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Tarifas dos EUA podem afetar 500 produtos exportados pelo ES e um setor é o mais exposto

Medidas ampliam insegurança no comércio internacional e atingem rochas ornamentais e minério de ferro; setor de rochas é o mais exposto

 

O governo dos Estados Unidos prossegue numa pressão internacional na área econômica e não tira a manipulação de tarifas do rol de armas que podem usar, e o Espírito Santo tem muito a perder com isso. A Federação das Indústrias do Estado (Findes) está em alerta. E diz isso claramente. Os números ajudam a entender o tamanho da preocupação: em 2025, os EUA foram destino de 27% das exportações capixabas, o equivalente a US$ 2,8 bilhões. E qualquer mexida nessa relação tem efeito direto no bolso do capixaba.

De acordo com dados da Comex Stat compilados pelo Observatório Findes, a tarifa adicional de 25%, prevista para entrar em vigor em 15 de julho, atinge quase 500 produtos comercializados pelo Espírito Santo. Só no ano passado, esses mesmos itens somaram mais de US$ 240 milhões em vendas para o mercado norte-americano – o que representa 2,3% da pauta exportadora capixaba e 8,5% das vendas do Estado para os EUA.

O setor mais exposto é o de rochas ornamentais. Cerca de 28% das exportações capixabas desse segmento para os Estados Unidos seriam impactados. O Espírito Santo é o principal produtor e exportador brasileiro de rochas naturais – o que torna o impacto ainda mais relevante para a economia local. É um setor que gera emprego, movimenta cidades inteiras e responde por uma fatia expressiva da arrecadação estadual.

O problema não para aí. O governo norte-americano também estuda aplicar uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos classificados como relacionados ao uso de trabalho forçado. Se essa medida for implementada, o impacto alcançaria também quase 500 produtos exportados pelo ES, mas com um valor muito maior: US$ 1,1 bilhão em exportações para os EUA em 2025, ou 10,3% da pauta exportadora capixaba.

Diferente da primeira lista, aqui entram produtos que estavam isentos – como outras rochas naturais e minério de ferro. É um nó na garganta e no planejamento de todos (e suas respectivas cadeias – dos produtores aos fornecedores) quem depende dessas vendas.

CENÁRIOS

1 – Na hipótese de adoção simultânea das duas tarifas, 508 produtos exportados pelo Espírito Santo estariam sujeitos à alíquota combinada de 37,5%, o que representa US$ 240milhões.

 845,1 milhões em vendas, seriam impactados exclusivamente pela tarifa de 12,5% – por estarem isentos da cobrança adicional de 25%.

A Findes, alinhada à Confederação Nacional da Indústria (CNI), avalia que o aumento das tarifas compromete uma relação comercial construída ao longo de décadas. Brasil e Estados Unidos têm cadeias produtivas integradas, nas quais diversos produtos brasileiros são insumos essenciais para a indústria norte-americana. Tarifar esses itens, na visão da federação, não faz sentido sob os aspectos jurídico, econômico e estratégico.

A entidade defende que o caminho mais inteligente é o diálogo. A imposição unilateral de tarifas, segundo a Findes, só vai prejudicar empresas dos dois lados. A cooperação bilateral é a forma mais adequada de preservar uma relação comercial sólida, previsível e benéfica para Brasil e Estados Unidos.

Os exportadores capixabas parecem que ficam no fio da navalha.

O que está em jogo não é só um número na planilha de comércio exterior – é o emprego do funcionário da fábrica de rochas, a renda do caminhoneiro que transporta a carga, o faturamento da pequena empresa que depende do mercado americano.

Por enquanto, é esperar e torcer para que o bom senso prevaleça. E quem tá jogando contra, pare.

Foto de Fabio Botacin

Fabio Botacin

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