Uma caminhada de 100 quilômetros pelo litoral capixaba deve reunir cerca de 3,5 mil pessoas de diferentes partes do Brasil entre quinta-feira (4) e domingo (7). Em sua 27ª edição, o projeto Os Passos de Anchieta volta a percorrer o trajeto histórico associado a São José de Anchieta e reafirma sua posição como um dos principais eventos turísticos do Espírito Santo.
Durante quatro dias, os participantes passarão por Vitória, Vila Velha, Guarapari e Anchieta, seguindo uma rota que se transformou em referência para o turismo de caminhada no país. O percurso, que acompanha trechos da costa capixaba, atrai anualmente pessoas interessadas em história, cultura e experiências ao ar livre.
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Criado em 1998 por um grupo de amigos ligados ao comércio, à cultura, ao esporte e ao jornalismo capixaba, o projeto teve como inspiração o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. A proposta era estimular o turismo no Espírito Santo por meio de uma rota permanente baseada nos caminhos percorridos por São José de Anchieta há centenas de anos.
Referência nacional
Ao longo de quase três décadas, Os Passos de Anchieta se consolidou como um dos mais importantes produtos turísticos do estado. Reconhecido como o primeiro Caminho Cristão das Américas, o projeto ganhou relevância nacional e internacional e passou a servir de inspiração para a criação de outros caminhos de peregrinação e caminhada pelo Brasil.
Além de preservar e divulgar um importante patrimônio histórico, o evento contribui para ampliar a visibilidade do Espírito Santo como destino turístico, atraindo visitantes de diferentes regiões do país.
Impacto nas cidades do percurso
A movimentação de milhares de participantes também gera reflexos econômicos nas cidades que integram o trajeto. Setores como hospedagem, alimentação, transporte, comércio, cultura, serviços turísticos e atividades informais são diretamente beneficiados durante o período da caminhada.
Segundo a organização, a iniciativa também busca fortalecer a autoestima das comunidades localizadas ao longo da rota, ao mesmo tempo em que cria oportunidades de trabalho e renda associadas à atividade turística.
Com a realização da 27ª edição, Os Passos de Anchieta mantém viva uma tradição iniciada em 1998 e segue consolidado como um dos eventos que mais projetam o Espírito Santo para além das fronteiras do estado.
Presença internacional
Até o momento, a organização registra participantes de 12 unidades da federação: Espírito Santo, Distrito Federal, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Maranhão, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo.
A edição deste ano também contará com a presença de um casal de peregrinos de San Cristóbal de La Laguna, em Tenerife, na Espanha. Segundo a organização, cerca de 70% dos inscritos são mulheres, com idades entre 25 e 65 anos.
Ao longo de quase três décadas, a caminhada acumulou histórias que vão além do percurso. Há relatos de pessoas que decidiram morar no Espírito Santo após conhecer o estado durante o evento, casais que se formaram ao longo das edições e participantes que encontraram na convivência em grupo um novo caminho para enfrentar momentos difíceis da vida. Também há famílias que mantêm a tradição após a morte de parentes que participaram da caminhada por muitos anos.
Acolhimento das comunidades
Para o presidente da Associação Brasileira dos Amigos dos Passos de Anchieta (ABAPA), Carlos Magno Receputi de Queiroz, um dos aspectos mais marcantes do projeto continua sendo a forma como as comunidades recebem os peregrinos ao longo do trajeto.
Segundo ele, o que mais emociona é “o acolhimento e o voluntarismo das comunidades que recepcionam todas essas pessoas vindas de todas as partes do estado e do país, sem distinção, abrindo as portas de suas casas, oferecendo acolhimento ao longo de todo o caminho”.
Carlos Magno destaca que diversas famílias organizam recepções aos caminhantes em diferentes pontos do percurso e afirma que essa rede de apoio foi construída ao longo dos anos. “O capixaba é um povo generoso e acolhedor, mas isso é fruto de um trabalho intenso e de resiliência por todos esses anos, pois não é fácil manter um projeto deste porte, sendo a ABAPA uma entidade sem fins lucrativos, que necessita de muito apoio para manter-se em funcionamento e realizar o evento anualmente”, afirma.
Além do aspecto religioso e cultural, a caminhada também movimenta setores como hospedagem, alimentação, transporte, comércio, serviços e turismo nos municípios que integram o roteiro.
Como funciona a programação diária
Além da caminhada, a programação inclui atividades culturais na saída e na chegada de cada etapa. A Associação Brasileira dos Amigos dos Passos de Anchieta (ABAPA), organizadora do evento, coordena apresentações de bandas musicais, grupos de dança, teatro e exibições audiovisuais ao longo dos quatro dias.
