O bombeiro militar Sérgio de Assis Lopes foi candidato pela primeira vez em 2018. Com o nome de urna Subtenente Assis, sua patente àquela altura, concorreu a um lugar de senador pelo Espírito Santo, pelo Partido Social Liberal (PSL). Depois disso, disputou outros três mandatos, e seu nome de urna mudou, acompanhando a evolução de patente. Em 2020, foi candidato a prefeito de Cariacica, pelo PTB, ainda como Subtenente Assis. Em 2022, candidatou-se a deputado federal pelo PTB, já com o nome de urna Tenente Assis. Em 2024, disputou vaga na Câmara de Cariacica pelo PP, mantendo o Tenente Assis.
Agora, na expectativa de ser promovido a capitão no próximo mês, ele se prepara para tentar novamente chegar à Câmara dos Deputados, com o nome de urna Capitão Assis. Mas dessa vez a mudança não é só no nome de urna. Como o próprio Assis havia declarado ao colunista há pouco tempo, ele estava propenso a ser candidato a federal pelo União Brasil, partido presidido no Espírito Santo por Marcelo Santos e na base de apoio do governador Ricardo Ferraço (MDB). Mudou de ideia, porém.
Nesta quinta-feira (23), Assis anunciou duas decisões: será candidato a deputado federal pelo Republicanos, partido de Lorenzo Pazolini; e, na eleição para governador, apoiará o ex-prefeito de Vitória.
“Respeito as outras candidaturas, mas entendo que, neste momento, a candidatura de Pazolini é o melhor projeto para o Espírito Santo. Ele está dentro do campo ideológico que defendo, que é o campo de direita. O PL não tem candidatura a governador posta hoje. O Pazolini é o candidato que mais se aproxima da direita hoje”, justifica Assis.
Além do fator ideológico, ele destaca a correlação profissional com Pazolini pelo fato de ambos serem agentes de forças estaduais de segurança. Enquanto Assis é bombeiro militar, atualmente lotado na Defesa Civil Estadual, o ex-prefeito de Vitória é delegado da Polícia Civil (atualmente em gozo de licença-prêmio de três meses).
“Decidi apoiar o Pazolini também pelo trabalho que ele realizou na segurança pública em Vitória e por ser um profissional de segurança, como eu. Precisamos de um gestor que tenha esse carinho e esse olhar diferenciado para a segurança”, explica o futuro capitão dos Bombeiros.
Segundo Assis, o primeiro contato com ele para tratar do processo eleitoral foi realizado pelo presidente estadual do Republicanos, Erick Musso. Feita essa aproximação, na manhã desta quinta-feira (23), os dois tomaram um café com Pazolini, e Assis tomou suas decisões.
Na chapa do Republicanos para a Câmara dos Deputados, o bombeiro bolsonarista se juntará ao próprio Erick, ao deputado federal Evair de Melo (filiado ao partido em março), à ex-deputada federal Soraya Manato e ao ex-secretário estadual de Segurança Pública Coronel Ramalho, entre outros pré-candidatos.
Com as desfiliações de Amaro Neto (agora no PP) e Messias Donato (agora no União) em março, o deputado estadual Pablo Muribeca chegou a “subir” para fortalecer a chapa de federais do Republicanos. Mas, com a chegada de Evair e, agora, de Assis, é possível que Muribeca volte ao seu plano original: candidatar-se à reeleição na Assembleia Legislativa.
Assis diz acreditar que essa chapa do Republicanos fará pelo menos dois deputados federais no Espírito Santo.
Boa votação em 2022
Diga-se de passagem, Assis é, potencialmente, um reforço importante para a referida chapa. Na última eleição a deputado federal, em 2022, ele obteve 58.887 votos. Individualmente, foi o 9º candidato mais votado, em um estado que elege 10 federais. Mas a chapa do PTB, seu partido naquele pleito, não atingiu o quociente eleitoral e assim não teve direito a nenhuma cadeira.
Por outro lado, dois anos depois, ele sofreu seu pior revés nas urnas: na tentativa de chegar à Câmara de Cariacica, teve apenas 1.985 votos e nãos e tornou vereador.
Como servidor de carreira, Assis vai se licenciar das funções nos Bombeiros no dia 3 de julho – limite do prazo legal. Como militar da ativa, só precisa se filiar ao Republicanos na convenção partidária (entre 20 de julho e 5 de agosto) e durante o processo eleitoral. Se ele for eleito, continua no partido. Do contrário, o vínculo legal é desfeito logo após a campanha.
Assis também explica por que ele decidiu mudar do palanque do União Brasil (que está com Ricardo Ferraço) para o do Republicanos e, consequentemente, de Pazolini.
“Ainda não havia uma definição a respeito da candidatura de Pazolini. Nada contra o Marcelo Santos nem contra nenhuma liderança que está do outro lado. Mas, dentro do espectro que defendo, Pazolini com certeza é o melhor para o Espírito Santo”, reitera.
Antes de migrar para o bloco de Pazolini, Assis chegou a manter proximidade política com dois dos principais aliados políticos de Ricardo Ferraço: Euclério Sampaio (MDB) e Marcelo Santos.
Em 2024, ele declaradamente apoiou a reeleição do prefeito de Cariacica. Em 2025, a convite de Marcelo e sob a presidência dele, foi supervisor de Inteligência da Ales, mas por muito pouco tempo: somente de outubro a dezembro.
Já sob a presidência de Erick Musso na Ales, entre 2019 e 2020, Assis foi diretor da Polícia Legislativa.
E se o PL tiver candidato ao Palácio Anchieta?
Desde que surgiu na cena política capixaba, Assis sempre foi um leal apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Como ele mesmo disse acima, ao explicar o apoio a Pazolini, “o PL não tem candidatura a governador posta hoje”.
Sublinhando o advérbio de tempo que ele mesmo usou, perguntamos a Assis: e se amanhã o PL, sigla de Bolsonaro, lançar um candidato a governador no Espírito Santo?
A hipótese foi aventada até pelo presidenciável Flávio Bolsonaro em sua última visita a Vitória, ao lado do senador Magno Malta (presidente estadual do PL), em dezembro passado.
Em resposta, Assis firma o pé: diz que sua posição de apoio a Pazolini é definitiva, mesmo que o PL opte por ter candidato próprio em vez de apoiar o ex-prefeito de Vitória (segunda hipótese na mesa da sigla de Magno).
“Não volto atrás. Se o PL tiver candidato próprio, vou respeitar, mas esse é o compromisso que firmei com Pazolini.”
E quanto ao Senado? Quem ele apoiará? “Assim que tiver a definição de candidatos a senadores de direita, vou me posicionar”, responde o militar.
“Trocação”
Os agrupamentos políticos de Pazolini e de Ricardo Ferraço estão na “trocação” desde meados de março: cada lado está “levando” aliados do outro, ou “potenciais aliados” (como era o caso de Assis).
Duelo de bombeiros
Tenente Assis com Pazolini; Capitã Andresa com Ricardo…
Errata
Inicialmente, havíamos publicado que Assis até hoje disputou três eleições (deixando de fora a última, para vereador de Cariacica). A informação foi corrigida e o texto, atualizado, como se lê acima.