão em bens patrimoniais

Redação

Compartilhe

Foto: Reprodução / TV SIM SBT

Mais de 2 milhões de processos físicos foram destruídos no incêndio de grandes proporçõesque atingiu um dos depósitos do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), em Jardim Limoeiro, na Serra, na terça-feira (21). Segundo o tribunal, nada do que estava em um dos galpões do complexo resistiu às chamas.

De acordo com o TJES, cerca de 2,1 milhões de processos estavam armazenados no local. Desse total, aproximadamente 50% já havia sido digitalizado. A outra metade era formada por processos antigos, já encerrados, que estavam em fase de guarda e seriam destinados ao descarte.

Apesar da destruição do acervo físico, o tribunal informou que nenhum serviço prestado à população será prejudicado. Segundo a instituição, os processos digitalizados permanecem preservados e os demais não interferem na tramitação de ações em andamento.

Processos de cinco comarcas

Inaugurado em abril de 2018, o espaço foi criado para centralizar o arquivamento de documentos e o armazenamento de materiais utilizados pelo Tribunal.

No local estavam guardados o acervo judicial das comarcas de Vitória, Serra, Cariacica, Vila Velha e Viana, além de bens patrimoniais, materiais do almoxarifado e itens da área de engenharia e gestão predial do Tribunal.

Prejuízo também atingiu patrimônio

Além da perda dos documentos, o incêndio causou um prejuízo estimado em cerca de R$ 1 milhão em bens patrimoniais. Entre os itens destruídos estavam móveis e equipamentos que já haviam sido retirados de uso e seriam destinados a leilão.

O imóvel onde funcionava o depósito era alugado pelo Tribunal de Justiça e deverá passar por uma renegociação contratual após o incêndio.

Foto: Reprodução / TV SIM SBT

No complexo havia 47 câmeras de videomonitoramento, além de vigilância patrimonial, que podem ajudar nas investigações. Nesta quarta-feira (22), equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Científica realizam perícia para identificar o que provocou o incêndio.

Para acompanhar as consequências da ocorrência e definir as próximas medidas, o TJES criou um comitê interno. Reuniões com as secretarias da Corte já foram realizadas para discutir a reorganização das atividades.

Servidores haviam alertado para riscos

Meses antes do incêndio, servidores do Judiciário já haviam chamado atenção para as condições do Arquivo Geral do TJES e o risco de perda de documentos.

Em uma denúncia divulgada em 2025, o Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Espírito Santo (SindjudES) afirmou que o galpão apresentava problemas de armazenamento, organização e segurança que poderiam comprometer a preservação do acervo.

Segundo a entidade, o espaço era vulnerável à deterioração dos documentos, à proliferação de pragas e à contaminação por mofo, colocando em risco tanto os processos quanto a saúde de servidores e trabalhadores terceirizados.

“A condição insalubre do local não apenas compromete a integridade dos documentos, mas também coloca em risco a saúde dos servidores e terceirizados, que têm contato com papéis sujos ou mofados”, afirmou o sindicato na ocasião.

Fotos divulgadas pela entidade mostravam processos deteriorados, caixas empilhadas de forma desorganizada e documentos armazenados em condições consideradas inadequadas.

Foto: Divulgação / SindjudES

Na denúncia, o SindjudES também alertou que a situação poderia comprometer o funcionamento da Justiça.

“Essa desorganização não deve ser ignorada. A deterioração dos processos e documentos pode resultar na perda de informações cruciais, prejudicando a eficiência do sistema judiciário e o acesso à Justiça.”

O sindicato ainda criticou o contraste entre os investimentos anunciados pelo Tribunal em modernização e as condições do arquivo físico.

TJES disse que adotava medidas

Após receber o ofício encaminhado pelo SindjudES, o Tribunal de Justiça informou, à época, que havia iniciado mutirões de limpeza e reorganização do acervo, além de uma força-tarefa voltada à manutenção e preservação das instalações.

Agora, após o incêndio que destruiu completamente um dos galpões, a causa das chamas será determinada pela perícia técnica. O tribunal afirma que aguarda os laudos para definir as próximas providências.

Leia também

Para melhorar a sua navegação, nós utilizamos Cookies e tecnologias semelhantes.
Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Política de Privacidade