A estrutura também conta com ambulâncias para atendimento e remoção em caso de acidentes. Participantes que desistirem do percurso podem utilizar os veículos de apoio disponibilizados pela organização.
Durante todo o trajeto, os caminhantes têm acesso a banheiros químicos instalados em pontos estratégicos, além de locais para abastecimento de água potável e distribuição de frutas para hidratação e reposição de vitaminas e minerais. Nos pontos de chegada, a organização oferece serviço de massoterapia para auxiliar na recuperação muscular após cada etapa.
Embora a caminhada coletiva aconteça uma vez por ano, o roteiro pode ser percorrido em outras épocas. O percurso é sinalizado permanentemente por meio de 223 pilaretes com mais de dois metros de altura, distribuídos ao longo dos 100 quilômetros entre Vitória e Anchieta.
O que os peregrinos encontram pelo caminho

Além do desafio físico, a caminhada permite conhecer alguns dos principais cenários históricos, culturais e naturais do litoral capixaba. O trajeto começa na Catedral Metropolitana de Vitória e termina no Santuário Nacional de São José de Anchieta, em Anchieta, refazendo o caminho percorrido pelo santo jesuíta em seus últimos anos de vida.
Ao longo dos 100 quilômetros, os participantes passam por pontos como o Palácio Anchieta, a Prainha de Vila Velha, o Convento da Penha, o Morro do Moreno, as praias da Costa, Itapoã e Itaparica, a Barra do Jucu, a Reserva Ecológica Paulo Cesar Vinha, em Guarapari, além de dezenas de praias, lagoas, falésias e comunidades litorâneas.
O roteiro acompanha grande parte da faixa costeira capixaba, seguindo o mesmo caminho utilizado por colonizadores que se deslocavam pelas praias em uma época em que a vegetação dificultava a abertura de trilhas no interior do território.
PROGRAMAÇÃO
1º DIA – Quinta-feira (4)
Os peregrinos saem da Catedral de Vitória com destino ao primeiro pernoite, na Barra do Jucu, em Vila Velha. Total de 25 km.
– 7h00 – Concentração na Catedral, seguido de bênçãos aos peregrinos;
– 7h10 – Apresentação cultural da Banda de Congo Tambor Jacaranema;
– 7h30 – Saída dos peregrinos que seguem em direção a Vila Velha;
– 9h00 – Apresentação da Banda do 38º BI e da Banda de Congo Beatos de São Benedito, na Prainha de Vila Velha;
– 12h00 a 17h00 – Chegada dos peregrinos com programação cultural na Barra do Jucu: Banda de Congo Mestre Honório, Banda de Congo Raízes da Barra, Grupo de Percussão de Santa Leopoldina Brasil Tambores e Dança Folclórica Alemã, de Domingos Martins. Terá também artesanato e oficina livre de renda de bilro.
2º DIA – Sexta-feira (5)
Os peregrinos saem da Barra do Jucu com destino ao segundo pernoite, em Setiba, em Guarapari. Total de 28 km.
– 6h30 – Missa aos peregrinos da caminhada na Igreja Nossa Senhora da Glória, na Praça da B. do Jucu;
– 7h00 – Concentração na Praça Pedro Valadares, na Barra do Jucu.
– 7h30 – Saída dos peregrinos que seguem em direção a Setiba.
– 12h00 a 16h00 – Chegada dos peregrinos na orla de Setiba, com programação cultural em frente ao Quiosque do Alemão.
3º DIA – Sábado (6)
Os peregrinos saem de Setiba com destino ao terceiro pernoite, em Meaípe, em Guarapari. Total de 24 km.
– 7h00 – Concentração na orla de Setiba, em frente ao Quiosque do Alemão.
– 7h30 – Saída dos peregrinos que seguem em direção a Meaípe.
– 12h00 a 16h00 – Chegada dos peregrinos na orla de Meaípe, com programação cultural na orla.
4º DIA – Domingo(7)
Os peregrinos saem de Meaípe com destino ao Santuário Nacional de São José de Anchieta, em Anchieta. Total de 23 km.
– 7h00 – Concentração na orla de Meaípe. – 7h30 – Saída dos peregrinos que seguem em direção a Anchieta.
– 11h00 a 16h00 – Chegada dos peregrinos no Santuário Nacional de São José de Anchieta, com programação cultural a partir das 12h e missa aos andarilhos às 10h30 e às 13h30.




