Um vídeo publicado nas redes sociais durante o fim de semana provocou indignação e uma onda de manifestações de repúdio no Espírito Santo. As imagens mostram um jovem de 19 anos imitando uma pessoa com paralisia cerebral na Praça da Inclusão, localizada no bairro Enseada do Suá, em Vitória.
O vídeo foi gravado na noite de sábado (20) e divulgado pela irmã do rapaz, de 23 anos. Nas imagens, o jovem aparece sentado em um balanço adaptado enquanto faz gestos e movimentos que simulam a condição de uma pessoa com paralisia cerebral. Ao fundo, é possível ouvir risadas durante a gravação.
A repercussão foi imediata. Internautas, entidades ligadas à defesa dos direitos das pessoas com deficiência e profissionais da área classificaram o conteúdo como capacitista e desrespeitoso.
Entre as manifestações está a da psicóloga Verilene Breder, que utilizou as redes sociais para condenar o episódio. Em sua publicação, ela questionou em que momento a sociedade perdeu a capacidade de sentir vergonha diante de atitudes que transformam a deficiência em motivo de piada.
Segundo ela, o problema vai muito além de um vídeo ou de uma suposta brincadeira. Para ela, quando alguém ridiculariza uma deficiência, acaba desrespeitando famílias inteiras e reduzindo a condição de milhares de pessoas a uma caricatura criada para gerar risadas.
“Isso não é humor. Não é entretenimento”, afirmou a psicóloga ao destacar que atitudes desse tipo reforçam a falta de empatia e ensinam que pessoas com deficiência podem ser alvo de ridicularização.
A repercussão também motivou uma nota pública do grupo Mulheres da Polícia Civil, que repudiou o episódio de forma enérgica. No comunicado, a entidade afirmou que o conteúdo não pode ser tratado como brincadeira e destacou que a atitude reforça estigmas e preconceitos enfrentados diariamente por pessoas com deficiência e suas famílias.
“O conteúdo divulgado não pode, sob nenhuma perspectiva, ser tratado como brincadeira ou forma de entretenimento. Trata-se de conduta grave, que reforça estigmas, perpetua preconceitos e atinge diretamente pessoas com deficiência e suas famílias”, diz trecho da nota.
Quem também se posicionou foi a Associação Capixaba de Paralisia Cerebral (ACPC). Em nota oficial, a instituição manifestou profundo repúdio e indignação diante do que classificou como uma atitude irresponsável e ofensiva.
A associação destacou que o episódio representa um ato de desrespeito, preconceito e capacitismo contra pessoas que enfrentam diariamente inúmeros desafios, além das famílias que dedicam suas vidas ao cuidado, à inclusão e à garantia de direitos.
A ACPC ressaltou ainda que jamais aceitará qualquer forma de piada ou discriminação contra pessoas com deficiência e lembrou que atitudes dessa natureza podem configurar crime conforme a legislação brasileira.
“Hoje, nossa nota é de repúdio, mas também de dor. Dor por perceber que ainda precisamos lutar contra a falta de empatia e de respeito. Porém, seguiremos firmes em nossa missão de defender os direitos, a inclusão e a dignidade das pessoas com deficiência”, afirmou a entidade.
O caso continua repercutindo nas redes sociais, onde usuários cobram responsabilização e reforçam a importância do combate ao capacitismo e da promoção do respeito às pessoas com deficiência.
Em nota, a Polícia Civil informa que a comunicante compareceu a 1ª Delegacia Regional de Vitória e registrou um boletim de ocorrência. As diligências iniciais e medidas legais foram adotadas pela PCES. O caso seguirá sob investigação da PCES que trabalhará para que o(s) suspeito(s) seja(m) responsabilizado(s).
A reportagem do Sim Notícias não conseguiu contato com os responsáveis pela publicação. O espaço segue aberto para os esclarecimentos.


