A reta final da Eredivisie, principal liga de futebol dos Países Baixos, pode sofrer um abalo significativo após a revelação de que diversos jogadores estariam atuando sem visto de trabalho válido. O episódio, que ficou conhecido como “Paspoortgate”, surge a três rodadas do fim da competição, já com o PSV Eindhoven confirmado como campeão.
A controvérsia envolve atletas nascidos na Holanda que optaram por se naturalizar para defender outras seleções nacionais. De acordo com a legislação holandesa, ao adquirir uma nova nacionalidade, o jogador perde automaticamente o passaporte local, passando a necessitar de autorização de trabalho para atuar profissionalmente no país.
Denúncia partiu do NAC Breda
O caso ganhou repercussão após o NAC Breda ingressar com uma ação judicial questionando a regularidade do Go Ahead Eagles, que venceu a equipe por 6 a 0. O clube alega que o jogador Dean James, nascido na Holanda e naturalizado indonésio, teria sido escalado de forma irregular.
Segundo a argumentação apresentada, a ausência de visto de trabalho tornaria o atleta inelegível para atuar. “Não se trata de sentimentos, é uma regra simples. Trata-se de escalar um jogador inelegível”, afirmou o advogado do NAC Breda durante audiência preliminar.
Outros clubes e jogadores envolvidos
O caso não é isolado. Investigações da emissora pública NOS indicam que ao menos 13 jogadores da Eredivisie podem estar na mesma situação. Entre as seleções envolvidas estão Suriname, Indonésia, Cabo Verde, Togo e Trinidad e Tobago.
Diante do cenário, clubes como NEC Nijmegen e FC Groningen já se anteciparam e afastaram atletas que poderiam estar em situação irregular de seus elencos e treinamentos.
Além disso, equipes como Ajax, Feyenoord, Telstar, FC Volendam, Heracles Almelo e TOP Oss também aderiram à ação iniciada pelo NAC Breda.
Impacto pode atingir mais da metade dos jogos
De acordo com especialistas em direito desportivo, a situação pode ter efeitos amplos sobre a competição. Estima-se que o problema envolva até 133 partidas da Eredivisie, o que representa mais da metade dos jogos da temporada.
A presidente da KNVB, Marianne van Leeuwen, alertou para as consequências de uma possível revisão dos resultados.
Segundo ela, a eventual necessidade de remarcação de partidas ou revisão de resultados pode causar um grande impacto na credibilidade da liga. “A liga sofreria um duro golpe em sua imagem. As partidas deveriam ser decididas em campo, não nos tribunais. Isso afeta quase todos os clubes. Será um caos”, declarou.
Debate jurídico e esportivo
Especialistas apontam que a questão envolve uma interpretação direta da legislação trabalhista e de cidadania dos Países Baixos. Jogadores com passaporte de fora da União Europeia precisam de autorização específica para atuar profissionalmente no país, o que pode não ter sido regularizado em todos os casos.
O desdobramento do “Paspoortgate” pode influenciar não apenas a classificação final da Eredivisie, mas também gerar precedentes jurídicos relevantes para o futebol europeu, especialmente em relação à naturalização de atletas e suas implicações legais.


