Valor em Foco
Os projetos que podem mudar o Espírito Santo
Foto de Valor em Foco

Valor em Foco

Valor em Foco é um espaço de conteúdo produzido pelos especialistas da Valor Investimentos, escritório da XP com mais de 20 anos de mercado e 40 mil clientes em todo o Brasil. Os artigos abordam o mercado financeiro, com foco na educação e na orientação dos leitores para a tomada de decisões no mundo dos investimentos, sempre com base nos acontecimentos e nas oportunidades do cenário econômico global.
Foto: Gemini

Existem projetos capazes de mudar a estrutura de toda uma nação ou estado, por permitir o desenvolvimento de novas atividades econômicas ou por impulsionar setores já estabelecidos. No caso capixaba, temos observado mudanças importantes nos últimos anos, como por exemplo a concessão da BR 101, que permitiu obras de duplicação e conservação da qualidade das estradas de norte a sul, e o Porto de Aracruz. Este último está diretamente conectado à Ferrovia Vitória-Minas, sendo tanto uma via de exportação de mercadorias produzidas em Minas ou no interior do Estado, quanto uma via de importação já que é projetado para receber grandes navios-contêiners. Essa combinação de estruturas é fundamental para consolidar o estado capixaba como hub logístico, e tornar a produção local mais competitiva a médio-longo prazo, já que com a reforma tributária, os incentivos fiscais perderão sua força. A empresa de carros elétricos GWM reconheceu essa oportunidade e escolheu uma área na região de Aracruz para construir sua nova unidade, a primeira montadora na história do Espírito Santo.

Existem, no entanto, novos projetos capazes de ampliar as vantagens logísticas em três frentes diferentes: Rodovia, ferrovia e um novo porto. Esse novo projeto rodoviário, será a duplicação da BR-262, que atravessa a região turística e agrícola conectando a capital Vitória a Minas Gerais. Esse trecho de 180 quilômetros é um desafio de engenharia pela complexidade do relevo, necessitando de vários viadutos, túneis e pontes para ser executado. O escoamento da produção poderá ser feito com maior segurança e em menor tempo, reduzindo o custo logístico. Essas condições também potencializarão um fluxo maior de visitantes, beneficiando o setor hoteleiro e agroturístico; sem contar os produtos mineiros que poderão usar essa via renovada.

O segundo projeto é a Ferrovia Vitória-Rio de 575 quilômetros, que conectará a Estrada de Ferro Vitória Minas (EFVM) a dois portos capixabas diferentes, e ao estado fluminense. A primeira parada está no polo industrial de Anchieta, que é o lar do complexo da Samarco; ela extrai a matéria prima em Minas Gerais, agrega valor localmente, e exporta pelo Porto de Ubu, em Anchieta. 

O traçado da ferrovia continua até o Porto Central, no sul do estado em Presidente Kennedy até o norte fluminense, com uma possível continuação Rio de Janeiro adentro. Ou seja, ao mesmo tempo que é um projeto de redução de custo de transporte para a produção local, que é um veículo logístico para conectar o Porto Central à malha ferroviária nacional, ele é um corredor interestadual. Por exemplo, o fluxo de rochas ornamentais do sul do Estado, fundamental para a economia local, é direcionado hoje para portos no Rio, todavia, se poderia encontrar um caminho mais curto dentro do Espírito Santo. Além do mais, essa nova malha ferroviária diversificaria o escopo do Porto de Anchieta que está  hoje operando basicamente no setor mineral. Todo esse projeto tem o potencial de movimentar mais de 20 milhões de toneladas por ano, desafogando significativamente os eixos rodoviários ao sul.

O último projeto é o já citado Porto Central, cuja proposta é ser um porto de águas profundas (25 metros de profundidade) com capacidade multimodal. O primeiro objetivo será atender ao setor de petróleo e gás que no estado está concentrado na parte sul via off-Shore; será realizado o transbordo de petróleo entre embarcações, conhecido como ship-to-ship, que tem de ser feito em outras regiões atualmente. Além disso, do ponto de vista regional a conexão com a ferrovia EF-118 abrirá as portas para outros setores escoarem suas produções por essa via, que será barata e moderna; e em termos mais amplos, esse porto capixaba pode se tornar destino de embarcações estrangeiras maiores, que a partir do estado distribuirão as cargas via cabotagem para as demais regiões.

Concluindo, os três projetos são estruturantes e poderão alçar o estado do Espírito Santo a outro patamar econômico, com uma infraestrutura moderna e competitiva, impulsionando as empresas locais e atraindo novos empreendimentos.


Sobre o autor

Foto: Divulgação

 

 

Mateus Rios é formado em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo. Atua como assessor de investimentos na Valor Investimentos.

Leia também

Para melhorar a sua navegação, nós utilizamos Cookies e tecnologias semelhantes.
Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Política de Privacidade