Tonturas, quedas e reações inesperadas podem ser sinais de intoxicação causada pelo uso incorreto de medicamentos. O alerta ganhou força neste mês, durante o Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos, após o Ministério da Saúde reforçar os riscos da automedicação e do consumo inadequado de remédios.
No Espírito Santo, os medicamentos lideram os registros de intoxicação atendidos pelo Centro de Informação e Assistência Toxicológica do Espírito Santo, o Ciatox-ES. Somente em 2025, já foram contabilizados mais de oito mil casos de exposições e intoxicações por medicamentos.
Segundo especialistas, crianças e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis. Entre crianças, os casos geralmente acontecem por ingestão acidental. Já entre idosos, o risco aumenta com o uso simultâneo de vários medicamentos e a falta de acompanhamento adequado.
Idosos têm maior risco de reações
O geriatra e superintendente de Medicina Preventiva da MedSênior, Roni Mukamal, explica que o envelhecimento altera a forma como o organismo reage aos medicamentos.
“O envelhecimento altera a forma como o organismo processa os medicamentos, tornando os pacientes mais suscetíveis a reações adversas. Com o avanço da idade, funções como a renal e a hepática tendem a diminuir, o que interfere diretamente na metabolização dos medicamentos e aumenta o risco de efeitos colaterais”, afirma.
Segundo o médico, o uso de diferentes medicamentos ao mesmo tempo pode provocar tonturas, desequilíbrios e quedas.
“Muitos idosos convivem com doenças crônicas e acabam utilizando diversas medicações simultaneamente. Isso aumenta o risco de interações medicamentosas, tonturas, quedas e até internações”, alerta.
Automedicação pode mascarar doenças
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a OMS, o uso racional de medicamentos envolve tomar o remédio correto, na dose adequada, pelo tempo indicado e com acompanhamento profissional.
O farmacêutico Thiago de Melo afirma que muitas pessoas ainda tratam medicamentos como soluções simples e imediatas, sem avaliar os riscos envolvidos.
“Muitas pessoas enxergam o medicamento como uma solução rápida e simples, sem considerar possíveis interações, efeitos colaterais ou até o risco de mascarar sintomas de doenças mais graves”, explica.
O especialista também chama atenção para a combinação de remédios com bebidas alcoólicas, suplementos e determinados alimentos.
“Há substâncias que podem perder eficácia dependendo da forma como são ingeridas. Em alguns casos, alimentos e bebidas interferem diretamente na absorção do medicamento ou podem potencializar alguns efeitos adversos”, destaca.
Outro problema apontado pelo farmacêutico é a chamada “cascata de prescrição”, quando um efeito colateral provocado por um medicamento acaba sendo confundido com uma nova doença.
“Um erro inicial pode desencadear uma sequência de prescrições desnecessárias e aumentar ainda mais os riscos ao paciente”, afirma.
Especialistas orientam que medicamentos sejam utilizados apenas com orientação profissional e mantidos fora do alcance de crianças.


