Em 20 de janeiro de 2026, a National Geographic dos Estados Unidos publicou o artigo “The average attention span has shrunk to roughly 40 seconds. Here’s how to get it back”, assinado por Vittoria Traverso. O texto parte de um dado preocupante: ao longo das últimas duas décadas, o tempo médio que uma pessoa consegue manter o foco em uma única tarefa caiu de cerca de dois minutos e meio para aproximadamente 40 segundos. Embora as pessoas não tenham perdido a capacidade de atenção de forma definitiva, passaram a interrompê-la com muito mais frequência e, no mundo corporativo, isso significa maior desgaste mental, mais risco de erros e, consequentemente, queda de produtividade.
A atenção sustentada é a base de qualquer atividade que exija raciocínio. Quanto maior a complexidade da análise e do processo decisório, maior a concentração exigida. Ocorre que a maioria das tarefas profissionais demanda mais de 40 segundos para ser concluída. Assim, quando o foco se rompe antes do término de uma atividade, o trabalho fica fragmentado. E essa fragmentação gera retrabalho, aumenta o tempo total de execução e eleva os níveis de estresse. Na raiz do problema se encontram a hiperconectividade e ambientes de trabalho que levam a interrupções constantes e dificultam a permanência em uma única atividade. Em outras palavras, há uma correlação entre a queda da atenção e o excesso de exposição a diferentes estímulos.
Além disso, o texto da National Geographic reforça que o cérebro humano não consegue executar várias tarefas complexas ao mesmo tempo. De acordo com a publicação, o que chamam de multitarefa é, na verdade, uma troca rápida de foco entre atividades diferentes. Como cada mudança exige um “custo mental”, o cérebro precisa constantemente se reajustar, o que consome energia e reduz a qualidade da atenção. Esse processo explica por que alternar tarefas de forma contínua aumenta o cansaço e diminui a eficiência, mesmo quando a pessoa acredita estar “ganhando tempo”.
No ambiente de trabalho, a redução da capacidade de atenção cobra um preço alto, pois a alternância constante entre e-mails, mensagens, ligações, reuniões e demandas paralelas intensifica o desgaste mental. Com a mente sobrecarregada, cresce o risco de erros que podem levar a falhas de julgamento e decisões precipitadas. Além disso, o desgaste mental gerado por essa dinâmica cria um ciclo negativo, uma vez que, quanto maior o cansaço, menor a capacidade de manter o foco, o que afeta a qualidade do trabalho entregue.
Por outro lado, o artigo destaca que essa tendência não é irreversível. Nesse sentido, os pesquisadores consultados recomendam a adoção de algumas estratégicas simples para fortalecer o foco. Entre essas práticas, a publicação menciona: (i) identificar as horas do dia de maior produtividade e planejar a execução das tarefas mais complexas nesses momentos, com o cuidado ainda de minimizar as interrupções, especialmente por meio do silenciamento de notificações, (ii) programar momentos curtos de descanso ao longo dia, para descanso mental, e (iii) exercícios curtos e regulares de mindfulness, com foco na respiração. Para os pesquisadores, a atenção funciona como um músculo, no sentido de que, quanto mais treinada, maior a sua força.
A queda acentuada da capacidade de atenção não é um mero “detalhe”, mas um dos grandes desafios da vida profissional, pois repercute diretamente na qualidade do trabalho e no desempenho profissional. Portanto, a recuperação da atenção não é uma questão de preferência pessoal, mas de estratégia, porque profissionais que adotarem práticas para fortalecer o foco e empresas que incentivarem esses hábitos para seus colaboradores estarão mais preparados para alcançar resultados consistentes em cenários cada vez mais exigentes. Afinal, produtividade e sucesso estão intrinsecamente relacionados à capacidade de concentração.
Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, a opinião do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo.
Sobre o autor
Hugo Schneider Côgo é advogado especialista em direito tributário pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários, executivo de negócios no Martinelli Advogados e vice-presidente do IBEF Academy.






