Além do Divã
Conheça os três tipos de amor (eros, philia e agapé)
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Alexandre Vieira Brito

Alexandre Vieira Brito é psicólogo e mestre em Psicologia Institucional pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Possui especialização em Filosofia e Psicanálise pela Ufes, bem como em Políticas Públicas e Socioeducação pela Universidade de Brasília (UnB). Possui experiência em saúde mental, formação profissional, políticas públicas e socioeducação. Realiza atendimento clínico desde 2010. Também é professor universitário e palestrante, articulando a psicologia em suas interfaces com outros saberes.
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Caso pudéssemos dividir o amor em três formas de amar, poderíamos recorrer à eros, philia e agapé. Seriam, respectivamente, o amor desejante, o amor virtuoso e o amor incondicional. No entanto, alguém poderia reivindicar para si outras tantas formas exclusivas e singulares de amar, afirmando que essas três opções seriam insuficientes para nomear suas experiências. Aliás, alguns sequer acreditam que a palavra amor poderia nomear o que uma experiência com o outro pode lhes proporcionar. Portanto, acredito ser mais prudente deixar os amores de cada um para cada um e apresentar apenas algumas formas, tão trágicas quanto poéticas, de amar.

A primeira seria justamente a identidade entre o famoso desejo platônico e o amor (eros),  em que amar = desejar. O desejo platônico diz respeito à carência, em que desejamos aquilo que não temos, numa relação tão distante quanto desejante. Trata-se de um desejo repleto de idealização, pois sua condição de existência é a ausência. Neste caso, quando finalmente há o encontro entre desejo e desejado, o amor acaba morrendo. E isso faz com que comece a brotar um novo amor para um outro alguém. No amor platônico, portanto,  a admiração, a sedução e as preliminares são mais importantes do que a realização.

Em contrapartida, o amor aristotélico (philia) é um amor na presença, com mais reciprocidade e aperfeiçoamento das virtudes dos parceiros envolvidos. O cuidado de si e do outro é a riqueza desse encontro. Eis uma união coroada com um laço agradável e duradouro. Duradouro justamente por não haver hierarquia, pois numa tirania não há amores ou amizades, apenas desconfianças, interesses e ameaças. Philia, enfim, pode ser traduzido como um amor da convivência que deseja o bem ao outro e que extrai prazer da companhia.

O terceiro amor (agapé) seria a forma mais rara, pois tem natureza incondicional. O que isso quer dizer? Significa que é um amor pela humanidade, independente das circunstâncias, pois é um amor benevolente e não-egoísta. Não exige, necessariamente, uma ausência desejada (platônico) ou uma presença alegradora (philia), mas fazer o bem e ajudar o próximo sem a esperança de boas consequências para si mesmo, como encontramos na história de Jesus.

São três modos de amar que não são excludentes entre si, mas que podem ser experimentados pela mesma pessoa em diversos momentos. Suas variações são incalculáveis, o que faz de cada amor um novo amor. Vale ressaltar que esses amores entram em acordos e desacordos, lembrando que cordis significa coração e a palavra ‘acordo’ é uma variação de concordar, que significa “corações juntos”. Seja na ausência carente, na presença alegre ou na benevolência, os amores dão contrastes aos (des)encontros da vida.

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