Agro & Coop
ES se torna o primeiro estado a usar gás natural para secar café
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Vinícius Baptista

Vinícius Baptista é jornalista, especialista em Gestão de Pessoas e Marketing Político, e apaixonado por contar histórias. Ao longo dos anos, tem rodado o Estado para mostrar como que o agro e o cooperativismo tem transformado a vida das pessoas.
Primeiro secador de café movido a gás natural do Espírito Santo, instalado na fazenda Chapadão, em Linhares. - Foto: Divulgação

Quem passa pelas estradas que serpenteiam os cafezais capixabas nessa época do ano, já deve ter se deparado com uma espessa “neblina” que muitas vezes atrapalha a visão dos motoristas e inunda o ar com um cheiro de queimado. São os secadores de café que torram os grãos e trabalham muito nessa época de plena colheita. Mas, aos poucos, a tecnologia tão presente em diversas áreas do agro, começa a chegar aos tradicionais secadores de café. Com um movimento ainda tímido, mas com expectativa de muito crescimento, algumas propriedades começam a utilizar secadores a gás ao invés dos tradicionais movidos a madeira, na forma de lenha ou palha.

Na colheita deste ano, o Espírito Santo dá largada em um projeto inédito no país onde o gás natural é usado como combustível dos secadores. A iniciativa faz parte de um projeto de pesquisa da empresa ES Gás, aprovado pela Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP). O secador movido a gás natural fica na Fazenda Chapadão, em Linhares, propriedade do produtor Eduardo Bortolini, e está trabalhando a todo o vapor em condições reais de safra. A operação permitirá avaliar, na prática, o desempenho do gás natural como alternativa às fontes tradicionais utilizadas no processo de secagem.

A cafeicultura capixaba — especialmente a produção de conilon — é hoje reconhecida entre as mais modernas do mundo, destacando-se pela rápida adoção de inovação, elevada produtividade e crescente foco em qualidade. A etapa de secagem ainda representava um dos principais desafios para ganhos mais expressivos de qualidade na exportação. Com este projeto, damos um passo decisivo para superar essa barreira. A utilização do gás natural tem potencial para elevar significativamente o padrão do café capixaba, agregando valor, ampliando as oportunidades de exportação e fortalecendo a competitividade do nosso mercado”, destacou o presidente do Centro do Comércio do Café de Vitória, Fabrício Tristão. O CCCV é um dos apoiadores do projeto.

Na última sexta-feira, estivemos na Fazenda Experimental da Cooabriel, em São Domingos do Norte, e vimos de perto o novo secador a gás da maior cooperativa de café conilon do Brasil. Porém, diante da dificuldade de logística para levar o gás natural até aquela região, o secador é movido a GLP (Gás Liquefeito de Petróleo).

O secador, utilizado na produção da própria fazenda da Cooabriel, está à disposição dos cooperados que quiserem aprender mais sobre o processo de secagem a gás. Estivemos lá com o equipamento em pleno funcionamento e a quantidade de fumaça é praticamente irrisória. Também não há o tradicional cheiro de madeira queimada no ar.

O secretário estadual de Agricultura, Enio Bergoli, acrescentou que além do gás, também já tem produtor capixaba investindo em secador elétrico. Ele citou o exemplo de um produtor de Marilândia, no Norte do Estado, que desenvolveu uma tecnologia que substitui a resistência (similar à que existe nos chuveiros elétricos) e torna o processo de secagem muito mais barato. Bergoli informou que o Estado está trabalhando junto a este produtor para que ele consiga um financiamento no Bandes para que possa produzir mais esse equipamento e fornecer para outros cafeicultores.

Assim, o café capixaba vai se desenvolvendo, crescendo e mostrando que é possível conviver de forma cada vez mais saudável e sustentável com o meio ambiente.

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