Outras cidades do ES podem registrar novos tremores?

Especialista diz que novos abalos são possíveis, mas eventos com potencial de danos são considerados raros

Escrito por Redação

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Tremor foi registrado em Piúma, no Sul do Espírito Santo | Foto: Reprodução/RSBS

Novos tremores de terra podem ser registrados em outras cidades do Espírito Santo nos próximos dias ou semanas. O alerta é da doutora em Geologia e professora da Ufes, Luiza Bricalli, após o abalo de magnitude 2,1 registrado em Piúma na tarde de sábado (20). Segundo a especialista, eventos desse tipo fazem parte da dinâmica geológica da região e, embora possam voltar a ocorrer, costumam ter baixa magnitude e não representar risco à população.

Segundo a doutora em Geologia e professora do Departamento de Geografia da Ufes, Luiza Bricalli, há possibilidade de novos tremores nos próximos dias ou semanas, especialmente na forma de eventos secundários ou pequenos abalos subsequentes.

O tremor registrado em Piúma teve magnitude 2,1, considerada baixa. De acordo com a especialista, eventos abaixo de 3,0 liberam pouca energia e raramente causam danos. Em muitos casos, podem até passar despercebidos pela população.

“Abalos dessa magnitude podem ou não ser percebidos. Em muitos casos, são sentidos apenas por pessoas em repouso, em ambientes silenciosos, em andares mais altos ou em locais próximos ao epicentro. Quando ocorrem em baixa profundidade, a chance de serem percebidos aumenta”, explica.

Por que os tremores acontecem?

Embora o Espírito Santo não esteja entre as regiões brasileiras com maior atividade sísmica, os registros mostram que o fenômeno não é incomum. Dados do Laboratório de Neotectônica e Sismológico (LANESI), da Universidade Federal do Espírito Santo, apontam mais de 40 eventos sísmicos catalogados no estado.

Segundo Luiza Bricalli, mesmo longe dos limites entre placas tectônicas, tremores podem ocorrer devido à movimentação de falhas geológicas, à redistribuição de tensões no interior das placas e à reativação de estruturas geológicas antigas.

“O abalo registrado em Piúma pode estar relacionado à movimentação de falhas geológicas locais ou regionais. Além disso, mesmo sendo uma região intraplaca, a placa Sul-Americana está sujeita a esforços compressivos que podem reativar estruturas geológicas antigas, gerando sismos”, afirma.

A especialista destaca ainda que alguns estudos indicam que eventos em regiões com essas características podem ocorrer em intervalos de aproximadamente quatro anos, embora não exista uma regra exata para isso.

Quando há motivo para preocupação?

De acordo com a geóloga, terremotos de grande magnitude são raros tanto no Espírito Santo quanto no Brasil. A média dos tremores registrados no país gira em torno de magnitude 3,0.

“A preocupação da população deve aumentar principalmente em casos de tremores acima de magnitude 4 ou 5, ou quando há eventos recorrentes em curto intervalo de tempo”, afirma.

A especialista reforça que os tremores registrados no Brasil costumam ter baixa magnitude e não geram danos significativos. “As pessoas não precisam se preocupar, pois os tremores de terra no Brasil e no Espírito Santo têm magnitudes baixas, não gerando danos à população.”

Maior tremor associado ao ES ocorreu no mar

Apesar da predominância de sismos de baixa magnitude, o Espírito Santo já esteve associado a um evento mais expressivo. Em 28 de fevereiro de 1955, um tremor de magnitude 6,1 foi registrado no mar, a cerca de 300 quilômetros do litoral capixaba.

Segundo os registros históricos, o abalo foi sentido em Vitória e provocou vibração em edificações e quebra de vidros em algumas residências.

O que fazer se sentir um tremor?

A principal orientação dos especialistas é manter a calma. Quem estiver dentro de casa ou em um prédio deve se afastar de janelas, vidros e objetos que possam cair. Já quem estiver na rua deve procurar distância de postes, muros, fachadas e redes elétricas.

Entenda o caso

O tremor de magnitude 2,1 foi registrado em Piúma na tarde de sábado (20), às 14h12. Segundo os especialistas, o abalo não causou feridos nem prejuízos.

Os dados preliminares apontaram profundidade de 0 quilômetro, mas isso não significa que o tremor ocorreu na superfície. De acordo com os técnicos, ainda não há informações suficientes para determinar a profundidade exata do evento, e os dados podem ser atualizados após novas análises.

Apesar de não representar risco para a população, tremores dessa intensidade podem ser percebidos por pessoas próximas à área onde ocorrem, geralmente na forma de uma leve vibração ou de um pequeno balanço.

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