A queda do Brasil no Ranking Mundial de Competitividade 2026 deve ser vista como um alerta estrutural. O país perdeu posições e passou a ocupar as últimas colocações do levantamento, evidenciando uma dificuldade persistente de transformar seu mercado consumidor, seus recursos naturais e sua dimensão territorial em produtividade, inovação, eficiência institucional e capacidade de atrair investimentos.
Competitividade vai além do crescimento econômico de curto prazo. Um país pode registrar expansão em determinados momentos e, ainda assim, perder espaço no cenário internacional caso não avance em produtividade, ambiente de negócios, infraestrutura, qualidade regulatória e capital humano. O desempenho brasileiro evidencia exatamente esse desafio: a economia continua convivendo com entraves que elevam os custos de produção, reduzem a eficiência das empresas e dificultam a inserção em cadeias produtivas de maior valor agregado.
Entre os principais fatores que explicam esse resultado estão a baixa produtividade, a complexidade tributária, o alto custo do capital, a insegurança regulatória, as deficiências de infraestrutura e a baixa qualidade da formação educacional e profissional. Esses elementos compõem o chamado Custo Brasil, que impacta empresas de todos os setores e limita a capacidade do país de competir por investimentos, tecnologia e empregos qualificados.
Para o Espírito Santo, esse cenário gera impactos diretos. O Estado reúne vantagens importantes, como localização estratégica, vocação logística, infraestrutura portuária, equilíbrio fiscal, ambiente institucional relativamente estável e proximidade dos principais mercados consumidores do país. Esses fatores ajudam a reduzir parte dos entraves nacionais e tornam o território capixaba mais competitivo na disputa por novos investimentos.
Mesmo assim, o Espírito Santo não está imune à realidade brasileira. Juros elevados, insegurança regulatória, complexidade tributária, baixa produtividade nacional e dificuldades na formação de mão de obra também afetam as empresas instaladas no Estado. Quando o Brasil perde competitividade, diminui o conjunto de oportunidades que chegam ao país antes mesmo de serem disputadas entre estados e municípios.
Ainda assim, existe uma oportunidade importante. Em um país marcado por incertezas e gargalos estruturais, estados com contas equilibradas, boa governança e capacidade de execução tendem a ganhar relevância. O Espírito Santo pode se consolidar como uma plataforma logística e industrial para empresas interessadas em atender o mercado interno e acessar mercados internacionais. Para isso, será necessário transformar suas vantagens locais em uma estratégia mais ampla de desenvolvimento produtivo.
Essa agenda exige mais do que uma infraestrutura portuária eficiente. Será preciso desenvolver fornecedores, qualificar a mão de obra, fortalecer a conexão entre empresas, universidades e centros tecnológicos, ampliar a inovação e criar condições para atrair investimentos industriais de maior valor agregado. A logística representa um diferencial importante, mas não é suficiente. O desenvolvimento sustentável também depende de produtividade, tecnologia, segurança jurídica e coordenação institucional.
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A queda do Brasil no ranking reforça uma mensagem central: competitividade não é construída com medidas pontuais. Ela depende de uma estratégia permanente, baseada em instituições sólidas, previsibilidade econômica, capital humano qualificado, infraestrutura eficiente e capacidade de execução.
Para o Espírito Santo, o desafio é duplo. De um lado, reconhecer que a fragilidade competitiva nacional limita parte de seu potencial. De outro, aproveitar seus diferenciais para se consolidar como um dos estados mais preparados para receber investimentos produtivos. Se conseguir reunir estabilidade fiscal, logística, inovação, qualificação profissional e desenvolvimento industrial, o Estado poderá transformar um problema nacional em uma oportunidade de diferenciação regional.
Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, o posicionamento do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo, bem como da organização à qual esteja vinculado profissionalmente.
Sobre o autor

Felipe Storch Damasceno é economista-chefe do IBEF-ES.





