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Conflito no PL: Gilvan tira cargo de Dárcio Bracarense na Câmara

Notório desafeto do vereador, Gilvan substituiu Dárcio por Armandinho Fontoura no cargo de líder do PL na Câmara de Vitória. É a prova cabal de que relacionamento entre os dois bateu no fundo do poço. Saiba aqui o contexto

Escrito por Vitor Vogas

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Gilvan da Federal e Dárcio Bracarense são desafetos no PL
Gilvan da Federal e Dárcio Bracarense são desafetos no PL

Como presidente do Partido Liberal (PL) em Vitória, o deputado federal Gilvan da Federal tomou, nesta quarta-feira (29), uma atitude que revela seu grau de insatisfação com o vereador Dárcio Bracarense: tirou-o do cargo de líder do partido na Câmara Municipal de Vitória. Em ofício enviado ao presidente da Câmara, Anderson Goggi (Rep), Gilvan comunicou a substituição de Dárcio na função pelo outro vereador do PL na Casa de Leis: Armandinho Fontoura.

O próprio Armandinho, novo líder, foi pego de surpresa pela decisão, informada a ele não por Gilvan, mas pelo presidente Anderson Goggi, após o recebimento do ofício.

Dentro do PL, não é de hoje que Gilvan e Dárcio são notórios desafetos, já tendo mantido alguns desentendimentos públicos, além de um relacionamento bem ruim nos bastidores, desde as eleições de 2022. Naquele pleito, ambos foram candidatos a deputado federal pelo PL, com Gilvan eleito e Dárcio não. Dois anos depois, o discípulo de Olavo de Carvalho elegeu-se vereador de Vitória.

Um exemplo de desentendimento público se deu em dezembro do ano passado: àquela altura, em entrevista à coluna, Gilvan defendeu que o PL filiasse e lançasse o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PSD) ao Governo do Estado. Dárcio defendeu que o partido deveria lançar o próprio Magno Malta, presidente estadual do PL.

Gilvan já fez até post no Instagram acusando Dárcio de ter plantado matéria contra ele em um blog e insinuando que o vereador teria atributos como “deslealdade”, “igratidão”. “Pra ele, ninguém presta. Fala mal de todo mundo. […] Espero que o vereador pare pra pensar e pare de causar intrigas”, declarou, então, o deputado.

Segundo uma fonte do PL, a substituição de Dárcio na liderança também ocorre num momento em que o partido da direita bolsonarista ensaia uma aproximação com o Republicanos de Lorenzo Pazolini, a qual, em tese, pode evoluir para uma aliança eleitoral em torno da candidatura do ex-prefeito de Vitória a governador.

Na Câmara de Vitória, Dárcio se posiciona, desde o início do mandato, como opositor e crítico a Pazolini – diferentemente de Armandinho, novo líder do PL, que é aliado do ex-prefeito e, agora, da prefeita Cris Samorini (PP), sucessora dele no cargo.

Para setores do PL, essa postura de Dárcio não agrega num momento em que forças da direita mais conservadora avaliam construir uma unidade tática possível para a próxima eleição estadual.

Na prática, a mudança do líder do partido na Câmara de Vitória não altera muita coisa. Como líder, Armandinho passará a ter o direito de participar das reuniões do Colégio de Líderes, indicar membros de comissões, falar nos momentos das sessões reservados às lideranças, entre outras prerrogativas.

Mas a substituição tem peso mais simbólico. Não deixa dúvida quanto à deterioração do relacionamento político de Gilvan com Dárcio e quanto à existência de cisões entre os principais representantes da sigla dos Bolsonaro no Espírito Santo.

Em nota (já assinando como líder do PL), Armandinho disse assumir a função com honra, responsabilidade e determinação. “É uma honra suceder o vereador Dárcio Bracarense, um líder combativo e qualificado.”

Gilvan preferiu exaltar as qualificações de Armandinho (com quem nutre bem melhore relação): “É um parlamentar preparado, foi preso injustamente e merece essa oportunidade”.

Dárcio atenuou o fato:

“A minha indicação à liderança não foi nem uma indicação. Eu peguei a delegação com o senador Magno Malta naquele momento de transição, quando Gilvan ainda não tinha assumido o diretório municipal de Vitória. E peguei essa indicação para poder conduzir os trabalhos em relação à composição das comissões. Depois disso, sempre dividi o tempo de liderança com o Armando. Isso nunca foi determinante. E, obviamente, Gilvan e Armandinho sempre foram próximos e tiveram projetos juntos. E é natural que ele queira que o Armandinho o represente. Está tudo normal. Não tem dificuldade nenhuma. Isso faz parte. Liderança muda”.

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