MP aponta omissão e defende suspensão de PMs em mortes em Cariacica

Medida inclui recolhimento de armas e suspensão do porte de policiais presentes na morte de casal em Cariacica.

Escrito por Redação

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Cabo Vale (em destaque), momentos antes de atirar nas vítimas | Foto: Reprodução

O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) defendeu o afastamento dos policiais militares envolvidos na morte de duas mulheres no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica. O caso aconteceu no último dia 8.

Além do afastamento, o MPES também solicitou o recolhimento das armas institucionais dos policiais e a suspensão do porte de armas particulares.

No parecer, o Ministério Público destaca que o caso tem circunstâncias consideradas excepcionais, já que há apuração sobre possível omissão de policiais militares que teriam presenciado os fatos sem adotar as medidas esperadas durante a ocorrência. A Corregedoria da Polícia Militar apontou ainda que a permanência dos investigados em atividade pode comprometer a apuração e representar risco à ordem pública, ressaltando que as medidas têm caráter preventivo e temporário.

O MPES também solicitou que o caso continue sendo investigado pela Corregedoria da PMES, com a realização de diligências como coleta de laudos periciais, depoimentos de testemunhas e elaboração de um relatório final.

Associação critica afastamento

A Associação das Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (ASPRA-ES) criticou, nesta quinta-feira (15), a decisão do governo do Estado de afastar os policiais militares que estavam na ocorrência.

O episódio terminou com a morte de Francisca Chaguiana Dias Viana e Daniele Toneto, atingidas por disparos efetuados pelo cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale.

Em nota, a entidade afirmou que não defende a conduta do policial responsável pelos tiros e reforçou a necessidade de uma apuração rigorosa e transparente. A associação classificou o caso como “lamentável” e destacou que é preciso garantir o direito à ampla defesa.

Por outro lado, a ASPRA-ES disse ter recebido com “indignação e espanto” o afastamento dos demais policiais. Segundo a entidade, eles não participaram da ação, não sabiam da atitude do colega e não teriam como evitar o ocorrido, considerado repentino.

A associação também destacou que, após o crime, o autor foi contido, desarmado e preso pelos próprios policiais presentes, sendo encaminhado às autoridades.

Para a ASPRA-ES, a suspensão dos outros militares tem caráter punitivo e pode ter sido motivada por pressão da opinião pública. A entidade ainda afirmou que a decisão pode afetar a segurança pública, ao retirar policiais experientes das ruas, além de causar impactos psicológicos nos envolvidos.

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