Um ciclista de 58 anos percorreu 921 quilômetros de Suzano (SP) até Vitória (ES) em uma bicicleta feita de bambu. A viagem durou nove dias e terminou na terça-feira (14), após trechos longos, chuva e travessias pelo interior do Espírito Santo.
Quem encarou essa jornada foi o artesão Mateus Nascimento, conhecido como Mateuzinho, que saiu da cidade onde mora, em Suzano, e chegou à capital capixaba após dias seguidos de pedal. Ele enfrentou dificuldades ao longo do trajeto, incluindo chuva forte entre Cachoeiro de Itapemirim e Vitória. “Foram nove dias de pedalada, tem muito sofrimento, mas também muita tranquilidade durante a estrada. A solidão da estrada castiga, mas quando a gente chega aqui a satisfação é imensa”, afirma.
Viagem com propósito
Mais do que o desafio físico, Mateus diz que a viagem tem um objetivo pessoal. A ideia é incentivar outras pessoas a adotarem o esporte como caminho para melhorar a saúde. Ele explica que é uma bandeira para que as pessoas se guiem pelo esporte, saiam da obesidade e se livrem da depressão e da ansiedade.
A relação com o esporte, segundo ele, começou em um momento difícil. Mateus relata que, há cerca de 15 anos, enfrentou um quadro de depressão após a perda de uma filha e buscou na atividade física uma forma de reagir. “Para que isso não aumentasse, eu comecei a correr, mas achei que ainda era pouco e comecei a pedalar”, lembra.
Bicicleta feita de bambu
A bicicleta usada na viagem foi construída pelo próprio ciclista, após uma ideia sugerida pelo filho. Ele conta que começou a testar o material e decidiu seguir com o projeto. “Eu construí uma bicicleta de bambu, achei que era viável, comecei a pedalar e tracei minhas viagens. Também é uma forma sustentável e mostra que não é preciso ter um equipamento que custa caro para começar”, relata.
Antes de chegar a Vitória, Mateus já havia realizado outros percursos de longa distância, como viagens até Rio Verde (GO) e Salvador (BA). Ele afirma que segue planejando novos desafios, que a próxima pedalada será de Suzano (SP) até Maringá (PR) e que tem como objetivo entrar para o Guinness Book com suas viagens.
Desafios na estrada
Durante o trajeto até o Espírito Santo, o ciclista enfrentou chuva e longos trechos sem pausa. Um dos momentos mais difíceis, segundo ele, foi entre Cachoeiro de Itapemirim e a Grande Vitória, já no fim da viagem. “A chuva me pegou, molhou tudo, inclusive livros de minha autoria que eu vendo pelo percurso e carregava comigo. Foi a parte mais difícil”, afirma.
Chegada e apoio
Ao chegar à capital do Espírito Santo, Mateus viveu uma situação que ele mesmo descreve como inesperada. Conhecido pela fama de ser mais reservado, o capixaba acabou surpreendendo. Durante a travessia da Ciclovia da Vida, o ciclista encontrou um morador que, ao ouvir a história da viagem, decidiu ajudar.
“Ele falou que não me conhecia, mas que confiava na minha história e me levou para a casa dele”, relata. Sem conhecer o ciclista, o homem abriu as portas de casa e ofereceu abrigo, o que garantiu descanso no fim de um dos dias mais puxados da jornada.
Mateus pretende retornar para São Paulo após a passagem por Vitória. A bicicleta será levada no ônibus, com adaptações para o transporte.

