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Inteligência artificial sem estrutura é apenas expectativa

A inteligência artificial deixou de ser uma tendência para se tornar uma realidade dentro das empresas. Hoje, poucas lideranças questionam se devem investir em IA. A pergunta passou a ser como utilizá-la para gerar produtividade, eficiência e melhores resultados.

Mas existe um ponto que tem recebido menos atenção do que deveria: a qualidade da estrutura que sustenta essa inteligência.

Um levantamento recente mostrou que metade das empresas brasileiras ainda utiliza inteligência artificial sem uma estratégia ou estrutura definida. Entre aquelas que já iniciaram sua jornada, a maioria ainda se encontra nos primeiros estágios de maturidade. O dado ajuda a explicar uma percepção cada vez mais comum no mercado: muitas organizações investem em tecnologia, mas não conseguem enxergar resultados proporcionais ao investimento realizado.

Na prática, a inteligência artificial é tão eficiente quanto os dados que recebe. Se as informações estão espalhadas em diferentes sistemas, se existem inconsistências nos registros ou se os processos dependem de intervenções manuais para funcionar, a capacidade da IA de gerar valor fica limitada.

É como tentar construir um edifício moderno sobre uma fundação comprometida. Por mais avançada que seja a arquitetura, a estrutura continuará sendo o fator determinante para sua estabilidade.

Por isso, acredito que a discussão sobre inteligência artificial precisa evoluir. Não basta falar apenas sobre algoritmos, automação ou modelos generativos. É necessário olhar para a integração dos dados, para a governança da informação e para a capacidade de conectar sistemas que historicamente foram desenvolvidos para operar de forma isolada.

Tenho observado empresas que alcançam ganhos expressivos justamente porque começaram pelo alicerce. Antes de buscar soluções sofisticadas, organizaram seus fluxos de informação, eliminaram retrabalhos e garantiram que os dados circulassem de forma consistente entre diferentes áreas da operação. Quando a inteligência artificial entra nesse ambiente, os resultados aparecem de forma muito mais rápida e sustentável.

Esse movimento já pode ser visto em diversos mercados, inclusive em organizações que operam internacionalmente e utilizam IA em processos complexos, como recrutamento, atendimento, análise de desempenho e tomada de decisão. Em todos os casos, o fator comum não é a ferramenta utilizada, mas a existência de uma infraestrutura capaz de transformar dados dispersos em conhecimento acionável.

Nos próximos anos, a vantagem competitiva não estará simplesmente em utilizar inteligência artificial. Ela estará na capacidade de preparar a empresa para que essa inteligência funcione de forma efetiva.

A tecnologia continuará evoluindo em velocidade acelerada. O desafio das organizações será garantir que seus processos, sistemas e dados evoluam no mesmo ritmo.

Porque, no fim das contas, inteligência artificial sem estrutura não é transformação digital. É apenas expectativa.


Sobre o autor

 

 

Thiago Molino é CEO da Globalsys.

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