Um par de brincos pode ir além da estética. No trabalho da professora Aislane Martins, 46 anos, ele carrega território, memória e também caminhos possíveis pelo Espírito Santo. Criadora da marca Ais Arte, lançada em 2024, ela transforma cidades capixabas em peças feitas à mão, inspiradas em símbolos, paisagens e referências locais.
A ideia surgiu a partir de uma experiência pessoal. “Eu tinha o sonho de conhecer Itaúna. Fui pela primeira vez no festival de forró e pensei: vou fazer um brinco para homenagear Itaúnas”, conta. O gesto virou projeto. “A partir disso, pensei: por que não criar um brinco para cada cidade do estado?”
Hoje, a coleção reúne 20 municípios e funciona também como uma forma de olhar o estado sob outro ângulo, com peças que remetem a pontos turísticos, elementos culturais e características marcantes de cada lugar.
Entre pesquisa e vivência
Cada brinco nasce de pesquisa, mas não só. Aislane busca referências em sites de prefeituras, materiais de turismo e no próprio repertório como professora de arte. “Eu tenho essa preocupação de ter fundamento. Trabalho com iconografia e patrimônio capixaba, isso já faz parte da minha rotina.”
Nas feiras, o público ajuda a ampliar esse repertório. “As pessoas vão trazendo informações que mudam a peça”, diz. Foi assim com Linhares. “Eu só pensava na Lagoa Juparanã, mas uma moradora me falou do cacau. Essa troca muda tudo.”
Do esboço à peça
O processo criativo começa no papel. Aislane desenha, testa formas e considera os limites do material antes de modelar. “Tenho limitações enquanto artista e a massa também tem as dela”, afirma.
Nem sempre o caminho foi direto. O brinco inspirado no Convento da Penha, em Vila Velha, levou meses até chegar ao resultado final. A criadora contou que passou cinco meses tentando desenvolver a peça sem ficar satisfeita e que acabou encontrando a solução em poucos minutos, ao apostar em uma ideia mais simples e fora do óbvio.
Feitas com argila polimérica, as peças são artesanais e não se repetem. “Cada uma é única.”
Do início à coleção
A relação com os acessórios começou em 1999, quando ela produzia bijuterias em casa. “Era por gosto pessoal, com peças de montagem, e fui criando uma clientela entre amigos e familiares.”
Durante a graduação em Artes Visuais na Universidade Federal do Espírito Santo, surgiu o interesse pelas joias de porcelana, mas o alto custo do material a levou a buscar outro caminho. Ela contou que, em 2019, encontrou a argila polimérica, considerada mais acessível e que permitiu a criação de peças exclusivas.
Onde encontrar
As peças são vendidas principalmente em feiras e eventos culturais na Grande Vitória, como o Zepelim Criativo, do Instituto Fênix, e o Movimento Prainha Vive, além de outras feiras de artesanato.
Neste sábado (9), ela participa do GastaFest, em Cariacica, com exposição das peças durante a tarde.
A coleção segue crescendo, reunindo cidades, histórias e referências que ajudam a contar o Espírito Santo a partir de quem vive e circula por ele.







