Dirigentes do PDT lançaram Sérgio Vidigal como possível candidato a vice-governador de Ricardo Ferraço (MDB) e se mostram bem animados com a ideia. Quem não mostra o mesmo entusiasmo é o próprio Vidigal. Em conversa com a coluna, ele sinaliza que não está tão a fim de concorrer a uma nova eleição, como candidato a vice, a menos que isso se revele “imprescindível” para ajudar Ricardo a se reeleger.
Vidigal indica que prefere se manter fiel à resolução anunciada por ele em 2024 de não disputar mais mandatos e que só deixou a direção estadual do PDT colocar seu nome para jogo como uma forma de o partido se valorizar nas negociações eleitorais dentro do grupo encabeçado por Ricardo.
FRASE: Tenho disposição de rever minha posição se for comprovado que minha participação é imprescindível para a gente ganhar a eleição. Mas meu desejo pessoal é manter minha decisão. Não vou brigar nem trabalhar por isso.”
Na verdade, uma segunda hipótese deixa Vidigal muito mais entusiasmado: é a de que seu filho Serginho Vidigal seja o companheiro de chapa de Ricardo. Serginho, ele sim, entrou na relação de possíveis candidatos a vice-governador do emedebista apresentada por nós aqui no último dia 15.
Estreante nas urnas este ano – a princípio, disputando uma vaga de deputado federal pelo Podemos –, o oftalmologista e herdeiro do casal Vidigal preenche alguns pré-requisitos que seriam interessantes para Ricardo em um complemento de chapa: é jovem, evangélico, tem a “marca política” Vidigal e, por extensão do pai, tem reduto eleitoral na Serra, município mais populoso e maior colégio eleitoral do Espírito Santo.
Vidigal não nega gostar da ideia de ver Serginho eventualmente completando a chapa de Ricardo:
“Posso ser honesto com você? Meu filho, na minha visão, sob o ponto de vista de contribuir nessa posição, contribuiria até mais que eu. Ele é novo, queira ou não queira também é da Serra, é do meu grupo político, faz parte diretamente do meu projeto… Acho que hoje o grande desafio da eleição dos candidatos a governador é performar bem na Grande Vitória. Acho que Serginho é um bom perfil para o Ricardo.”
Por outro lado, ressalta Vidigal, é importante para ele e o seu grupo a eleição de mandatários que defendam o seu projeto político na Serra, na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, até porque, nesses dois espaços, adversários dele também brigarão por lugares ao sol. É o caso do ex-prefeito Audifax Barcelos, pré-candidato a deputado estadual pelo PP, e do deputado estadual Pablo Muribeca (Republicanos).
Por isso, talvez seja mais conveniente, para o próprio ex-prefeito, a eventual chegada do filho à Câmara Federal – ainda que por outra legenda (o Podemos), e não pelo PDT. Aliás, para o próprio Vidigal e também para o seu sucessor e aliado, Weverson Meireles. “O Weverson precisa ter aliados dele na Serra com mandatos proporcionais.”
Retrospectiva
Quanto a não se animar tanto em se candidatar a vice-governador, Vidigal recapitula a decisão pessoal de não disputar mais mandatos, anunciada em março de 2024, quando decidiu apoiar a eleição de Weverson, em vez de disputar a reeleição (conforme poderia, se o quisesse).
“Naquela oportunidade, meu argumento, que te falei, foi que, pela minha vontade pessoal, eu tinha encerrado minha participação em eleições, no sentido de não disputar mais cargos eletivos. Eu não mudei a minha posição. Essa decisão de mantém.”
Na verdade, Vidigal chegou a dizer àquela altura que, uma vez encerrado seu último mandato de prefeito, em dezembro de 2024, ele pretendia voltar a exercer a medicina, atendendo a pacientes psiquiátricos (sua especialidade).
Esse projeto foi adiado, embora temporariamente: de fevereiro a julho de 2025, aceitando um convite de Ricardo e Casagrande, ele teve uma breve experiência como secretário estadual de Desenvolvimento. Logo depois, voltou mesmo a clinicar, como prestador de serviços contratado pela Prefeitura da Serra para atender em unidades de saúde.
Entre o fim de 2024 e os primeiros meses de 2025, Casagrande e Ricardo chegaram a incluir Vidigal, em entrevistas, em listas de possíveis candidatos a governador representando esse mesmo grupo (no qual Ricardo prevaleceu). Mas o próprio ex-prefeito nunca fez movimento algum visando ser candidato ao Palácio Anchieta. Anunciou apoio a Ricardo em meados de 2025, meses antes de Casagrande o confirmar como seu candidato à sucessão.
Até que, recentemente, espocaram algumas manifestações de dirigentes pedetistas bastante empolgados com a ideia de verem Vidigal candidato a vice-governador… o que levou o próprio Vidigal a intervir para organizar o coreto em seu partido.
Segurando um pouco a empolgação dos mais empolgados, ele diz que só será candidato a vice se for convencido, muito bem convencido, de que isso é “justificável” e “imprescindível” para a vitória de Ricardo. Do contrário, o ajudará de outras maneiras, como cabo eleitoral na Serra.
“O que de fato aconteceu foi que o PDT começou a ter algumas manifestações isoladas de alguns companheiros. Então solicitei ao partido uma reunião, para não ficar todo mundo falando um monte de coisas sem eu ter conhecimento e sem terem combinado comigo. O que falei na reunião do PDT e gostaria de reafirmar é o seguinte: se porventura a minha experiência de gestor, os resultados da Serra e as pesquisas mostrarem que eleitoralmente sou imprescindível para compor a chapa, eu posso reavaliar a minha decisão tomada há dois anos. A missão é nobre, tenho o maior respeito pelo Ricardo, é o quadro mais preparado para governar o Espírito Santo, e é uma honra ser lembrado para compor uma chapa com ele… Mas meu desejo e minha vontade pessoal é a de não participar mais de processo eleitoral como candidato”, diz Vidigal.
“Se houver um apelo por parte dos aliados, se mostrarem a importância da nossa participação, baseada nos resultados que a cidade da Serra teve, e se eu for imprescindível no processo eleitoral, eu posso e vou reavaliar minha decisão. Mas minha decisão pessoal, desde lá de trás, é a de que eu não iria mais participar. Um bom solado não pode fugir da luta, então, se isso for realmente justificável, assumo o compromisso de reavaliar com minha família.”
Vidigal diz não ver sentido em ocupar o posto de vice “para poder contemplar a participação do PDT em um segundo governo de Ricardo”. Diz, ainda, que estará na campanha de Ricardo independentemente de lugar na chapa: “Estarei na campanha dele”.
Tanto que, após nove meses matando a saudade de exercitar a psiquiatria, ele voltará a dar um tempo para poder se dedicar exclusivamente à campanha de Ricardo, do filho Serginho e de outros aliados. Para isso, diz já ter feito contato com dois colegas da mesma especialidade médica, a fim de lhes transferir os seus muitos pacientes – pelas contas dele, foram 2,5 mil atendimentos ao longo desses nove meses.
A partir do momento que se desligar dos compromissos médicos, garante Vidigal, ele passará a comparecer ao lado de Ricardo e do prefeito Weverson em atos de pré-campanha no município governado por ele por quatro mandatos, como corpo a corpo em feiras livres e esse tipo de coisa.