O Espírito Santo, maior produtor brasileiro de café conilon, vai receber em agosto um encontro voltado às transformações do mercado cafeeiro mundial. Em meio a mudanças climáticas, conflitos internacionais e novas exigências comerciais, o Vitória Coffee Summit 2026 pretende reunir especialistas, produtores, exportadores e lideranças do setor para discutir os impactos desse cenário na produção e nos negócios ligados ao café.
O evento será realizado nos dias 20 e 21 de agosto, no Cais das Artes, em Vitória, e marca os 80 anos do Centro do Comércio do Café de Vitória (CCCV). A programação contará com palestras, workshops e debates sobre temas como inteligência de mercado, sustentabilidade, gestão, inovação, preços e tendências de consumo.
Segundo o CCCV, a proposta é ampliar a discussão sobre o futuro da cafeicultura em um momento considerado decisivo para o setor. Questões como oscilações cambiais, tensões geopolíticas, mudanças ambientais e custos de produção têm alterado a dinâmica do comércio internacional de café.
Responsável pela curadoria técnica do encontro, Marcus Magalhães afirma que o mercado passa por uma mudança estrutural. “O café vive um momento de transformação profunda. O mercado internacional mudou, o consumidor mudou e a dinâmica dos negócios também mudou. Hoje, não basta produzir bem. É preciso compreender cenários, antecipar movimentos e construir conexões estratégicas. O Vitória Coffee Summit vai promover esse ambiente de visão e preparação para o futuro”, disse.

Exportação e qualidade no centro das discussões
O avanço da produção de conilon no Espírito Santo também deve ganhar espaço nos debates do evento. A expectativa do setor é ampliar a presença do café capixaba no mercado externo nos próximos anos.
Presidente do CCCV, Fabrício Tristão destaca que uma das iniciativas em andamento envolve a substituição da lenha pelo gás natural no processo de secagem do café conilon. O projeto é desenvolvido em parceria com a ES Gás.
Segundo ele, a mudança pode contribuir para elevar a qualidade do produto exportado. “A etapa da secagem ainda representava um dos principais desafios para ganhos mais expressivos de qualidade na exportação. Com este projeto, damos um passo decisivo para superar essa barreira. A utilização do gás natural tem potencial para elevar significativamente o padrão do café capixaba, agregando valor, ampliando as oportunidades de exportação e fortalecendo a competitividade do nosso mercado”, afirmou.
Espírito Santo concentra produção e logística
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que a safra capixaba de 2026 deve alcançar 19 milhões de sacas, crescimento de 9% em relação ao ano passado. Desse total, cerca de 14,9 milhões de sacas são de café conilon, o equivalente a aproximadamente 67% de toda a produção nacional da variedade.
Já a produção de café arábica no Estado está estimada em 4,2 milhões de sacas, alta de 26,5% em comparação com 2025.
Além do volume produzido, o setor destaca a proximidade entre as regiões produtoras e o porto como uma das vantagens logísticas do Espírito Santo no mercado internacional. A avaliação é de que essa condição tem ampliado o interesse do comércio global pelo café capixaba.
Fundado em 1947, o CCCV atua na certificação de origem das exportações de café realizadas no Estado e também é responsável pela divulgação de estatísticas, cotações e cursos voltados à cadeia produtiva do setor.


