O boxeador capixaba Esquiva Falcão confirmou que vendeu sua medalha de prata conquistada nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. A negociação, que já foi concluída, marca o fim de um ciclo de 14 anos com o objeto que simboliza o maior feito de sua carreira no boxe amador.
Apesar de o valor da transação não ter sido revelado devido a cláusulas de confidencialidade, o atleta afirmou que a decisão não foi apenas motivada por dificuldades financeiras. Segundo Esquiva, o montante será destinado a planos pessoais e ao investimento em sua própria academia, visando garantir estabilidade financeira para sua família em um espaço definitivo.
“Decisão que doeu”
Em um desabafo emocionante, o pugilista não escondeu a tristeza ao se desfazer do item.
“Me despeço de um símbolo da minha vida. Muito mais do que metal, ela representa a luta de um menino sonhador, anos de treino, renúncia e disciplina. Estou muito triste. Essa decisão que tomei doeu muito, pois ela faz parte da minha história”, declarou o boxeador.
Críticas à falta de apoio no esporte
A venda da medalha também trouxe à tona uma reflexão crítica de Esquiva sobre o cenário do esporte de alto rendimento no Brasil. O atleta pontuou que a necessidade de se desfazer de um patrimônio histórico evidencia as dificuldades enfrentadas pelos competidores nacionais.
O atleta destacou que muitos esportistas não recebem a valorização proporcional ao esforço dedicado. Esquiva citou o tempo longe da família e as dores físicas e emocionais suportadas durante a carreira. Segundo ele, mesmo após chegar ao pódio olímpico, o apoio financeiro e estrutural muitas vezes é insuficiente para manter a estabilidade a longo prazo.
Mesmo com a venda do objeto ao novo dono, Esquiva fez questão de ressaltar que o legado permanece intacto: “Vender a medalha não apaga a minha história”, concluiu.
O comprador não teve a identidade divulgada, mas a entrega da prata olímpica deve ocorrer até o final deste mês de abril.
Relembre a conquista
Esquiva Falcão fez história em 2012 ao se tornar o primeiro brasileiro a disputar uma final olímpica no boxe. Na ocasião, ele ficou com a prata na categoria peso-médio após uma luta equilibrada e polêmica contra o japonês Ryota Murata.


