TDAH ou excesso de tela? Especialista explica como diferenciar

Especialista explica como diferenciar sinais do transtorno de comportamentos ligados ao uso excessivo de telas

Redação

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TDAH

O aumento do tempo em frente às telas pode provocar comportamentos que se parecem com o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), tornando mais difícil identificar quando há, de fato, um quadro clínico. A confusão pode levar pais e professores a acreditar que uma criança tem o transtorno quando os sintomas podem estar relacionados a fatores como excesso de estímulos digitais, sono inadequado ou ansiedade.

O tema ganha destaque após o Dia Mundial de Conscientização do TDAH, celebrado em 13 de julho. Segundo a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), o transtorno afeta entre 5% e 8% das crianças em idade escolar no mundo. No Brasil, estudos apontam prevalência de até 7,6% entre crianças e adolescentes de 6 a 17 anos.

Pesquisas recentes, incluindo um estudo com mais de 10 mil crianças, indicam que o uso excessivo de telas está associado ao surgimento de sintomas semelhantes aos do TDAH. Embora isso não signifique que a criança tenha o transtorno, o cenário pode dificultar a identificação do problema e atrasar o diagnóstico correto.

A neurocirurgiã pediátrica e neuropsiquiatra infantil Larissa de Sousa, da Vidah Kids e autora do capítulo sobre tratamento farmacológico do TDAH no livro TDAH na Escola (em edição), ressalta que nem toda criança inquieta ou desatenta apresenta o transtorno.

“Nem toda criança agitada ou desatenta tem TDAH. Às vezes é sono ruim, excesso de tela, ansiedade ou simplesmente infância. A diferença está na persistência, na intensidade e no impacto funcional, e é isso que a avaliação clínica identifica”, afirma.

Diagnóstico evita consequências

Segundo a especialista, muitos casos passam anos sem diagnóstico. Quando a família finalmente busca atendimento, o desgaste costuma ser grande e a criança já pode ter acumulado rótulos ao longo da infância.

Sem tratamento, o TDAH pode aumentar o risco de ansiedade, depressão, uso de substâncias, gravidez precoce, dificuldades escolares e até acidentes de trânsito na adolescência. De acordo com Larissa de Sousa, esses desdobramentos estão ligados à impulsividade e à baixa autoestima que podem surgir quando a criança cresce sem compreender que seu cérebro funciona de forma diferente.

Papel da escola

Com o retorno às aulas no segundo semestre, a especialista destaca que o ambiente escolar também tem papel importante nesse processo. Segundo ela, é preciso acolher crianças com TDAH, mas evitar transformar comportamentos típicos da infância em sinais de um transtorno.

Após o diagnóstico clínico, o acompanhamento por uma equipe multidisciplinar contribui para definir a intervenção mais adequada às necessidades de cada criança.

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